Estádio Centenário e Museu do Futebol – Montevidéu

O Estádio Centenário foi construído para a primeira Copa do Mundo, realizada em 1930. E quem olha a construção por fora pode ficar com a impressão de que não houve nenhuma atualização nas últimas oito décadas. Mas não é bem assim. Por dentro, a “cancha” em que a seleção uruguaia manda seus jogos é bem mais bonita. A distribuição das cadeiras na cor azul-celeste lembra uma espécie de anfiteatro, um local que consegue manter um ar aconchegante, apesar de ter capacidade para receber mais de 60 mil pessoas.

Por 100 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 10 reais), o visitante vai à arquibancada e ainda percorre os dois pisos do Museo del Fútbol. Por meio de fotos e objetos históricos, o espaço conta um pouco das duas Copas vencidas pelo Uruguai (1930 e 1950) e dos triunfos olímpicos da Celeste. Há também camisas utilizadas por Pelé, Vavá, Maradona e pelos ídolos locais Rubén Sosa e Diego Forlán.

Ao contrário dos estádios argentinos, no Centenário não é permitido o acesso ao campo. Com isso, não conseguimos ver tão de perto um automóvel Monza de cor branca curiosamente estacionado ao lado da linha lateral(!?).

O ponto alto da visita é conversar com o senhor Gerardo, um simpático torcedor do Peñarol, que é um dos responsáveis por recepcionar os visitantes. Ele sabe tudo sobre o futebol brasileiro, inclusive contra quem seu time (seja ele qual for) vai jogar na próxima rodada!

Só não espere encontrar absolutamente nenhum aparato tecnológico no museu, pois até na hora de cobrar o ingresso o recurso utilizado é uma velha caixa registradora.

Estádio Centenário e Museo del Fútbol: Av. Dr. Americo Ricaldoni, 11.400 – Montevidéu – Uruguai. Visitas de segunda a sexta.



Montevidéu: Ciudad Vieja e Mercado del Puerto

Passamos 5 dias em Montevidéu no mês de outubro e, de um modo geral, foi decepcionante. Entre outras razões, porque deveríamos seguir as recomendações de dedicar apenas dois ou três dias à capital uruguaia, já que sobra pouco para fazer por lá depois disso. Percebemos isso logo de cara, quando saímos para conhecer a região central, onde concentra-se boa parte dos pontos turísticos.

Com um calçado confortável e disposição para caminhar, é possível conhecer a pé toda essa parte da cidade. A Plaza Independência é a principal. Na esquina dela com a avenida 18 de Julio, a mais importante via comercial de Montevidéu, está o Palácio Salvo, um prédio altão projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, o mesmo que assina o parecido (porém mais conservado) Edifício Barolo, em Buenos Aires. A construção chama a atenção pela altura – são 95 metros –, mas não pela beleza. Carece de uns bons retoques e várias de suas unidades estão à venda.

Na mesma região estão o Palácio Estevez, um casarão já utilizado como sede do governo uruguaio, e uma construção moderna que é o atual edifício presidencial. No centro da praça, há uma grande estátua do herói nacional, aquele que expulsou os espanhóis em 1811, o general José Artigas em seu cavalo.


Atrás da escultura, a Puerta de la Ciudadela relembra a época em que Montevidéu era cercada por uma muralha. Com restauração concluída em 2009, o portal marca o começo da região conhecida como Ciudad Vieja. Olhando para a esquerda, o visitante verá o Teatro Solís, principal palco das artes cênicas uruguaias, que visitaríamos mais tarde.

Essa caminhada de reconhecimento da área central de Montevidéu foi desapontadora. Sem exageros, não nos encantamos por absolutamente nenhuma das construções históricas. Vimos um centro muito parecido com o da nossa cidade, São Paulo, o que lamentamos dizer que não é exatamente um elogio. Percebemos por lá os mesmos problemas sociais e urbanísticos, mas sem a visão reconfortante de preciosidades arquitetônicas como o Copan, o Municipal, o Martinelli, o viaduto Santa Ifigênia…

É isso, achamos o centro de Montevidéu feio e não tão seguro como prevíamos. No percurso a partir do hotel, no Barrio Sur – poucas quadras distante – fomos abordados duas vezes por gente pedindo dinheiro com cara de poucos amigos, vimos muitos moradores de rua e não nos sentimos tão à vontade para usar a câmera – a Débora fez várias fotos sob olhar fixo de gente mal encarada, sobretudo nas partes menos movimentadas. Turistas eram poucos e concentravam-se nos pontos mais óbvios, os mesmos onde havia presença policial – com exceção do domingo, dia em que vimos bem mais polícia na rua.

Mas não desistimos, e já na Ciudad Vieja seguimos pelo calçadão da rua Sarandi, cheio de lojas e com alguns cafés, museus e sorveterias. Nosso destino, claro, era o Mercado del Puerto, a antiga estação de trem trasformada em centro gastronômico, cuja grande atração é o churrasco uruguaio, preparado com lenha na parrilla.

Nesse programa turístico, não houve decepção! Escolhemos comer no famoso El Palenque, sem desanimar com a lotação total do espaço reservado às mesas em plena quinta-feira. Ficamos no balcão mesmo e lá experimentamos uma das melhores refeições da viagem.

A Débora adorou seu Petit Lomo (400 pesos, cerca de R$ 40) e eu comi uma picanha sensacional, servida exatamente no ponto pedido e com quantidade perfeita de sal (440 pesos ou R$ 44). Tudo acompanhado de Papas Fritas e de uma Papa a la Parrilla com Roquefort pedida à parte (120 pesos/R$ 12). Era tanta comida que nem precisaríamos ter pedido de entrada um provolone com jamón e azeitonas, bom só que muito salgado (180 pesos/R$ 18).

Finalizado o almoço, paramos em outro clássico, o Roldós. Para tomar medio y medio, é claro! Dizem que a mistura de vinho com espumante deixa muita gente bêbada rapidinho, mas com o estômago cheio não sentimos esse efeito. A versão tradicional (60 pesos/R$ 6) leva vinho branco, tem gosto de Sidra Cereser e é feita, nitidamente, com vinho ruim. Mesmo assim, é melhor do que as versões com vinho rosé e tinto, ambas criadas mais recentemente.

Quando pegávamos o caminho de volta, um garotinho chegou pedindo dinheiro. Conversamos um pouco e ele disse pra gente que era obrigado a conseguir o equivalente a 20 reais por dia com os turistas brasileiros. Triste demais.

Nesse clima chegamos ao Teatro Solís pontualmente às 16 horas, quando começa uma das visitas guiadas. Para ouvir as explicações em português, o preço é de 40 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 4 reais). Com a guia falando espanhol, sai pela metade do preço. A visita dura uns 40 minutos e o destaque, claro, é a sala principal, que não é enorme mas é bem bonita. Nada além dela nos impressionou, e olha que estava rolando uma exposição de fotos e outra de roupas cênicas, mas ambas bem fracas.

No final, paramos no café do teatro para comer uma ótima Torta Rogel acompanhada de um espresso (tudo por 180 pesos/R$ 18). Esse café da tarde nos deu energia para uma caminhada mais longa, até o Palácio Legislativo.

Situada na avenida Libertador, a sede do congresso uruguaio é o prédio mais bonito entre as construções históricas vistas nesse dia, mas fica já fora da região central e isolada das outras atrações turísticas.

El Palenque: Perez Castellano, 1579, dentro do Mercado del Puerto – Montevidéu – Uruguai. Tel.: +598 29170190

Teatro Solís: Reconquista esquina com Bartolomé Mitre – Montevidéu – Uruguai. Visitas guiadas: terças e quintas às 16 horas; quartas, sextas e domingos às 11hs, 12hs e 16hs e sábados às 11hs, 12hs, 13hs e 16hs. Às quartas há visitas grátis em espanhol.



Colonia del Sacramento e as massas do Mesón de La Plaza

Na segunda-feira, momentos antes de nosso city-tour por Buenos Aires, fomos até a central da Buquebus e compramos as passagens de barco para Colonia del Sacramento, encantadora cidade do Uruguai tombada pelo patrimônio histórico da Unesco. A opção do buque rápido faz o trajeto em cinquenta minutos e custa 218 pesos por pessoa (ida e volta). O barco, além de grande e confortável, tem um ótimo free shop com boas promoções.

A beleza arquitetônica de Colonia torna o passeio rico mesmo quando o céu nublado e a chuva tentam atrapalhar.

Impossível não admirar as casas, o pier, a vista do rio De la Plata, a praça e as ruínas históricas.

As lojas de artigos em couro e o artesanato garantem aos turistas boas opções de compras. E as dezenas de restaurantes, a maioria especializada em carnes ou massas, aguçam o paladar de qualquer viajante.
Na cidade, praticamente todos os restaurantes disponibilizam o cardápio na entrada. Por isso, demos voltas e mais voltas para olhar diversas opções antes de escolher onde iríamos comer. Afinal, só tínhamos tempo para um almoço por lá… e nessas idas e vindas, nossa ideia inicial de provar o churrasco uruguaio foi abortada ao depararmos com o menu do Mesón de La Plaza.

Ficamos indecisos entre as massas e os pratos à base de cordeiro. Mas concordamos logo em relação à bebida: Clericó (165 pesos uruguaios), sangria feita com vinho branco reserva.

Petiscamos os pães do couvert com manteigas e maionese temperadas enquanto nos decidimos, finalmente, pelas massas.

Eu fui de Sorrentinos de Vino y Cordero (240 pesos uruguaios), com massa à base de vinho branco, recheado de cordeiro e servido com molho pomodoro. Mesmo com recheio farto, a massa estava muito leve e o frescor do tomate e do majericão colaboraram para o sucesso do prato.

O Fernando também se saiu muito bem com a sua escolha. Os Ravioles a la Príncipe de Nápoles estavam excelentes (180 pesos uruguaios). Massa caseira recheada de verdura e molho com creme de leite, champignon, presunto, molho inglês e de tomate. Tudo gratinado com um bom queijo Gruyere.

Depois de pratos ótimos, estávamos certos de que a sobremesa também seria muito boa, afinal, algo que leva o doce de leite daquela região não pode ser ruim, não é mesmo? Felizmente as Panqueques de Dulce de Leche não nos decepcionaram (65 pesos uruguaios).

Vale mencionar que a equivalência em reais do peso uruguaio é (bem) diferente do peso argentino. Nossa conta, incluindo água e o serviço, saiu por 755 pesos uruguaios, algo em torno de 151 pesos argentinos ou perto de 76 reais na época.
Com este post, encerramos nossos relatos da viagem por Buenos Aires, San Isidro, Tigre e Colônia del Sacramenro. A partir dos próximos dias, postaremos visitas a bares, restaurantes e afins em Santa Catarina e Paraná, estados por onde passamos nos últimos meses, além, é claro de São Paulo.

Sugestão do chef: no centro histórico de Colonia del Sacramento há uma loja da marca Punta Ballena, fabricante dos alfajores uruguaios bastante conhecidos no Brasil.

Mesón de La Plaza: Vasconcellos, 153 ­– Colonia del Sacramento – Uruguai – Tel.: (598) 52 24807.