Quando saímos do Orquidário a noite já vinha chegando e nossa missão era escolher um lugar para jantar. Achamos que mesmo estando fora de São Paulo, uma pizza seria o ideal. Ainda no bairro de José Menino, finalizamos muito bem nosso passeio na Pizzaria Van Gogh.
O salão é espaçoso e o cardápio, extenso.

Além das pizzas traz carnes, aves, peixes e petiscos. Pelo que vimos nas mesas ao redor, os pratos são bem caprichados e servem umas três pessoas, o que faz do lugar uma boa opção também para o almoço.
Enquanto esperávamos nossa redonda, uma jarra de sangria (R$ 15) acompanhada por lascas de pizza ao molho pesto (R$ 3) demonstravam que escolhemos bem o restaurante para fechar nosso passeio pela baixada santista.


Capriccio (molho de tomate, muzzarela de búfala, manjericão, rodelas de tomate e presunto cru) – R$ 35 a média e R$ 37 a grande – e Calabresa Artesanal com erva-doce (molho de tomate, calabresa e cebola) – R$ 36 a média e R$ 38 a grande – eram os recheios da nossa pizza.


Ambos os sabores estavam bons, mas o de calabresa fez mais sucesso principalmente por ser mais forte e se sobressair à massa que tinha pouco sal.
O Fernando foi o único que pediu sobremesa. A apresentação simples da mousse de chocolate (R$ 6) não empolgou, mas ela estava deliciosa.

Tenho certeza que da próxima vez ninguém vai recusar a sobremesa.
E assim acabou nosso passeio pela cidade do Beto, que por sinal, tem um monte de coisas bacanas pra nos contar sobre Santos.

Sugestão do chef: para as mulheres, o banheiro do Van Gogh é parada obrigatória.

Ele é repleto de espelhos por todos os lados e parece um labirinto!
Pizzaria Van Gogh: Rua Floriano Peixoto, 314 – José Menino – Santos – SP – Tel.: (13) 3225-3636
Depois do almoço caprichado, a programação era pegar o bondinho do Monte Serrat e avistar a cidade lá de cima, mas os salgados R$ 15 cobrados por pessoa fizeram com que desistíssemos do passeio.

Como plano B, decidimos dar uma volta pela orla e aproveitar a caminhada para procurar alguma sorveteria, já que o calor continuava forte.
Santos é uma cidade bonita, mas infelizmente a poluição da praia não passou despercebida. Vimos muita sujeira, um mar cinza e uma areia escura.


O jeito era mesmo focar na busca pelo sorvete.
Encontramos a sorveteria Lip’s, que nos pareceu espaçosa e agradável.

Ela funciona no sistema self-service, em que o preço é cobrado por quilo (R$ 29,90).
Gostamos da variedade de sabores, todos de fabricação própria. Foi difícil decidir o que provar.


Ficamos com os cremosos abacaxi ao vinho, floresta negra e creme com frutas cristalizadas. Dos sorbets, escolhemos o de amora e o de manga, nossos preferidos.

Os sorvetes estavam muito bons e com textura firme, nenhum apresentou sabor artificial. Os de frutas, inclusive, lembravam suco congelado!
Deixamos a sorveteria e fomos ao Orquidário Municipal de Santos (R$ 1 o ingresso), um pequeno parque que abriga diversas espécies de animais e plantas.

O espaço é tranqüilo e muito arborizado. Passamos momentos deliciosos em meio à natureza e aos bichos e, de quebra, fugimos um pouco do calor.

Sugestão do chef: além dos sorvetes de massa vendidos por quilo, a Lip’s oferece boa variedade de picolés e também açaí expresso, mas esses ficarão para a próxima visita.

Lip’s sorvetes: Av. Bartolomeu de Gusmão, s/nº (entre as ruas Imperatriz Leopoldina e Dr. Isidoro J. R. de Campos) – Ponta da Praia – Santos – SP.
Orquidário Municipal de Santos: Praça Washington, s/nº – José Menino – Santos – SP. Tel.: (13) 3237-6970/(13) 3225-1353.
Ainda no Centro Histórico de Santos, encontramos um lugar bem bacana para almoçar: o quase centenário Café Paulista, com seus belos painéis em azulejos pintados à mão.

Influenciados pelo fato de estarmos numa cidade litorânea, já chegamos ao restaurante com a idéia de comer peixe, e não demorou muito para escolhermos a Garoupa Guanabara (R$ 50), grelhada com molho de camarão e servida com risoto de palmito (na verdade um arroz com molho de tomate e palmito). Muito boa e bem temperada.
Nos informaram que a Garoupa Guanabara servia apenas duas pessoas. Como éramos quatro, pedimos o reforço do Peixe à Moda da Casa (R$ 50). Feito no forno, chega acompanhado de frutos do mar e batata cozida. Parece uma caldeirada e também é bastante saboroso e bem-servido É feito originalmente com cambucu, mas optamos por trocar pela garoupa.
Se o cafézinho e o pastel que antecederam nosso almoço haviam deixado a desejar, o Café Paulista soube redimir a gastronomia santista.
Sugestão do chef: Pense muito bem antes de aceitar o couvert. Para nós não valeu a pena pagar R$ 5,50 por pessoa para comer rabanete, azeitonas e torrada com manteiga e orégano.

Café Paulista: Praça Rui Barbosa, 08 – Centro – Santos – SP – Tel.: (13) 3219-5550
Depois de visitar o Museu do Café, a fome começou a apertar. Como ainda era cedo para pensar no almoço, resolvemos comer alguma coisa no Café Carioca, tradicional bar do Centro de Santos.

Inaugurado em 1939, foi por muito tempo o principal ponto de encontro dos políticos da cidade.
Além de alguns pratos, o cardápio apresenta petiscos e boa variedade de lanches. Mas a grande atração da casa são os pastéis, encontrados em nove opções de recheio.
Provamos o de camarão, o de palmito e o de carne de siri, R$ 2,50 cada.

Todos tinham recheio farto e cremoso e sabor bem acentuado.

Já a massa pesada e grossa deixou a desejar. Provavelmente isso acontece porque os pastéis não são fritos na hora, eles ficam armazenados em estufas térmicas e nem sempre chegam quentinhos à mesa.

Para acompanhar os pastéis, chá mate bem geladinho com limão (R$ 2).

Parece que o consumo dessa bebida é comum por lá: vimos em outros restaurantes e também em carrinhos refrigerados que circulavam pelas ruas do Centro.
Deixamos o Café Carioca para embarcar num passeio que nos fez voltar no tempo: andar de bonde.

Em 1919 foi inaugurada a primeira linha de bondes elétricos em Santos e, por 35 anos, eles foram o principal meio de transporte da cidade. Deixaram de funcionar em 1954.
Como parte do projeto de revitalização do Centro Histórico, em 2002 a prefeitura construiu uma pequena linha turística e fez circular um bonde com características idênticas às dos originais.
O city-tour é monitorado e dura cerca de 10 minutos. Por R$ 1 é possível dar uma volta pelas principais ruas do Centro Histórico e conhecer um pouco da história de Santos.


Quando descemos do bonde o sol estava muito forte e a sensação de calor beirava o insuportável. Momento propício para interromper por algumas horas nosso passeio e procurar um bom lugar para almoçar.
Mas isso é história para o próximo post.
Sugestão do chef: visitar pessoalmente o Café Carioca, um dos clássicos da gastronomia santista, é parada obrigatória para quem passa pelo Centro Histórico. Mas quem estiver instalado em Santos pode utilizar o serviço de entrega, que funciona em toda cidade.

Bar e Café Carioca: Praça Visconde de Mauá, 1 – Santos – São Paulo. Tel.: (13) 3219-1745
Bonde turístico: de terça a domingo, das 11h00 às 17h00. Partida da Praça Visconde de Mauá. Bilhete: R$1,00. Tel.: (13) 3201-8000.
Nossa primeira parada na cidade de Santos foi para visitar o Museu do Café, no palácio da antiga Bolsa Oficial de Café. Localizado no Centro Histórico da cidade, o prédio foi finalizado em 1922 e até 1957 centralizou as operações do mercado cafeeiro no Brasil.


Depois de pagarmos os R$ 5 da entrada, começamos a visita pelo salão do pregão, justamente o local em que os preços eram negociados e os contratos firmados para que as sacas de café pudessem ser exportadas.

Tudo isso acontecia sob um belíssimo vitral de Benedito Calixto, que retrata três momentos da história do Brasil: Período Colonial, Império e República. Impossível não esticar o pescoço por alguns minutos para apreciar a riqueza de detalhes.

Nesse mesmo ambiente a história de Santos é contada em três belos quadros de Calixto.

Em uma outra parte do museu estão expostos diversos itens utilizados na lavoura do café.


No mesmo ambiente é possível dar uma olhada nas embalagens de dezenas de marcas de café gourmet, algumas produzidas apenas para exportação.

No andar superior, maquetes mostram as principais regiões do início da produção de café no Brasil e até as ferrovias por onde as sacas eram transportadas.


Lá você saberá, por exemplo, que a primeira tentativa de plantar café no Brasil se deu no estado do Pará, em 1727, a partir de mudas “trazidas” da Guiana Francesa – o novo cultivo não vingou, o que só ocorreria no século XIX.
O último ambiente destaca o Porto de Santos e é um dos mais interessantes do museu.


De cara, impressiona a escultura de um trabalhador que conseguia a proeza de carregar cinco sacas de café (300 kg) de uma só vez – o fato é verídico e o nome dele era Jacinto.


Ao lado, só para atiçar ainda mais nossa vontade de tomar um café, há a reprodução de uma mesa de degustação da bebida.

De lá, descemos direto para a Cafeteria do Museu, ao lado da entrada do prédio.


Mas o espresso (R$ 2,30) ficou abaixo do esperado: um pouco aguado, provavelmente não havia sido tirado por um barista.

Pedimos também uma torta de café (R$ 3,50).

Estava boa, mas com sabor de café pouco acentuado e que praticamente sumiu depois que chegamos no recheio – bem parecido com brigadeiro. Mas é claro que valeu pela visita!
Sugestão do chef: todos os meses o museu promove cursos de barista, ao preço de R$ 300. O próximo será entre os dias 14 e 16 de maio.
Museu do Café: Rua XV de Novembro, 95 – Centro – Santos – SP – Tel.: (13) 3219-5585
Horário de funcionamento: segunda a sábado das 9:00 às 17:00. Domingo das 10:00 às 17:00. Preço: R$ 5