De tudo um pouco no Tannat

Próximo ao hotel em que nos hospedamos em Montevidéu, um restaurante chamou a nossa atenção. Chegamos mais perto, achamos o cardápio interessante e decidimos entrar.

O Tannat Restaurante e Wine Bar apresenta uma carta bastante variada, passando por carne, massa, risoto, marisco, frutos do mar e até sushi! Não costumamos arriscar em um restaurante onde da cozinha sai de tudo, mas já estávamos na capital uruguaia tempo suficiente para entender que essa mistura é comum em boa parte dos lugares.

Rapidamente nos serviram o couvert: algumas torradas, chips de batata doce, maionese e patê à base de cenoura. Petiscamos tudo enquanto nossos pedidos eram preparados.

Da parrilla saiu o Vacío com Papa Dulce (380 pesos/R$ 38) pedido pelo Fernando. A carne pouco saborosa não agradou nada.

Eu tive mais sorte com o Risoto de Hongos (370 pesos/R$ 37). O prato estava bem feito, porém, prefiro o ponto do arroz um pouco mais cozido.

E por falar em sorte, não contamos com ela no momento da escolha do vinho. A carta era boa, mas com poucas opções da bebida servida em taça. Escolhemos o De Lucca 2009 – Tannat (85 pesos/R$ 8,50) e tanto no rosé quanto no tinto o gosto do álcool predominava. Bem ruim mesmo.

O ponto alto da nossa refeição foi a sobremesa. O Helado Tannat con frutos del Bosque (185 pesos/R$ 18,50) estava delicioso e nos surpreendeu positivamente. Gostamos tanto que saímos de lá com a promessa de tentar reproduzir a receita em casa.

Sugestão do chef: De segunda a sexta-feira no almoço o Tannat oferece menu executivo a preço fixo com com entrada, prato principal e sobremesa.

Tannat Restaurante e Wine Bar: San Jose, 1063 – Centro – Montevidéu – Uruguai



Fellini: Cozinha italiana em Pocitos

O movimento é grande e a promessa é de oferecer as melhores massas de Montevidéu. Desse jeito, não é culpa nossa ter chegado ao Fellini com grandes expectativas. Era noite de sexta e esquecemos de fazer reserva. Não esperamos porque ainda era cedo, mas nos colocaram numa das piores mesas, com toda a movimentação de um ponto de ônibus do outro lado do vidro…

Por volta das 20:30 a casa começou a encher e um violonista passou a animar o ambiente com boa música. Bebíamos uma Zillertal, nossa preferida entre as cervejas uruguaias (110 pesos/R$ 11) enquanto escolhíamos o que pedir. Logo chegaram uns pães acompanhados de um patê bem sem-graça. Começo discreto para um restaurante italiano, locais em que o couvert costuma ser ótimo.

Um dos pratos escolhidos foi o Agnolotti Zuca com molho Pomodoro e Basílico (250 pesos/R$ 25). Estava só razoável, nada além disso.

Do outro pedido, Lasagna de Carne y Hongos, gostamos mais (275 pesos/ R$ 27,50). É bem recheada e servida com um bom molho e muitos cogumelos. De qualquer forma, passa longe de ser uma massa memorável. Bem longe mesmo.

O ponto alto da refeição veio no final, quando chegou à mesa a Muerte por el Chocolat, uma sobremesa com espeto de frutas, sorvete de chocolate, brownie e fondue de chocolate ao leite e amargo. Um deleite para chocólatras como nós. Isso é que dolce vita.

Sugestão do chef: Caso não aguente uma sobremesa inteira, mas ainda assim quiser um docinho, peça um café! Isso mesmo, no Fellini o espresso chega na companhia de raspas de chocolate, chantily, canela e açúcar cristal.

Fellini: Jose Marti, 3408, esquina com Benito Blanco – Pocitos – Montevidéu – Uruguai



Bar 62: comida ótima e atendimento impecável em Montevidéu

Em um ambiente dos mais agradáveis, decorado em estilo rústico, funciona o Bar 62, ótima opção para a noite no bairro de Pocitos. Fica na esquina de onde partia a primeira linha de bonde a circular por Montevidéu, a “línea 62″. O cardápio conta com diversas opções de drinks, vinhos e algumas cervejas locais, mas a casa funciona também como restaurante – e dos mais ecléticos –, servindo carnes uruguaias, comida japonesa e outros pratos inspirados na cozinha internacional. O melhor de tudo é que essa “bagunça” dá muito certo, e da cozinha saem preparações bem saborosas.

Tínhamos lido no Comidinhas elogios ao clericot preparado por lá, mas nos surpreendemos ao não encontrar no cardápio a versão com vinho branco da sangria, comum no Uruguai. Perguntamos ao garçom e ele disse que realmente não consta da carta, mas que, se quiséssemos, pediria para preparar. A pró-atividade dele foi só um exemplo do atendimento perfeito que a casa oferece. Claro que aceitamos a gentileza, porém imaginando que o pedido sairia bem caro. Errado! A excelente jarra de vinho branco com maçã-verde, morango, banana e pêssego em calda não custou mais do que 240 pesos uruguaios, ou R$ 24.

Para começar a matar a fome, pedimos duas entradas. A Débora foi de Ceviche Mixto de Lenguado y Camarones (290 pesos/ R$ 29), um prato delicioso, feito com peixe bem fresco, como deve ser.

Eu não sairia de lá sem provar uma carne, por isso pedi Chorizo. Custa 75 pesos (R$ 7,50) e é uma linguiças mais saborosa que as servidas nos churrascos brasileiros.

Na hora dos principais, escolhemos explorar a diversidade do cardápio. A “chica” pediu um menu japonês com 12 itens: 4 makis, 4 nigiris e 4 sashimis. Achou tudo bem-executado, no mesmo nível dos bons restaurantes japoneses daqui. O preço do combinado, vale dizer, não é barato, já que sai por 410 pesos, algo em torno de R$ 41. Aliás, não espere restaurantes muito baratos em Montevidéu.

Eu já tinha matado a vontade de comer carne, então pedi um prato vegetariano: Strudel de Hongos y Puerros con verdes (330 pesos/R$ 33). É uma criação sensacional! A massa desmancha na boca, os cogumelos frescos formam um ótimo recheio e o alho-poró dá um toque especial. Voltaríamos a Montevidéu só pra ir de novo ao Bar 62.

Sugestão do chef: Para nós, é um lugar para ir à noite, mas também abre no almoço. Só não programe comer lá em um domingo, pois encontrará as portas fechadas.

Bar 62: Miguel Barreiro, 3301, esquina com Chucarro – Pocitos – Montevidéu – Uruguai



Montevidéu: Punta Carretas e Pocitos

Depois de explorar a região central, era dia de conhecer a parte mais moderna de Montevidéu, em especial os bairros de Punta Carretas e Pocitos. Seguimos de táxi pela rambla, a extensa avenida ao lado do Rio da Prata e, em poucos minutos, o cenário de casas antigas dava lugar a prédios altos e um certo clima de balneário, com muitos moradores praticando corrida e caminhada pelo calçadão.

Descemos do carro na região da Playa Ramírez, em frente à sede do Mercosul, um belo prédio em Punta Carretas. Para quem gosta de apostar, atrás dele há um cassino, que talvez seja para onde vão os políticos sulamericanos ao final das reuniões…

Dali foi só atravessar a rua para entrar no Parque Rodó, a mais popular área verde da capital uruguaia. Nos finais de semana, o local é destino certo para muitas famílias de Montevidéu. O pessoal fica por lá tomando mate (como em todos os outros lugares), vendo o tempo passar, brincando com os filhos. Para o turista, é só um parque urbano dos mais convencionais, nada além disso. No lago artificial, é possível dar um passeio de meia hora em um dos (bem) antigos pedalinhos por 40 pesos/pessoa (cerca de R$ 4). Bom para ver de perto as dezenas de patos que vivem por lá.

Na saída, caminhamos pelo meio do parque, que é todo aberto e, no final, passamos em frente ao pequeno estádio Luis Franzini, do Defensor Sporting, clube do qual muitos só ouviram falar em 2009, quando o time eliminou o Boca Jrs. da Copa Libertadores. Ao lado da “cancha” funciona  um parque de diversões onde paramos uns minutos para observar o movimento dos brinquedos e das pessoas. Não se paga entrada, basta comprar o bilhete correspondente à atração escolhida. Nenhum brinquedo é dos mais radicais, mas, pelo que vimos, confiar no estado de conservação das estruturas é um ato de coragem. Boa sorte para quem se arriscar!

Voltamos ao calçadão da rambla e caminhamos muito tempo com o rio à nossa direita. Contornamos o enorme campo de golfe e, bem depois, chegamos à nossa última parada no bairro: o Punta Carretas Shopping, localizado no espaço de um antigo presídio, com a fachada original preservada. Não contem com boas opções de refeição, pois a praça de alimentação desse centro de compras é péssima. Um bom lugar para comprar bebidas e alimentos típicos pra consumir no hotel ou jogar na mala é a loja do supermercado Disco que funciona no shopping. Por lá há também lojas da Nike e da Adidas, mas os preços estão parecidos com os praticados no Brasil.

Pocitos, outro bairro da orla do Rio da Prata, fica pra frente de Punta Carretas e merece ser visitado com calma. Na verdade, é onde deveríamos ter nos hospedado, já que o ambiente por lá é bem mais agradável do que nas outras partes de Montevidéu. A começar pela Playa de Pocitos, sem dúvida a mais bonita de Montevidéu. Quer outra razão? A maioria dos bons restaurantes e dos bares descolados estão espalhados pelo bairro. Isso mesmo: espalhados. Não espere encontrar dezenas de lugares legais a poucos metros um do outro, no estilo  Palermo Soho – ou Vila Madalena, Santa Tereza, etc. Não existe isso na capital do Uruguai. Caso esteja hospedado por lá, tudo bem, você vai caminhar e descobrir lugares para comer e beber. Caso contrário, tenha na manga um ou dois endereços de bares ou restaurantes que deseja visitar e vá de táxi. A partir do centro ou do Barrio Sur a corrida dura uns 12 minutos e custa cerca de 150 pesos (R$ 15) . Se quer uma indicação nossa, não deixe de ir ao Bar 62 (Barreiro, 3301, esquina com Chucarro), mas essa dica você vai entender melhor no próximo post.

Parque Rodó: Rambla Presidente Wilson

Punta Carretas Shopping: Jose Ellauri, 350 esquina com Solano García e Gracía Cortinas – Punta Carretas – Montevidéu – Uruguai



Estádio Centenário e Museu do Futebol – Montevidéu

O Estádio Centenário foi construído para a primeira Copa do Mundo, realizada em 1930. E quem olha a construção por fora pode ficar com a impressão de que não houve nenhuma atualização nas últimas oito décadas. Mas não é bem assim. Por dentro, a “cancha” em que a seleção uruguaia manda seus jogos é bem mais bonita. A distribuição das cadeiras na cor azul-celeste lembra uma espécie de anfiteatro, um local que consegue manter um ar aconchegante, apesar de ter capacidade para receber mais de 60 mil pessoas.

Por 100 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 10 reais), o visitante vai à arquibancada e ainda percorre os dois pisos do Museo del Fútbol. Por meio de fotos e objetos históricos, o espaço conta um pouco das duas Copas vencidas pelo Uruguai (1930 e 1950) e dos triunfos olímpicos da Celeste. Há também camisas utilizadas por Pelé, Vavá, Maradona e pelos ídolos locais Rubén Sosa e Diego Forlán.

Ao contrário dos estádios argentinos, no Centenário não é permitido o acesso ao campo. Com isso, não conseguimos ver tão de perto um automóvel Monza de cor branca curiosamente estacionado ao lado da linha lateral(!?).

O ponto alto da visita é conversar com o senhor Gerardo, um simpático torcedor do Peñarol, que é um dos responsáveis por recepcionar os visitantes. Ele sabe tudo sobre o futebol brasileiro, inclusive contra quem seu time (seja ele qual for) vai jogar na próxima rodada!

Só não espere encontrar absolutamente nenhum aparato tecnológico no museu, pois até na hora de cobrar o ingresso o recurso utilizado é uma velha caixa registradora.

Estádio Centenário e Museo del Fútbol: Av. Dr. Americo Ricaldoni, 11.400 – Montevidéu – Uruguai. Visitas de segunda a sexta.



Montevidéu: Ciudad Vieja e Mercado del Puerto

Passamos 5 dias em Montevidéu no mês de outubro e, de um modo geral, foi decepcionante. Entre outras razões, porque deveríamos seguir as recomendações de dedicar apenas dois ou três dias à capital uruguaia, já que sobra pouco para fazer por lá depois disso. Percebemos isso logo de cara, quando saímos para conhecer a região central, onde concentra-se boa parte dos pontos turísticos.

Com um calçado confortável e disposição para caminhar, é possível conhecer a pé toda essa parte da cidade. A Plaza Independência é a principal. Na esquina dela com a avenida 18 de Julio, a mais importante via comercial de Montevidéu, está o Palácio Salvo, um prédio altão projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, o mesmo que assina o parecido (porém mais conservado) Edifício Barolo, em Buenos Aires. A construção chama a atenção pela altura – são 95 metros –, mas não pela beleza. Carece de uns bons retoques e várias de suas unidades estão à venda.

Na mesma região estão o Palácio Estevez, um casarão já utilizado como sede do governo uruguaio, e uma construção moderna que é o atual edifício presidencial. No centro da praça, há uma grande estátua do herói nacional, aquele que expulsou os espanhóis em 1811, o general José Artigas em seu cavalo.


Atrás da escultura, a Puerta de la Ciudadela relembra a época em que Montevidéu era cercada por uma muralha. Com restauração concluída em 2009, o portal marca o começo da região conhecida como Ciudad Vieja. Olhando para a esquerda, o visitante verá o Teatro Solís, principal palco das artes cênicas uruguaias, que visitaríamos mais tarde.

Essa caminhada de reconhecimento da área central de Montevidéu foi desapontadora. Sem exageros, não nos encantamos por absolutamente nenhuma das construções históricas. Vimos um centro muito parecido com o da nossa cidade, São Paulo, o que lamentamos dizer que não é exatamente um elogio. Percebemos por lá os mesmos problemas sociais e urbanísticos, mas sem a visão reconfortante de preciosidades arquitetônicas como o Copan, o Municipal, o Martinelli, o viaduto Santa Ifigênia…

É isso, achamos o centro de Montevidéu feio e não tão seguro como prevíamos. No percurso a partir do hotel, no Barrio Sur – poucas quadras distante – fomos abordados duas vezes por gente pedindo dinheiro com cara de poucos amigos, vimos muitos moradores de rua e não nos sentimos tão à vontade para usar a câmera – a Débora fez várias fotos sob olhar fixo de gente mal encarada, sobretudo nas partes menos movimentadas. Turistas eram poucos e concentravam-se nos pontos mais óbvios, os mesmos onde havia presença policial – com exceção do domingo, dia em que vimos bem mais polícia na rua.

Mas não desistimos, e já na Ciudad Vieja seguimos pelo calçadão da rua Sarandi, cheio de lojas e com alguns cafés, museus e sorveterias. Nosso destino, claro, era o Mercado del Puerto, a antiga estação de trem trasformada em centro gastronômico, cuja grande atração é o churrasco uruguaio, preparado com lenha na parrilla.

Nesse programa turístico, não houve decepção! Escolhemos comer no famoso El Palenque, sem desanimar com a lotação total do espaço reservado às mesas em plena quinta-feira. Ficamos no balcão mesmo e lá experimentamos uma das melhores refeições da viagem.

A Débora adorou seu Petit Lomo (400 pesos, cerca de R$ 40) e eu comi uma picanha sensacional, servida exatamente no ponto pedido e com quantidade perfeita de sal (440 pesos ou R$ 44). Tudo acompanhado de Papas Fritas e de uma Papa a la Parrilla com Roquefort pedida à parte (120 pesos/R$ 12). Era tanta comida que nem precisaríamos ter pedido de entrada um provolone com jamón e azeitonas, bom só que muito salgado (180 pesos/R$ 18).

Finalizado o almoço, paramos em outro clássico, o Roldós. Para tomar medio y medio, é claro! Dizem que a mistura de vinho com espumante deixa muita gente bêbada rapidinho, mas com o estômago cheio não sentimos esse efeito. A versão tradicional (60 pesos/R$ 6) leva vinho branco, tem gosto de Sidra Cereser e é feita, nitidamente, com vinho ruim. Mesmo assim, é melhor do que as versões com vinho rosé e tinto, ambas criadas mais recentemente.

Quando pegávamos o caminho de volta, um garotinho chegou pedindo dinheiro. Conversamos um pouco e ele disse pra gente que era obrigado a conseguir o equivalente a 20 reais por dia com os turistas brasileiros. Triste demais.

Nesse clima chegamos ao Teatro Solís pontualmente às 16 horas, quando começa uma das visitas guiadas. Para ouvir as explicações em português, o preço é de 40 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 4 reais). Com a guia falando espanhol, sai pela metade do preço. A visita dura uns 40 minutos e o destaque, claro, é a sala principal, que não é enorme mas é bem bonita. Nada além dela nos impressionou, e olha que estava rolando uma exposição de fotos e outra de roupas cênicas, mas ambas bem fracas.

No final, paramos no café do teatro para comer uma ótima Torta Rogel acompanhada de um espresso (tudo por 180 pesos/R$ 18). Esse café da tarde nos deu energia para uma caminhada mais longa, até o Palácio Legislativo.

Situada na avenida Libertador, a sede do congresso uruguaio é o prédio mais bonito entre as construções históricas vistas nesse dia, mas fica já fora da região central e isolada das outras atrações turísticas.

El Palenque: Perez Castellano, 1579, dentro do Mercado del Puerto – Montevidéu – Uruguai. Tel.: +598 29170190

Teatro Solís: Reconquista esquina com Bartolomé Mitre – Montevidéu – Uruguai. Visitas guiadas: terças e quintas às 16 horas; quartas, sextas e domingos às 11hs, 12hs e 16hs e sábados às 11hs, 12hs, 13hs e 16hs. Às quartas há visitas grátis em espanhol.