O movimento é grande e a promessa é de oferecer as melhores massas de Montevidéu. Desse jeito, não é culpa nossa ter chegado ao Fellini com grandes expectativas. Era noite de sexta e esquecemos de fazer reserva. Não esperamos porque ainda era cedo, mas nos colocaram numa das piores mesas, com toda a movimentação de um ponto de ônibus do outro lado do vidro…
Por volta das 20:30 a casa começou a encher e um violonista passou a animar o ambiente com boa música. Bebíamos uma Zillertal, nossa preferida entre as cervejas uruguaias (110 pesos/R$ 11) enquanto escolhíamos o que pedir. Logo chegaram uns pães acompanhados de um patê bem sem-graça. Começo discreto para um restaurante italiano, locais em que o couvert costuma ser ótimo.

Um dos pratos escolhidos foi o Agnolotti Zuca com molho Pomodoro e Basílico (250 pesos/R$ 25). Estava só razoável, nada além disso.
Do outro pedido, Lasagna de Carne y Hongos, gostamos mais (275 pesos/ R$ 27,50). É bem recheada e servida com um bom molho e muitos cogumelos. De qualquer forma, passa longe de ser uma massa memorável. Bem longe mesmo.

O ponto alto da refeição veio no final, quando chegou à mesa a Muerte por el Chocolat, uma sobremesa com espeto de frutas, sorvete de chocolate, brownie e fondue de chocolate ao leite e amargo. Um deleite para chocólatras como nós. Isso é que dolce vita.

Sugestão do chef: Caso não aguente uma sobremesa inteira, mas ainda assim quiser um docinho, peça um café! Isso mesmo, no Fellini o espresso chega na companhia de raspas de chocolate, chantily, canela e açúcar cristal.

Fellini: Jose Marti, 3408, esquina com Benito Blanco – Pocitos – Montevidéu – Uruguai
Nem sempre a gente consegue escrever logo sobre os locais visitados. Excesso de trabalho, cansaço, preguiça, tudo isso faz com que os posts às vezes se acumulem. Pra resumir a história, um dos lugares que há tempos figura em nossa lista de pendências é o Sinhá.
Nossa relação com o restaurante começou bem antes de irmos até lá. Faz muito tempo que somos leitores do blog Boteco do JB, de autoria do chef Julinho, fundador do Sinhá. No site – se é que alguém não sabe – ele expõe tudo o que pensa sobre o cenário da gastronomia. Combate com acidez nada moderada os vícios da crítica especializada, as afetações gastronômicas, os chefs midiáticos… Nem sempre concordamos com tudo, é óbvio, mas é impossível não perceber nos textos reflexões lúcidas e pra lá de necessárias.
Éramos leitores assíduos do blog do dono do Sinhá, mas ainda não tínhamos frequentado o restaurante. Pra falar a verdade, havia certa dúvida, com ares de desconfiança: conseguiria o chef servir, em seu restaurante, comida digna das avaliações rigorosas feitas sobre o trabalho de outras casas? Só tiramos a prova meses atrás, quando fomos lá pela primeira vez, na companhia de um casal de amigos frequentadores. Em alguns minutos percebemos que sim, é possível. O Sinhá é totalmente fiel à proposta de oferecer comida boa e sem frescura, exatamente como prega o JB.
Tudo é servido em sistema de buffet livre, com a possibilidade de se servir quantas vezes quiser pagando R$ 27,50 de segunda a sábado e R$ 34 aos domingos, preços módicos em uma cidade de gastronomia inflacionada como São Paulo.
Em nosso debute no Sinhá – e também nas outras três vezes em que almoçamos lá – iniciamos a refeição pelo pão de tapioca. Leve, saboroso e ainda melhor na companhia do chutney de tomate. Um começo muito melhor do que diversos couverts com preços exorbitantes servidos por aí em restaurantes à la carte.
Na mesa ao lado ficam as saladas, um dos pontos altos do Sinhá. Há um tempo o JB chegou a divulgar no Twitter o contato do fornecedor de hortifrútis, segundo ele o mais competente encontrado desde que ingressou no segmento. Elogio dos mais justos, posso garantir. Almoço quase todos os dias em restaurantes com sistema de buffet e raramente encontro verduras e legumes tão frescos. Entre as opções, destaque para marinada de legumes, quinua e vagem com gorgonzola.

Antes de chegar com tudo nos pratos quentes, vale uma pausa para petiscar uns chips de abobrinha. Pra mim, é nos detalhes que um restaurante deixa de ser “correto” pra se tornar um local onde quero voltar. E o chips é bom exemplo disso, afinal, nada mais é do que o legume cortado bem fininho, frito e revestido por uma camada de sal. O detalhe aqui é transformar algo simples assim em um petisco sempre crocante e delicioso! Prefiro aos disputados torresmos, outra boa pedida.
Os pratos variam de acordo com o dia da semana e uma dica é consultar o site do Sinhá para conhecer o cardápio. Aos sábados, uma das opções é a ótima feijoada.
A galinhada com mandioquinha também é muito bem feita, assim como o tomate assado com gema de ovo, a banana-da-terra com bacon, o nhoque de mandioquinha, e por aí vai. Em todas as visitas provamos comida deliciosa e esperamos que continue assim. Digo isso porque na semana passada o JB anunciou a venda do Sinhá. Pelo que escreveu, vai dar um tempo, passar por aquele processo que costumam chamar de “não fazer nada”, algo que costuma dar mais certo do que muita coisa que a vida nos força a fazer por obrigação. A boa notícia para os clientes é que a Talitha, nova proprietária, já comanda a cozinha do restaurante. A qualidade, portanto, tem tudo para ser mantida.

Como clientes eventuais, o principal desejo da Débora e meu é que a casa continue com o cuidado habitual na confecção das sobremesas. O Tiramissú de Rapadura (R$ 6), por exemplo, é muito, muito bom. Mas a razão desse comentário é a irresistível mousse de chocolate (R$ 6)! Tenho uma relação antiga com essa sobremesa que quase todo mundo pensa saber fazer. Provo mousse de chocolate por aí desde criança e, hoje, raramente me empolgo com alguma versão do doce, já que a maioria tem gosto de ovo, textura estranha ou – mais comumente – é feita com chocolate ruim. A do Sinhá é absolutamente perfeita. Tanto que, quando estivemos em Paris – viagem sobre a qual postaremos em breve –, provei umas cinco versões da sobremesa clássica. Dava duas colheradas e a Débora já me olhava perguntando: “e aí, melhor do que o do Julinho?”. Encontrei só dois no mesmo nível. Nada além disso.


Sugestão do chef: O ambiente é simples, a comida não tem frescura, a cerveja é servida em copo americano e a refeição não termina com Nespresso, mas com um excelente Fazenda Pessegueiro. Assim é o Sinhá, um restaurante tratado sem a devida deferência pelos guias e publicações especializados, que deixam de informar seus leitores sobre uma das casas onde o dinheiro de quem gosta de sair pra comer é mais valorizado nesta cidade.
Sinhá: Rua Antônio Bicudo, 25, esquina com a Rua dos Pinheiros – Pinheiros – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3083-6849. De segunda a sábado das 11:30hs às 15hs e aos domingos das 12hs às 17hs. Não abre no jantar.
A convite dos proprietários, fomos na semana passada pela primeira vez ao Santa Gula Arte & Gastronomia, restaurante encravado desde 1998 no quarteirão mais movimentado da rua Fidalga, na Vila Madalena. Para ter acesso é preciso percorrer um corredor repleto de bananeiras, belíssimo cartão de visitas. Era noite e, lá dentro, as luzes que predominavam vinham das velas nas mesas, tudo bem agradável e aconchegante.

Pra beber, pedimos suco de frutas vermelhas e a Eisenbahn Pale Ale, uma das opções da carta de cervejas, composta pelas três marcas especiais de propriedade da Schincariol: Baden Baden, Devassa, além da marca de Blumenau.
Gostamos bastante do couvert (R$ 11 por pessoa), composto por pães fresquinhos – entre os quais um pão de queijo bem gostoso –, manteiga com ervas, uma espécie de chutney de tomate e outro molho com um sabor interessante de pimenta rosa, pelo que identificamos.

De entrada, nossa escolha foi a porção de Guioza picante de frango com geléia de ameixa preta. Combinação deliciosa, mas foi pura gulodice, pois os pratos principais são muito bem servidos.
Por falar neles, um dos pedidos foi o Peito de frango em crosta de gergelim recheado com presunto cru e queijo Gruyère ao molho de manjericão. Tudo isso ainda acompanhado de risoto milanês (R$ 39). É um prato saboroso e seria ainda melhor se o frango não estivesse um pouco ressecado, talvez por ter ficado pronto antes do risoto.
Mas o destaque do jantar foi o Sfogliati de brie com molho de tomates frescos (R$ 42). Massa “al dente”, recheio farto e um molho muito bem feito!
Ainda é preciso destacar que o cliente pode alterar o prato e até criar novas combinações, sempre tendo como base os ingredientes que compõem as opções da casa. Essa preciosa dica não consta no cardápio, mas deveria, afinal pouquíssimos restaurantes possibilitam tais intervenções.

Encerramos com um Creme brulée de pistache (R$ 18) bem saboroso e com textura perfeita.
Tão bom quanto a Surpresa de berries (R$ 20), sobremesa servida numa taça com frutas vermelhas cobertas por merengue.

Agradecemos o convite para conhecer o Santa Gula. Tivemos um jantar caprichado que superou positivamente as nossas expectativas, já que boa parte dos restaurantes contemporâneos não apresenta refeições com porções tão generosas. Vai ver esse é um dos motivos que faz o estabelecimento, já lotado, ainda receber novos clientes por volta das dez da noite de uma quinta-feira.
Sugestão do chef: Além de restaurante, o Santa Gula também funciona como antiquário. Isso quer dizer que todos os objetos da decoração e utensílios estão à venda.
Santa Gula: Rua Fidalga, 340 – Vila Madalena – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3812-7815. Horário: das 12hs às 16hs e das 20hs às 00:45hs. Domingo só almoço e segunda só jantar.
E eis que nos juntamos à família Luz para jantar no Tatuapé. Surpreendentemente, naquele sábado à noite as ruas principais do bairro estavam lotadas, fato que nos obrigou a alterar a programação incial duas vezes até encontrarmos um restaurante cuja fila de espera fosse inferior a uma hora e meia. Foi assim que chegamos até a cantina Lo Spaghetto.
A entrada principal dá acesso a um misto de rotisserie e empório que, além de molhos e antepastos, comercializa algumas opções de pratos prontos e, principalmente, massas caseiras de fabricação própria.
Enquanto aguardávamos uma mesa, o garçom logo trouxe os antepastos: pão italiano, bons queijos, frios, sardela e ácidas azeitonas pretas (R$ 25).

A conversa estava tão animada que a espera, estimada em uma hora, nem nos pareceu tão longa. Já na mesa, o vinho tinto chileno Grand Tarapacá Carmenère (R$ 59) acompanhou muito bem as azeitonas verdes, a beringela em conserva e a sardela do couvert (R$ 7 por pessoa).

No cardápio há algumas opções de carnes, frutos do mar e risotos, mas as massas predonimam e a nossa escolha por elas foi unânime (e a aprovação também!).
Mezza Luna de Alcachofra ao molho Vicino (branco, ao sugo e gorgonzola) para o Fernando e Luna Piena de Catupiry e Manjericão ao molho de camarão para mim. Ambas excelentes, com consistência al dente e molhos muito bem executados. A família Luz foi de Fusilli, Fettuccine e Luna Piena de Catupiry e Manjericão. Todas as massas custam R$ 35, independentemente do molho escolhido.




A lista de sobremesas não empolgou muito e todos já foram pedindo o café (R$ 3,20) , mas uma pessoa fissurada por açúcar como eu não podia deixar de provar algum doce.
Escolhi a Panna Cotta (R$ 12) e não me arrependi. Muito leve e de sabor suave, combinou bem com a calda de frutas vermelhas.
E assim, como acontece no final de cada post no Da Cachaça para o Vinho, um brinde ao nosso ótimo jantar e à ótima companhia!

Sugestão do chef: para que mora na região do Tatuapé, o Lo Spaghetto disponibiliza serviço de delivery de terça a sexta das 18h às 23h, aos sábados das 11:30 às 16h e das 18h às 23h e aos domingos e feriados das 11h às 16h.
Lo Spaghetto: Rua Emílio Mallet, 883 – Tatuapé – São Paulo – SP – Tel.: (11) 2942-8674/Delivery (11) 2942 8674
Depois da maratona pelos parques curitibanos, ficamos famintos. Na hora do jantar não pensamos duas vezes e fomos conhecer o bairro da Santa Felicidade, onde se concentra boa parte dos mais visitados restaurantes da cidade. Comida por lá costuma ser sinônimo de fartura e preços razoáveis (não é regra).
Demos uma volta, olhamos o cardápio de alguns lugares e optamos por conhecer o rodízio italiano do Velho Madalosso (R$ 25 por pessoa), restaurante tradicional e bem mais intimista do que a nova unidade instalada na calçada da frente, que, de tão grande, se confunde com um condomínio.

O rodízio começa com salada, “risoto”, maionese e uma excelente porção de tulipa de frango servida com alho frito que ninguém conseguia parar de comer. Tudo é colocado à mesa de uma só vez. Certamente foi a comilança inicial que nos fez esquecer das fotos dos outros pratos.



Logo os garçons começaram a passar nas mesas servindo lasanha na manteiga, nhoque ao sugo e com tomate seco, espaguete ao alho e óleo e ao sugo, conchiglione recheado com quatro queijos e figo, rondelli, fraldinha, tender agridoce e lingüiça.
Um pouco seca, a lasanha na manteiga foi a única massa da qual não gostamos muito. Nenhuma da outras chega a integrar a lista das melhores que já provamos, mas, sem dúvida, estavam bem boas.
Acompanhamento do nosso farto jantar, o vinho chileno Arboleda Carmenère (R$ 79) agradou a todos.

Comemos muito bem e, mesmo satisfeitos, ainda encaramos um Creme de papaia com licor de Cassis (R$ 7,50) e uma Torta de Chocolate meio amargo com sorvete de creme (R$ 9).

O creme de papaia até não se saiu mal, mas as sobremesas não estão entre as melhores pedidas do Velho Madalosso, restaurante que, de uma modo geral, pode ser considerado de ótimo custo/benefício.
Sugestão do chef: o restaurante funciona no almoço e no jantar, mas não abre às segundas-feiras.
Velho Madalosso: Av. Manoel Ribas, 5.852 – Santa Felicidade – Curitiba –Paraná – Tel.: (41) 3273-1014
Na segunda-feira, momentos antes de nosso city-tour por Buenos Aires, fomos até a central da Buquebus e compramos as passagens de barco para Colonia del Sacramento, encantadora cidade do Uruguai tombada pelo patrimônio histórico da Unesco. A opção do buque rápido faz o trajeto em cinquenta minutos e custa 218 pesos por pessoa (ida e volta). O barco, além de grande e confortável, tem um ótimo free shop com boas promoções.


A beleza arquitetônica de Colonia torna o passeio rico mesmo quando o céu nublado e a chuva tentam atrapalhar.




Impossível não admirar as casas, o pier, a vista do rio De la Plata, a praça e as ruínas históricas.








As lojas de artigos em couro e o artesanato garantem aos turistas boas opções de compras. E as dezenas de restaurantes, a maioria especializada em carnes ou massas, aguçam o paladar de qualquer viajante.
Na cidade, praticamente todos os restaurantes disponibilizam o cardápio na entrada. Por isso, demos voltas e mais voltas para olhar diversas opções antes de escolher onde iríamos comer. Afinal, só tínhamos tempo para um almoço por lá… e nessas idas e vindas, nossa ideia inicial de provar o churrasco uruguaio foi abortada ao depararmos com o menu do Mesón de La Plaza.

Ficamos indecisos entre as massas e os pratos à base de cordeiro. Mas concordamos logo em relação à bebida: Clericó (165 pesos uruguaios), sangria feita com vinho branco reserva.

Petiscamos os pães do couvert com manteigas e maionese temperadas enquanto nos decidimos, finalmente, pelas massas.

Eu fui de Sorrentinos de Vino y Cordero (240 pesos uruguaios), com massa à base de vinho branco, recheado de cordeiro e servido com molho pomodoro. Mesmo com recheio farto, a massa estava muito leve e o frescor do tomate e do majericão colaboraram para o sucesso do prato.

O Fernando também se saiu muito bem com a sua escolha. Os Ravioles a la Príncipe de Nápoles estavam excelentes (180 pesos uruguaios). Massa caseira recheada de verdura e molho com creme de leite, champignon, presunto, molho inglês e de tomate. Tudo gratinado com um bom queijo Gruyere.

Depois de pratos ótimos, estávamos certos de que a sobremesa também seria muito boa, afinal, algo que leva o doce de leite daquela região não pode ser ruim, não é mesmo? Felizmente as Panqueques de Dulce de Leche não nos decepcionaram (65 pesos uruguaios).

Vale mencionar que a equivalência em reais do peso uruguaio é (bem) diferente do peso argentino. Nossa conta, incluindo água e o serviço, saiu por 755 pesos uruguaios, algo em torno de 151 pesos argentinos ou perto de 76 reais na época.
Com este post, encerramos nossos relatos da viagem por Buenos Aires, San Isidro, Tigre e Colônia del Sacramenro. A partir dos próximos dias, postaremos visitas a bares, restaurantes e afins em Santa Catarina e Paraná, estados por onde passamos nos últimos meses, além, é claro de São Paulo.
Sugestão do chef: no centro histórico de Colonia del Sacramento há uma loja da marca Punta Ballena, fabricante dos alfajores uruguaios bastante conhecidos no Brasil.

Mesón de La Plaza: Vasconcellos, 153 – Colonia del Sacramento – Uruguai – Tel.: (598) 52 24807.
Nossa ida para Buenos Aires foi um pouco corrida. Saímos direto da festa do casamento e desembarcamos em terras argentinas na madrugada de domingo, dia em que acordamos cedo para passear bastante pela feira de San Telmo. A soma do cansaço acumulado dos meses anteriores com as poucas horas de sono naquela noite, inacreditavelmente, resultou em quase nenhuma fome. Por isso, naquele dia almoçamos apenas umas empanadas.
Porém, conforme caminhávamos pelas ruas do bairro, éramos atraídos por cafeterias e restaurantes simpáticos. E diante dessas opções, só nos restou separar uma data da viagem para um almoço por lá, o que ocorreu em um dia frio e chuvoso.
Pra combinar com a temperatura mais amena, decidimos ir a um restaurante italiano que vimos na Plaza Dorrego. Fica num ponto movimentado mas meio escondido, com uma escadaria entre a rua e o salão principal. Por essa razão, mantém um funcionário disposto a mostrar o cardápio a quem passa por perto. Normalmente fugimos de estabelecimentos que buscam por clientes na calçada, mas a curiosidade nos encorajou a romper o preconceito e espiar o cardápio do Amici Miei, cujas principais opções são combinações interessantes de massas e risotos. Nos empolgamos e resolvemos entrar.
A berinjela curtida no vinho e os pães fresquinhos do couvert foram uma amostra do que estava por vir. Pena que, outra vez, não acertamos na escolha do vinho. O Lurton Malbec (45 pesos) nos pareceu bem jovem, de aroma e sabor pouco encorpados, porém com forte presença de álcool. Mas tudo bem, pois ele ficou em segundo plano quando chegaram os pratos.
O Cappellotti di Fonduta al Tartufo Nero (capeletti de queijo Fontina e trufas negras ao molho escuro de carne com parmesão – 48 pesos) mesclava a delicadeza da textura da massa com o sabor marcante e equilibrado do molho. Uma delícia!
Entretanto, para a nossa surpresa, foi o Tortelli di Erbette Burro Fuso e Parmigiano (Tortelli de ricota e espinafre fresco com manteiga derretida e parmesão – 34 pesos) o grande destaque do almoço. Com recheio farto e bem temperado, o prato é daqueles pra se comer devagar, na tentativa de demorar ao máximo para chegar ao fim.

E aí está a prova de que, muitas vezes, são os lugares mais improváveis que nos revelam as melhores surpresas.
Depois de um almoço tão saboroso, achamos melhor garantir uma sobremesa compatível. No caminho até o restaurante vimos uma unidade da sorveteria Freddo, cujos sorvetes já havíamos provado (e aprovado). E lá fomos nós repetir a dose, mas a história desse relato fica para outro post.
Sugestão do chef: além das boas opções de pratos principais, o Amici Miei serve pizzas individuais também durante o dia.
Amici Miei Ristorante: Plaza Dorrego – Defensa 1072 – San Telmo – Buenos Ares – Argentina. Tel.: (54 11) 4362-5562
O local escolhido para o jantar naquela noite fria em Campos do Jordão não poderia ter nome mais sugestivo: Festival Della Pasta.

Comandado por um chef italiano, o restaurante tem como principal atração uma degustação de sete receitas de diferentes regiões da Itália, a R$ 38,90 por pessoa. Elas são servidas em porções reduzidas e o cardápio muda a cada dia.
Sabíamos que o jantar seria farto, mas nem por isso recusamos o couvert (R$ 7,90) com berinjela e azeitona, cenoura, tomate seco e um pão caseiro que desmancha na boca.
O festival começou com nhoque de tomate fresco e rúcula, uma receita bem leve, originária da região de Marche.
Em seguida fomos servidos de lasanha de couve-flor e bacalhau, típica de Moglise, no sul da Itália. Essa não empolgou.
Para compensar, um delicioso Strozzapreti com ossobuco. Essa massa parecida com o fusilli, pelo que soubemos, é originária da região de Lazio. Foi a preferida da Débora.
Um intervalo nas massas para provar o bom risoto de alho poró e provolone, trazido do Vêneto.
Já estávamos quase satisfeitos quando chegou à mesa o Casoncelli. Prato mais exótico da noite, consiste em uma saborosa massa de batata e beterraba com canela. Nasceu no Piemonte e nos surpreendeu pela aparência e sabor diferentes de quase tudo o que conhecíamos da culinária italiana.
Na seqüência fomos servidos de uma excelente berinjela recheada de fetuccine e molho rosé, receita da Lombardia.
Já tínhamos perdido a conta de quantos pratos havíamos provado quando foi anunciado o último deles. Direto da Calábria, o Farfalle com molho de nozes foi, na minha opinião, o melhor da noite. E olha que a concorrência era forte!

Sugestão do chef: é possível levar para preparar em casa algumas massas produzidas artesanalmente no restaurante. Estão disponíveis ravióli, fettuccine, strozzapreti, nhoque e lasanha.
Festival Della Pasta: Rua José Manoel Gonçalves, 160 (Vila di Siena) – Vila Capivari – Campos do Jordão – SP – Tel.: (12) 3663-7300
Bem pertinho de casa tem um restaurante muito simpático que se destaca por ser um dos pouquíssimos estabelecimentos gastronômicos da região.
Quase todos os dias eu passo por ele na volta do trabalho e observo que as mesas externas estão sempre ocupadas. Prometo – para mim mesma – que preciso conhecê-lo.
Anos se passaram e nada da tal promessa ser cumprida. Até que um dia eu leio no jornal do bairro a entrevista do chef e proprietário do Brasiliani Bar e Forneria. Quando vejo o endereço me dou conta que o Brasiliani é aquele “lugar bonitinho” que eu quero conhecer há tanto tempo. O texto dizia que as massas eram o destaque da casa, todas artesanais e preparadas com ingredientes de primeira. Pronto, isso já era motivo suficiente para cumprir a promessa e finalmente visitar o restaurante-vizinho. E na primeira oportunidade lá estava eu junto do Fernando.
Quando chegamos, o restaurante estava lotado porque um grupo de ex-alunos de um colégio da região organizou um reencontro depois de 20 e tantos anos. Mas logo um garçom veio ao nosso encontro dizendo que tinha um espaço no mezanino que cabia uma mesa para duas pessoas.
Topamos e não nos arrependemos. Mesmo com a casa bem cheia, o serviço foi ágil e eficiente.
O cardápio é variado. Vai dos petiscos e sanduíches até carnes, aves, peixes, massas e algumas pizzas.
Para aquecer, pedimos três antipastos excelentes (R$ 13,90): melanzana (berinjela curtida no vinagre e azeite), olivetta (azeitonas pretas, alcaparra e azeite) e a sardella (pimentão, tomate e aliche).
Enquanto saboreávamos tudo isso, olhamos novamente o cardápio com muita calma, já que as opções nos pareceram ótimas.
O Fernando escolheu a Mezzaluna de queijo gruyère e damasco ao pesto de rúcula com castanha-do-pará (R$ 17,90). O equilíbrio entre doce e salgado e a leveza da massa agradou o paladar do garoto.
Eu optei por experimentar o Panzerotti, um crepe recheado com queijo emmenthal e copa, coberto com molho ao sugo e gratinado com mussarela de búfala (R$ 18,90). Chegou à mesa com o molho ainda borbulhando. Um es-pe-tá-cu-lo!
Saímos de lá contentes por saber que tão perto de casa, em um bairro cuja agitação noturna não existe, encontramos um restaurante simples que serve pratos acima da média.
Sugestão do chef: apesar da pouca divulgação, os clientes podem levar para casa os antipastos, molhos e massas. O Brasiliani também aceita encomendas.
Brasiliani Bar e Forneria: Rua Marco Aurelio, 102 – Vila Romana/Lapa – São Paulo – Tel.: 3875-3915
Nossa fome estava grande e por isso o jantar precisava ser bem servido. Decidimos comer em um restaurante que já conhecíamos, onde há uns anos experimentamos uma picanha no espeto que vinha com vários acompanhamentos.
Enquanto caminhávamos rumo a esse local passamos na frente da Cantina San Marco. Não resistimos à foto da lasanha gratinada que vimos num banner logo na entrada. Parecia saborosa e suficiente para nos satisfazer. Deixamos a picanha para outro dia e resolvemos provar a massa.
Como em quase todos restaurantes de Serra Negra, a decoração é simples e informal, igual ao serviço. Boa parte de quem atende os clientes – garçons ou proprietários –, é gente animada e divertida. Passam por todas as mesas perguntando se a comida está boa e depois dão um jeitinho de puxar papo. Dá pra conseguir ótimas dicas turísticas com eles.
No cardápio, pizzas, massas e molhos caseiros aguçavam ainda mais nossa fome. E a decisão foi mesmo pela lasanha gratinada na versão verde, com recheio de quatro queijos e molho à bolonhesa (R$ 22 individual e R$ 38 para duas pessoas).
A foto não saiu muito boa, mas nós garantimos que ela entrou para a lista das nossas lasanhas inesquecíveis. Sem exageros. A massa era leve e o recheio muito cremoso. E o fato de ter sido gratinada no forno à lenha fez toda diferença em relação ao sabor e à textura.
Depois de uma refeição tão simples e reconfortante, com gosto de comida da vovó, dispensamos a sobremesa só para beliscar o que tinha sobrado do pão caseiro servido enquanto esperávamos o prato. Ele chegou fresquíssimo à mesa – foi preparado poucas horas antes e estava tão saboroso que não seria justo desperdiçar nenhum pedacinho.
E nada melhor que terminar a noite com uma caminhada pelo centro da cidade, sem perceber o passar das horas e, principalmente, sem a mínima necessidade de olhar para todos os cantos nas ruas escuras ou de menos movimento.
Sugestão do chef: para garantir o frescor e a qualidade da comida, os pratos são preparados na hora e demoram entre 30 a 40 minutos, dependendo do pedido. Enquanto isso, aproveite para tomar a caipirinha de saquê (R$ 8). O copo não é tão grande, mas ela é feita com capricho.
Cantina San Marco: Av. Gov. Laudo Natel, 32 – Serra negra – SP
Tel: (19) 3892-2844
Quando chegamos à cantina Vico d´O Scugnizzo, cujo nome significa beco do moleque de rua, fomos surpreendidos pela decoração que tem como proposta reproduzir um cortiço napolitano.
O ambiente é simples, até um pouco nostálgico, porém encantador. Impossível não se sentir na Itália da década de 1940.
As roupas penduradas na janela, as luzes das velas e o corredor estreito da rústica viela com chão de paralelepípedo (que por sinal tive de atravessar sobre salto agulha) são os grandes responsáveis pelo autêntico clima do lugar.
O salão é pequeno e as mesas ficam bem próximas.

Nas noites de sábado os clássicos do repertório italiano embalam o jantar ao som de um piano antigo. Dá para notar que algumas mesas cantarolam uma ou outra canção mais conhecida. E para nossa sorte havia uma grande família italiana presente, aliás, o que é comum. Um de seus familiares pegou o microfone e cantou com bastante entusiasmo. O restaurante foi ao delírio! Aplausos, risos, alegria… o clima era de festa e por um instante parecia que todos ali se conheciam.
Bom, como fomos lá para jantar vamos ao que, de fato, interessa. A comida.
O couvert, tipicamente italiano, traz pão, manteiga, sardela, berinjela em conserva e azeitonas temperadas. Apenas uma amostra do que estava por vir.
No cardápio a maior parte dos pratos se resume em massas simples e tradicionais, tudo inspirado em Nápoli. Optamos pelo caneloni de ricota e o ravioli ao forno gratinado com muzzarela, ambos R$ 27,50.
A comida é boa, nada muito diferente das outras cantinas.
Também experimentamos o vinho da casa (R$ 4,20) servido em taça. E estava muito bom.
Mas foi a sobremesa o ponto alto da noite. Semi Fredo Parigi (R$ 6,50), doce feito com sorvete de chocolate, pão de ló molhadinho e bastante cacau em pó. Delicioso!
E para resumir só nos resta dizer que a noite foi ótima, pela comida e pelo clima mágico do restaurante.
Sugestão do chef: é bom estar preparado para encarar a fila de espera, pois a casa é concorrida e não possui muitas mesas. Sem contar que o atendimento é um pouco lento. Mas nada disso é motivo para atrapalhar a diversão.
Vico d´o Scugnizzo: Rua Artur de Azevedo, 773 – Pinheiros
Tel.: 3085-6912 – site: http://www.cantinavico.com.br/