Quando recebemos convite da assessoria de imprensa para conhecer o Canvas, logo pensamos, com um certo preconceito: “é um restaurante de hotel”. Claro que não é uma regra, mas, pra nós, restaurantes de hotel costumam ter uma atmosfera fria, sem alma. Ao chegarmos no 1º andar do Hilton São Paulo Morumbi, percebemos que seria diferente.
Com projeto arquitetônico do argentino Daniel Piana, o ambiente do Canvas não tem nada de sisudo, pelo contrário, é muito agradável! Piso vazado na área superior e belos quadros distribuídos pelo salão (à venda, inclusive) dão um certo clima de galeria de arte. E é essa a temática transferida para um menu artístico inspirado no pintor francês Henri Matisse, servido no jantar de segunda a sexta. Por R$ 75, dá direito a entrada, prato principal e sobremesa, tudo preparado sob o comando do talentoso chef ítalo-holandês Jan Erik Fois, que atuou em conceituados restaurantes de Londres antes de iniciar, há 10 anos, sua carreira no Hilton, primeiro em unidades da Austrália.

Ainda olhávamos o cardápio promocional quando chegou à mesa o couvert (R$ 12). Trata-se de uma ótima seleção de pães artesanais, manteiga caseira e tartar de salmão, de filet mignon e de tomate.
Como gostamos de tudo do cardápio promocional, implantamos novamente a consagrada técnica de escolher uma opção para cada um de nós, já que o menu artístico oferece duas alternativas de escolha para cada etapa de refeição.
A entrada escolhida pela Débora foi o Carpaccio de Peixe Prego com frutas. É um prato bem leve e muito saboroso.
Eu fui na opção mais consistente: Terrine de Costela de Boi. Gosto de costela, mas não como tão frequentemente por considerar um prato muito gorduroso. Essa apresentação em forma de terrine, porém, é a medida perfeita para saborear aquela carne muito bem temperada desmanchando na boca.

Na sequência, a Débora foi servida de Namorado à Provençal. Novamente gostou bastante, e elogiou os legumes do acompanhamento, sobretudo o tomate confitado.
Para mim, mais um prato com carne: Ossobuco com Risoto. Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que adoro comida italiana, por isso não desperdicei a oportunidade de provar esses dois clássicos em uma mesmo prato. Gostei demais da combinação!
Como cortesia do chef, experimentamos também outra de suas criações: o Ravioli de Rabada, que não faz parte do menu artístico mas integra o cardápio regular. Sem medo de errar, podemos dizer que foi uma das massas mais gostosas que provamos nos últimos anos.

E por falar em cardápio principal, o design dele foi feito por um colaborador do Canvas. E mais legal que isso é saber que ele também é um jogo super bacana!

De volta ao menu que homenageia Matisse, chegava a hora da sobremesa. Fiquei com a Delícia de Chocolate, uma espécie de torta mousse com ótima textura, servida com calda e um figo in natura.
Já a Débora escolheu Mini Bolo de Abacaxi com sorvete de coco e finalizou sua refeição com um gostinho de festa de aniversário.
Para quem não dispensa um bom vinho, o Canvas conta com uma boa carta de rótulos que permanecem acondicionados na lindíssima adega climatizada. Mas o que chamou nossa atenção foi a ampla variedade de drinks, com destaque para as combinações entre espumante e frutas e de vodca Ciroc (aquela feita à base de uvas) com uma série de ingredientes.
Provamos uma mistura de espumante com purê de maçã-verde (R$ 30), e também um drink mais forte, o Sand Dunes (R$ 42), que combina vodka Ciroc, geleia de pimenta e cherry brand.
Saímos com uma impressão bastante positiva também do atendimento prestado pela equipe do Canvas. Isso não apenas na nossas mesa – já que éramos convidados – mas pelo que percebemos em todo o salão, bastante movimentado naquela noite de segunda-feira. Boa parte do público do hotel é formada por estrangeiros que visitam São Paulo a negócios, e o atendimento em inglês, por parte dos garçons, funciona muito bem.
Na saída, inspirada pela noite dedicada às artes (plásticas e gastronômicas), a Débora ainda brincou um pouco com a tinta guache na tela de pintura, disponível para os clientes desenharem ou deixarem recados.

Sugestão do chef: O Canvas participa, no jantar, da edição 2012 da SP Restaurant Week, de 5/3 a 18/3. O cardápio (R$ 43,90) é diferente, com exceção das sobremesas.
Canvas Bar & Restaurante: Hotel Hilton São Paulo Morumbi – Avenida das Nações Unidas, 12.901 (Centro Empresarial Nações Unidas) – Brooklin Novo – São Paulo – SP – Tel.: (11) 2845-0055
A segunda manhã no Rio de Janeiro começou na Estação do Cosme Velho, ponto de partida do Trem do Corcovado, cujo destino é o topo do morro onde fica o monumento do Cristo Redentor.

Chegamos à bilheteria por volta das 9:30hs, porém o próximo ingresso disponível era para embarque apenas às 11:30. Aproveitamos o intervalo e caminhamos alguns quarteirões para visitar os casarões em estilo neocolonial do pitoresco Largo do Boticário.
Algumas casas do largo estão abandonadas e foram tomadas por sem-tetos. Outras ficam em uma parte fechada e mais reservada, sendo que em uma delas funciona um hotel boutique.

De volta à Estação do Cosme Velho, embarcamos no trem. O percurso pela centenária Estrada de Ferro do Corcovado dura em torno de 20 minutos. Pela janela, os passageiros apreciam a vegetação da mata atlântica do Parque Nacional da Tijuca. Se você for um turista de sorte, pode ser que um grupo de sambistas anime o seu vagão!
No final do trajeto estávamos aos pés do Redentor. Ver a estátua do Cristo tão de perto foi emocionante! E a vista lá do alto é incrível, sem dúvida a mais linda que já contemplamos até hoje. Tudo foi perfeito e inesquecível, mesmo com o calor de quarenta graus e com a multidão de turistas.

Nossa programação para o almoço era explorar o boêmio bairro de Santa Teresa e encontrar um lugar bacana por lá. Pena que pelo fato do passeio no Cristo ter atrasado muito, não sobrou tempo para andar com calma, pois participaríamos de um evento no final da tarde.

Escolhemos o Santa Arte, restaurante de comida brasileira com cardápio enxuto. Não foi o nosso preferido, mas era o único sem fila de espera.
O Fernando pediu Filé de Peixe ao Camarão com arroz de Alho Poró (R$ 29). A comida estava saborosa, mas achamos a porção pequena, com mais arroz que peixe.
Eu fui de Moqueca de Filé de Peixe com Camarão (R$ 29). O peixe estava praticamente idêntico ao pedido pelo Fernando, ganhando apenas um pouco de caldo e o acompanhamento de pirão. Estava bom, mas longe de ser uma moqueca de verdade.

Pertinho do Santa Arte encontramos um café super simpático, dentro de um casarão. É o Cafecito, onde entramos para provar o sorvete da marca carioca Sorvete Brasil. Aprovamos com louvor os dois sabores que escolhemos: figo com nozes e tangerina (2 bolas R$ 10,50).

Nos despedimos de Santa Teresa com a promessa de voltar em breve sem ter hora para ir embora.
Trem do Corcovado: Rua Cosme Velho, 513 – Cosme Velho – Rio de Janeiro – RJ – Tel: (21) 2558-1329. Horário de funcionamento: Segunda a Domingo, das 8:30h às 19:00h, saídas a cada meia hora. Ingressos: R$ 43 para adulto e R$ 21 para crianças entre 6 e 12 anos. É possível comprar o ingresso pela internet.
Restaurante Santa Arte: Rua Paschoal Carlos Magno, 103 – B – Santa Teresa – Rio de Janeiro – RJ – Tel: (21) 2242-9366
Cafecito: Rua Paschoal Carlos Magno, 121 – Santa Teresa – Rio de Janeiro – RJ – Tel: (21) 2221-9439. Horario de funcionamento: Domingo a quinta: 10h às 20h. Sextas e Sábados: 10h às 23h. Fecha quarta-feira
A chance de provar, em plena capital paulista, uma refeição típica da região da Serra Gaúcha é motivo mais do que suficiente para ir ao Gallo i Vino. Principalmente porque os dois endereços do restaurante são garantia de comida farta e deliciosa, além de ótimo atendimento.
Por um valor fixo, que varia de R$ 23,90 no almoço de segunda a sexta a R$ 44,90 aos fins de semana, chegam à mesa três etapas de iguarias simples e muito bem feitas. Tudo começa com pão caseiro, salada de folhas, berinjela e uma dupla que merece atenção especial: tulipas de frango crocantes e tiras de polenta frita.
Antes de terminar a diversão inicial, os garçons já tratam de deixar à mesa um trio de massas com jeitão caseiro. Duas delas costumam variar, mas, por sorte, a melhor está sempre no cardápio. Trata-se do excelente torteli de abóbora. Sempre que vamos lá acabamos repetindo!
Mas nada de ficar satisfeito pois tem ainda maionese, radicci com bacon, deliciosas almofadinhas de queijo, costelinha de porco (dispensável) e, claro, a estrela principal do cardápio: o galeto, que chega à mesa sempre divinamente temperado.

Comida simples, ótima e na quantidade que você desejar, já que todos os pratos servidos podem ser repetidos.
A unidade da avenida Paulista é de fácil acesso, mas o ambiente mais bacana fica no Itaim. A parede repleta de garrafas de vinho dá um charme especial ao local.
Sugestão do chef: A mesa é farta, mas não deixe de reservar espaço para os doces, pois a casa conta ainda com um bom cardápio de sobremesas. Típica do Rio Grande do Sul, a cuca é bem saborosa e chega na companhia de doce de leite. Pena que há um tempo deixou de ser servida com sorvete de queijo – agora o gelado é de creme. No melhor estilo “homemade”, o sagu com vinho e creme de baunilha é sensacional.
Gallo i Vino: Rua João Cachoeira, 278 – Itaim Bibi – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3078-6268 e Shopping Center 3: Av. Paulista, 2064 – Tel: (11) 3251-1349
Nem sempre a gente consegue escrever logo sobre os locais visitados. Excesso de trabalho, cansaço, preguiça, tudo isso faz com que os posts às vezes se acumulem. Pra resumir a história, um dos lugares que há tempos figura em nossa lista de pendências é o Sinhá.
Nossa relação com o restaurante começou bem antes de irmos até lá. Faz muito tempo que somos leitores do blog Boteco do JB, de autoria do chef Julinho, fundador do Sinhá. No site – se é que alguém não sabe – ele expõe tudo o que pensa sobre o cenário da gastronomia. Combate com acidez nada moderada os vícios da crítica especializada, as afetações gastronômicas, os chefs midiáticos… Nem sempre concordamos com tudo, é óbvio, mas é impossível não perceber nos textos reflexões lúcidas e pra lá de necessárias.
Éramos leitores assíduos do blog do dono do Sinhá, mas ainda não tínhamos frequentado o restaurante. Pra falar a verdade, havia certa dúvida, com ares de desconfiança: conseguiria o chef servir, em seu restaurante, comida digna das avaliações rigorosas feitas sobre o trabalho de outras casas? Só tiramos a prova meses atrás, quando fomos lá pela primeira vez, na companhia de um casal de amigos frequentadores. Em alguns minutos percebemos que sim, é possível. O Sinhá é totalmente fiel à proposta de oferecer comida boa e sem frescura, exatamente como prega o JB.
Tudo é servido em sistema de buffet livre, com a possibilidade de se servir quantas vezes quiser pagando R$ 27,50 de segunda a sábado e R$ 34 aos domingos, preços módicos em uma cidade de gastronomia inflacionada como São Paulo.
Em nosso debute no Sinhá – e também nas outras três vezes em que almoçamos lá – iniciamos a refeição pelo pão de tapioca. Leve, saboroso e ainda melhor na companhia do chutney de tomate. Um começo muito melhor do que diversos couverts com preços exorbitantes servidos por aí em restaurantes à la carte.
Na mesa ao lado ficam as saladas, um dos pontos altos do Sinhá. Há um tempo o JB chegou a divulgar no Twitter o contato do fornecedor de hortifrútis, segundo ele o mais competente encontrado desde que ingressou no segmento. Elogio dos mais justos, posso garantir. Almoço quase todos os dias em restaurantes com sistema de buffet e raramente encontro verduras e legumes tão frescos. Entre as opções, destaque para marinada de legumes, quinua e vagem com gorgonzola.

Antes de chegar com tudo nos pratos quentes, vale uma pausa para petiscar uns chips de abobrinha. Pra mim, é nos detalhes que um restaurante deixa de ser “correto” pra se tornar um local onde quero voltar. E o chips é bom exemplo disso, afinal, nada mais é do que o legume cortado bem fininho, frito e revestido por uma camada de sal. O detalhe aqui é transformar algo simples assim em um petisco sempre crocante e delicioso! Prefiro aos disputados torresmos, outra boa pedida.
Os pratos variam de acordo com o dia da semana e uma dica é consultar o site do Sinhá para conhecer o cardápio. Aos sábados, uma das opções é a ótima feijoada.
A galinhada com mandioquinha também é muito bem feita, assim como o tomate assado com gema de ovo, a banana-da-terra com bacon, o nhoque de mandioquinha, e por aí vai. Em todas as visitas provamos comida deliciosa e esperamos que continue assim. Digo isso porque na semana passada o JB anunciou a venda do Sinhá. Pelo que escreveu, vai dar um tempo, passar por aquele processo que costumam chamar de “não fazer nada”, algo que costuma dar mais certo do que muita coisa que a vida nos força a fazer por obrigação. A boa notícia para os clientes é que a Talitha, nova proprietária, já comanda a cozinha do restaurante. A qualidade, portanto, tem tudo para ser mantida.

Como clientes eventuais, o principal desejo da Débora e meu é que a casa continue com o cuidado habitual na confecção das sobremesas. O Tiramissú de Rapadura (R$ 6), por exemplo, é muito, muito bom. Mas a razão desse comentário é a irresistível mousse de chocolate (R$ 6)! Tenho uma relação antiga com essa sobremesa que quase todo mundo pensa saber fazer. Provo mousse de chocolate por aí desde criança e, hoje, raramente me empolgo com alguma versão do doce, já que a maioria tem gosto de ovo, textura estranha ou – mais comumente – é feita com chocolate ruim. A do Sinhá é absolutamente perfeita. Tanto que, quando estivemos em Paris – viagem sobre a qual postaremos em breve –, provei umas cinco versões da sobremesa clássica. Dava duas colheradas e a Débora já me olhava perguntando: “e aí, melhor do que o do Julinho?”. Encontrei só dois no mesmo nível. Nada além disso.


Sugestão do chef: O ambiente é simples, a comida não tem frescura, a cerveja é servida em copo americano e a refeição não termina com Nespresso, mas com um excelente Fazenda Pessegueiro. Assim é o Sinhá, um restaurante tratado sem a devida deferência pelos guias e publicações especializados, que deixam de informar seus leitores sobre uma das casas onde o dinheiro de quem gosta de sair pra comer é mais valorizado nesta cidade.
Sinhá: Rua Antônio Bicudo, 25, esquina com a Rua dos Pinheiros – Pinheiros – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3083-6849. De segunda a sábado das 11:30hs às 15hs e aos domingos das 12hs às 17hs. Não abre no jantar.
A convite dos proprietários, fomos na semana passada pela primeira vez ao Santa Gula Arte & Gastronomia, restaurante encravado desde 1998 no quarteirão mais movimentado da rua Fidalga, na Vila Madalena. Para ter acesso é preciso percorrer um corredor repleto de bananeiras, belíssimo cartão de visitas. Era noite e, lá dentro, as luzes que predominavam vinham das velas nas mesas, tudo bem agradável e aconchegante.

Pra beber, pedimos suco de frutas vermelhas e a Eisenbahn Pale Ale, uma das opções da carta de cervejas, composta pelas três marcas especiais de propriedade da Schincariol: Baden Baden, Devassa, além da marca de Blumenau.
Gostamos bastante do couvert (R$ 11 por pessoa), composto por pães fresquinhos – entre os quais um pão de queijo bem gostoso –, manteiga com ervas, uma espécie de chutney de tomate e outro molho com um sabor interessante de pimenta rosa, pelo que identificamos.

De entrada, nossa escolha foi a porção de Guioza picante de frango com geléia de ameixa preta. Combinação deliciosa, mas foi pura gulodice, pois os pratos principais são muito bem servidos.
Por falar neles, um dos pedidos foi o Peito de frango em crosta de gergelim recheado com presunto cru e queijo Gruyère ao molho de manjericão. Tudo isso ainda acompanhado de risoto milanês (R$ 39). É um prato saboroso e seria ainda melhor se o frango não estivesse um pouco ressecado, talvez por ter ficado pronto antes do risoto.
Mas o destaque do jantar foi o Sfogliati de brie com molho de tomates frescos (R$ 42). Massa “al dente”, recheio farto e um molho muito bem feito!
Ainda é preciso destacar que o cliente pode alterar o prato e até criar novas combinações, sempre tendo como base os ingredientes que compõem as opções da casa. Essa preciosa dica não consta no cardápio, mas deveria, afinal pouquíssimos restaurantes possibilitam tais intervenções.

Encerramos com um Creme brulée de pistache (R$ 18) bem saboroso e com textura perfeita.
Tão bom quanto a Surpresa de berries (R$ 20), sobremesa servida numa taça com frutas vermelhas cobertas por merengue.

Agradecemos o convite para conhecer o Santa Gula. Tivemos um jantar caprichado que superou positivamente as nossas expectativas, já que boa parte dos restaurantes contemporâneos não apresenta refeições com porções tão generosas. Vai ver esse é um dos motivos que faz o estabelecimento, já lotado, ainda receber novos clientes por volta das dez da noite de uma quinta-feira.
Sugestão do chef: Além de restaurante, o Santa Gula também funciona como antiquário. Isso quer dizer que todos os objetos da decoração e utensílios estão à venda.
Santa Gula: Rua Fidalga, 340 – Vila Madalena – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3812-7815. Horário: das 12hs às 16hs e das 20hs às 00:45hs. Domingo só almoço e segunda só jantar.
O verão em terras paulistanas ainda não engrenou. A semana passada foi marcada por fortes chuvas e dias nublados, mas quem mora nessa cidade sabe que, cedo ou tarde, as altas temperaturas irão aparecer.
Uma ótima opção para espantar o calor quando os dias quentes chegarem é a Frutos do Cerrado.
A sorveteria foi fundada há 15 anos no estado de Goiás. Recentemente chegou a São Paulo e já conta com seis lojas na capital e outras treze espalhadas pelo litoral e interior.
Muitos dos 56 sabores de picolés e dos 34 cremosos são feitos com frutas típicas dos seis biomas brasileiros: Cerrado, Amazônia, Mata Atlântica, Pampas, Caatinga e Pantanal. Melhor que isso é saber que todos eles são isentos de gordura trans.
Diante de tantas delícias exóticas, definir qual experimentar não é fácil. E para não nos limitarmos a um único sabor, abrimos mão dos picolés e dos potes individuais e ficamos com a opção de pagar de acordo com o peso consumido (R$ 29,90 o quilo).
Provamos sorvetes de açaí, mangaba, gengibre, tamarindo, cupuaçu e cajá. Eles não são tão cremosos, mas o sabor é muito bom, com o gosto das frutas sempre bem pronunciado.
Além de oferecer uma trégua no calor, a Frutos do Cerrado nos permite conhecer melhor os sabores e aromas de outras regiões do Brasil, algo não tão comum nas sorveterias aqui de São Paulo.
Sugestão do chef: a variedade de sorvetes é grande, principalmente dos picolés. Vale a pena carregar uma bolsa térmica e levar alguns pra casa.
Frutos do cerrado: Rua dos Pinheiros, 320 – Pinheiros – São Paulo – SP – Tel.: (11) 30361-0241. Mais cinco endereços na capital.
Finalmente provamos os gelados da Mil Frutas, sorveteria tradicional no Rio de Janeiro e com duas unidades em São Paulo. Toda a produção é livre de gordura trans, corantes e conservantes. O resultado é um sorvete muito saboroso e que preserva o sabor das frutas, o que acontece, por exemplo, na versão azedinha de pitanga.
A combinação de chocolate branco com framboesa também é das mais interessantes, mas não supera a deliciosa mistura de nozes com ovos moles, incomum aqui na capital paulista.
Como chocolate não pode faltar, provamos também a variedade elaborada com a versão amarga. Vale conhecer, mas há pedidos melhores a fazer – as opções são muitas e nem todas ficam disponíveis todos os dias.
Ponto fraco é o modo escolhido para apresentar os sorvetes. Ou melhor, para escondê-los! Todos ficam em potes brancos fechados, o que força as atendentes a revirar a geladeira atrás do sabor desejado pelo cliente. Experiência de compra, zero!
Uma bola sai por R$ 8, enquanto para degustar dois sabores são precisos R$ 14. Não é coincidência, portanto, o fato de a Mil Frutas ter escolhido por aqui os shoppings Cidade Jardim e Iguatemi.
Sugestão do chef: No Rio de Janeiro, a sorveteria oferece serviço de entrega. Basta encomendar previamente e receber em até 24 horas durante a semana e 48 horas nos finais de semana.
Mil Frutas: Em São Paulo, nos shopping Iguatemi e Cidade Jardim. No Rio de Janeiro, são cinco lojas na capital, além de unidades em Búzios e Angra dos Reis.
Nosso último dia em Curitiba foi curto. A melhor opção para aproveitar ao máximo o tempo era caminhar pelos arredores do hotel. Resolvemos passear novamente no centro histórico e, como não era dia da feira de artesanato, conseguimos observar a beleza das construções e perceber como tudo está bem conservado por lá.


Andávamos pela região do Largo da Ordem quando vimos um restaurante que chamou a nossa atenção por servir comida típica paranaense. Ainda era cedo, mas esperamos um pouco e fomos os primeiros clientes.
O Restaurante Estrela da Terra fica em um lindo casarão de 1919 tombado pelo Patrimônio Histórico.
Durante a semana o local funciona como self-service por quilo, servindo poucas opções de pratos triviais. Também é possível pedir algo tradicional à la carte, em porções para duas pessoas. O destaque fica para o bufê servido aos finais de semana e feriados. O preço é de R$ 29,90 por pessoa e dá direito a salada, pratos quentes e sobremesas.
Nos esbaldamos provando risoto de cordeiro com pinhão, creme de moranga com carne seca e catupiry, carne ao molho de cerveja com pinhão, frango ensopado, purê de mandioca, quirera (angu de milho) e, claro, um excelente barreado, cheio de condimentos e com a carne desmanchando.
Depois de tantas delícias, ainda encaramos as sobremesas: sagu ao vinho, pudim de leite condensado, doce de maracujá, de leite, de mamão e de banana.
Ainda bem que depois do almoço conseguimos queimar algumas calorias ingeridas fazendo uma boa caminhada. Fomos até o Bosque do Papa, onde está instalado o Memorial da Imigração Polonesa, uma espécie de museu aberto que retrata o modo de vida dos primeiros imigrantes vindos da Polônia para Curitiba.
As casas construídas com troncos de pinheiro são encantadoras. Uma delas abriga uma loja que vende artesanato e produtos típicos. O bosque foi inaugurado depois que o papa João Paulo II visitou a cidade.
Foi nesse belo cenário que nos despedimos da arborizada Curitiba. No rápido vôo de volta, tivemos tempo apenas para começar a programar nossa próxima viagem.
Sugestão de chef: durante o mês de junho o restaurante Estrela da Terra promove o festival do pinhão. Boa oportunidade para experimentar pratos feitos com esse ingrediente regional fresquinho. Em outras épocas é utilizado pinhão congelado.
Restaurante Estrela da Terra: Av. Jaime Reis, 176 (Largo da Ordem) – São Francisco – Curitiba – PR – Tel.: (41) 3222-5007 Bosque do Papa: Rua Mateus Leme – Centro Cívico – Curitiba – PR – Tel: (41) 3313-7194. Visitas: Bosque – diariamente, das 6h às 20h. Memorial – terça a domingo, das 9h às 18h30.
O dia começou bem cedo e antes das 8h já estávamos na Estação Ferroviária de Curitiba. De lá partiria o Trem da Serra do Mar com destino à cidade de Morretes. O percurso, apenas de ida, custa R$ 66 por pessoa na categoria turística (inclui lanche) e o passeio dura em torno de três horas.
A estrada de ferro de 110 km, construída em 1890, realmente impressiona. O trajeto inteiro é feito pelo meio da mata atlântica, com paisagem pra lá de agradável, repleta de verde, montanhas, algumas cachoeiras e ruínas.

Quando o trem passa por cima da ponte São João, é impossível não sentir frio na barriga, afinal, são 55 metros de altura e apenas um abismo embaixo.
Chegamos na pequena Morretes por volta da hora do almoço. As construções históricas, as palmeiras e o rio formam, sem dúvida, um belo cartão postal.

Mas a grande atração da cidade é o barreado, prato típico do litoral paranaense feito com carne cozida, como um picadinho, servida com arroz e farinha de mandioca. O segredo está no tempo de cozimento da carne, em média 20 horas. Originalmente seu preparo se dá em uma panela de barro vedada com uma massa feita pela mistura de farinha e água.
Há diversos restaurantes especializados em barreado por toda a cidade. Simpatizamos pelo Olimpo e decidimos entrar.
Pelo preço por pessoa de R$ 27,50, o almoço inclui mesa de saladas, salgadinhos, salada de maionese, arroz, camarão e peixe fritos, pirão, banana frita e, claro, o barreado.




Excelente custo X benefício para tanta fartura, principalmente pela ótima qualidade da comida. Não há dúvida de que acertamos na escolha do restaurante.
O calor estava escaldante e por isso não tivemos ânimo em passear muito pela feira de artesanato da rua principal. Sentamos embaixo de uma árvore na beira do rio e por lá ficamos até o sol dar uma trégua.
Queríamos muito uma sobremesa, mas como nos esbaldamos no almoço, certamente precisaríamos de mais tempo para nos recompor, afinal, nosso jantar já estava programado.
Sugestão do chef: além de caro, voltar para Curitiba de trem é bastante demorado. A opção mais rápida e econômica é fazer o trajeto de ônibus, a partir da rodoviária, para a qual é possível ir caminhando.
Restaurante Olimpo: Rua Antonio Gonçalves do Nascimento, 17 – Morretes – PR. Tel.: (41) 3462-3990.
Nossa última participação na SPRW foi ótima.
Reservamos uma mesa na área externa da Casa da Fazenda, restaurante que funciona num belíssimo casarão construído em 1813 pelo Padre Antonio Feijó.


O imóvel ficou abandonado por muitos anos, até que na década de 60 foi restaurado pela ABACH – Academia Brasileira de Arte, Cultura e História, para ser sede da entidade, mantida até hoje.
A beleza do local impressiona, em especial pela imponência das árvores e pelo agradável jardim.
O suco de uva que pedimos veio servido numa jarra pequena (R$ 8,50) e foi feito a partir da fruta in natura. Como cortesia, pão e manteiga de ótima qualidade.

Logo partimos para as entradas do menu promocional. A Salada de camarõezinhos e abobrinha caipira com vinagrete de tucupi estava interessante, mas não superou o sabor marcante do Creme de palmito com pesto de castanha do Pará.

A decisão pelo prato principal foi a mesma para ambos: Peixe branco com arroz cremoso de pequi e azeite de cheiro-verde. Comida excelente e bastante caprichada.
Os pedaços de pequi combinaram muito bem com o tempero do peixe. E o sabor do azeite de cheiro-verde foi além do que imaginávamos. Tudo estava realmente delicioso.
E para combinar com o clima do local, ficamos com a Degustação de compotas da fazenda para encerrar o nosso almoço. Os doces de leite, banana, abóbora e côco foram muito bem executados.

Sugestão do chef: a Casa da fazenda é um espaço muito agradável para ir com toda a família. Há uma área reservada para os pequenos, que conta com monitores e alguns brinquedos.
Casa da Fazenda: Av. Morumbi , 5594 – Morumbi – São Paulo – SP. Telefone: (11) 374-2810.
A foto abaixo não mostra, evidentemente, os Jardins, Moema, Pinheiros ou a Vila Olímpia. No entanto, foi tirada da área interna de um dos restaurantes mais procurados de São Paulo.
O Mocotó foi fundado na década de 70. Era só um bar e atraía gente da região de olho, sobretudo, num caldinho de mocotó cuja fama se alastrava. Resumia-se a um balcão e mais uns 50 m2 costumeiramente tomados por clientes conhecidos do fundador, o “Seu Zé Almeida”.
Há alguns anos passou a ser comandado pelo filho do “Seu Zé”, que havia decidido estudar gastronomia. Hoje chef dos mais famosos, Rodrigo Oliveira reformulou as instalações e aprimorou o cardápio, sem perder o foco na culinária nordestina. Hoje, atrai gente dos mais diversos locais da cidade (e até de fora). Um público que não se importa em pegar o carro e dirigir até o bairro da Vila Medeiros, num canto da zona norte, algo que ganha ares de aventura aos paulistanos acostumados a circular por uma lista restrita de bairros.
E costuma sobrar tempo para observar esses frequentadores, principalmente na famosa fila de espera. No sábado em que estivemos por lá, aguardamos mesa para quatro pessoas por uma hora e quarenta minutos!
Sorte contarmos com a companhia do casal DCPV, com quem batemos um bom papo e fomos acertando os detalhes do já citado Inter Blogs.
Ainda lá fora, pedimos um mini-escondidinho de carne seca (R$ 5,90).
Bela apresentação e excelente sabor. Purê de mandioca com cremosidade na medida e boa combinação de requeijão e queijo coalho. Pra que se irritar com a espera, não é mesmo?
Já alocados, continuamos interessados nas entradas. Os torresminhos (R$ 7,90) vieram secos, crocantes e, claro, acabaram rápido.
Só não estavam melhores do que os curiosos dadinhos de tapioca (R$ 11,90). Excelente sabor, ainda mais acompanhados do molhinho sweet chilli.
Com tudo muito bom, fomos nos empolgando e acabamos exagerando um pouco na quantidades de pratos principais. Pedimos quatro opções! Ainda bem que estão disponíveis em tamanhos mini, pequeno, médio ou grande, e o atencioso garçom tratou de corrigir a maior parte dos nossos exageros.
O Baião de Dois foi a escolha mais óbvia, mas valeu a pena (R$ 7,90 o pequeno).
Feijão, arroz, queijo coalho, lingüiça, bacon e carne seca formaram uma combinação elogiada por todos à mesa.
A Favada é descrita no cardápio como um opção composta de fava amarela cozida lentamente com lingüiça, bacon e carne-seca (R$ 11,90 o tamanho médio). O resultado é um prato consistente e muito saboroso.
Pedimos também um Atolado de Vaca, traduzido por carne de panela cozida com mandioca, tomatinho, cebolinha e azeitona verde.
Chega em uma bonita panelinha e custa R$ 15,90 (preço único). A Débora e eu, no entanto, não nos empolgamos com o sabor. Nossa impressão foi de provarmos uma carne de panela básica, algo em total contraste com os demais pratos provados até então.
Em compensação, voltamos a nos surpreender positivamente com a Peixadinha (R$ 24,90).
Fora do cardápio regular, era uma das opções do dia. Com molho à base de leite de coco, estava excelente e foi eleita por este casal de escribas o melhor dos principais provados naquela tarde – e olha que a concorrência era forte!
Na hora da sobremesa, o sorvete caseiro de rapadura com calda de catuaba (R$ 6,90) praticamente monopolizou as atenções.
Gostamos tanto que levamos pra casa um pote de dois litros. Custou caro (R$ 35), mas os bons preços das demais opções do cardápio dão uma compensada.
Apesar do sucesso do gelado de rapadura, não me arrependi de ter pedido mousse de chocolate com cachaça. A combinação é das melhores, ressaltada pela boa qualidade do chocolate utilizado.
Experimentamos também um pedaço do Pudim de Tapioca (R$ 6,90) pedido pelo Edu. Boa alternativa para a próxima visita.
Pretendemos voltar logo pois percebemos que o Mocotó faz jus à fama de ser um ótimo lugar para provar pratos clássicos da cozinha nordestina ou criações do chef famoso que está sempre por lá. Tudo isso, claro, sem nenhuma pressa.
Sugestão do chef: o Mocotó atrai ainda quem gosta de cachaças artesanais. Na carta, aparecem rótulos provenientes das regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Mocotó: Av. Nossa Senhora do Loreto, 1.100 – Vila Medeiros – São Paulo – SP – tel.: (11) 2951-3056
A Vila Madalena foi o bairro escolhido para nosso segundo almoço nesta São Paulo Restaurant Week. Chegamos curiosos para conhecer a proposta do Emprestado Restaurante, de reproduzir em São Paulo pratos conhecidos de sete estabelecimentos situados em diferentes locais do Brasil.
Começamos pela Salada Canarinha, com folhas verdes, mandioquinha crocante e pedaços de pequi. Básica, mas com um toque especial graças ao fruto do Cerrado.
Bem saboroso estava o carpaccio de carne de sol com raspas de queijo coalho, chamado por lá de Cacareco.
Enquanto a Débora se refrescava com o suco Verde Delícia, uma mistura de água de coco, maçã, limão e raspas de gengibre (R$8,90) que não deveria ser tão aguada, aproveitei a desculpa do calor para provar uma caipirinha de uva verde com hortelã feita com cachaça especial. Boa, mas cara: R$ 15,20.

Entre os pratos principais, a Débora fez a ressalva de que o seu Mairoto poderia ter uma pitada a menos de sal (ou de shoyu). Mas nada que chegasse a reprovar o risoto com abóbora, castanha de caju e shimeji puxado no limão e no shoyu.
A inspiração do meu pedido veio de Paraty – cidade que adoramos –, mais especificamente do restaurante Banana da Terra. Acompanhado de arroz com amêndoas, o Peixe com Banana coberto com tiras de alho-poró estava delicioso e foi o ponto alto da nossa refeição.
Encerramos com um criativo mas apenas correto mousse de quentão e com um delicioso pudim de leite.

Fomos bem atendidos do começo ao fim e saímos com a certeza de que até agora acertamos nas escolhas da SPRW. Esperamos dizer o mesmo dos restaurantes em que iremos no próximo final de semana.
Sugestão do chef: No dia 16/03 a SPRW já terá acabado, mas a partir dessa data o Emprestado estenderá a promocão a outros pratos do cardápio, sempre com menu completo pelo mesmo preço cobrado durante o evento (R$ 27,50 no almoço e R$ 39 no jantar).
Emprestado Restaurante: Rua Mourato Coelho, 992 – Vila Madalena – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3034-0214 – Fecha às segundas.
Aproveitamos a Restaurant Week para, finalmente, conhecer o Brasil a Gosto.
Chegamos com muita chuva e sem uma mesa garantida, já que a casa não faz reservas para os domingos. Logo nos informaram que a espera era estimada em uma hora, mas tivemos sorte e conseguimos uma mesa para quatro pessoas em aproximadamente 40 minutos.
Enquanto esperávamos, os garçons serviam como cortesia chips de raízes (mandioca, batata-doce e mandioquinha) e um drinque feito com suco de tomate e cachaça de pimenta, ambos saborosos e, surpreendentemente, bem suaves. Digna de elogios a atenção dada a todas as pessoas da fila de espera.
Não conseguimos recusar o couvert, mesmo sabendo que ele encareceria substancialmente a conta. Saiu a R$ 10 por pessoa, mas veio bem caprichado. Os quatro pães – de leite, de abóbora, de queijo e a broa de milho – estavam deliciosos.
Dá pra dizer o mesmo da manteiga nas versões com castanha de baru, com pesto de manjericão (essa a melhor das três) e tradicional.
De quebra, vieram mais chips de raízes e uns bons biscoitos de polvilho.
Íamos provando de tudo enquanto bebericávamos uma tubaína da Schincariol (R$ 6 a garrafa de 600 ml) e relembrávamos aquele sabor dos tempos idos.
Na escolha do cardápio do nosso almoço (R$ 27,50 + R$ 1 para a Fundação Ação Criança), a melhor decisão seria experimentar todas as criações da chef Ana Luiza Trajano, que escolheu a banana-da-terra como ingrediente de destaque.
A Débora começou com os canapés de banana-da-terra com queijo cremoso e geléia de pimenta. Apesar de um pouquinho secos, a combinação era muito criativa e a geléia dava o toque adocicado ao prato.
Eu fui na simplezinha salada de folhas verdes com molho de coalhada e biscoito de polvilho picado.
Entre os principais, a combinação de arroz cateto com feijão verde, palmito pupunha e banana grelhada estava muito boa e lembrava um risoto prá lá de diferente.
Mas o melhor mesmo foi o filet de porco com molho de jabuticaba, purê de inhame e banana-da-terra grelhada. Vieram, na verdade, dois filets muito bem temperados e com um molho simplesmente sensacional!
Vale o registro de que ambos os pratos eram fartos, como manda a tradição brasileira. Tanto que se o cardápio não incluísse sobremesas, provavelmente pensaríamos bem antes de pedir, pois estávamos satisfeitos.
E por falar nelas, eu fui de torta Romeu e Julieta, que achei boazinha e nada mais.
O restante da mesa ficou com a outra opção, que trazia mais banana! O restaurante realmente usou e abusou do ingrediente, mas novamente acertou a mão. A bananada com crocante de castanha-do-pará e coco veio acompanhada de sorvete de nata e foi aprovada por todos.
Impossível não comentar o serviço impecável, mesmo com o salão lotado e com a fila de espera que não diminuía. Os detalhes brasileiros da decoração e das louças também não passaram despercebidos. Mas quando voltarmos lá, vamos recusar veementemente o café: é bom, mas nem de longe vale os inexplicáveis R$ 5.

Sugestão do Chef: na entrada do restaurante tem uma máquina antiga de sorvetes, no estilo daquelas de rua que as abelhas adoram. Quem quiser provar deve avisar antes, porque ela fica desligada e demora um tempo pra começar a funcionar.
Brasil a Gosto: Rua Professor Azevedo Amaral, 70 – Jardim Paulistano – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3086-356
O restaurante Obá freqüentou por muito tempo nossa imensa lista de locais para conhecer, até que finalmente na noite do sábado de uma semana especial, corremos para lá.
Num ambiente lindo e aconchegante, o restaurante apresenta uma boa mistura de culinária brasileira, mexicana, italiana e tailandesa.
Começamos pelo México com as Chimichangas: burritos dourados e recheados de pernil ao chili, com salsa de abacaxi (R$ 17). Ótimo no sabor, porém imaginamos que a porção seria um pouco mais generosa.
A cozinha brasileira inspirou a escolha da Débora para o prato principal. Ela pediu Peixe Caju (R$ 47), um bom filet de peixe em crosta de castanha de caju servido com purê de cará e molho de frutas. Simplesmente delicioso.
Eu, que ando mais viciado em curry do que o normal, fiquei logo de olho nos pratos de inspiração tailandesa. Fui de Gueng Garri Gai (R$ 34,50), um curry de frango com batata doce, arroz jasmim e relish de pepino. Estava bom, mas confesso que esperava um pouco mais.
Para a sobremesa, optamos pela degustação que dá direito a escolher quatro opções de doces, uma de cada país que inspira o cardápio do restaurante (R$ 29,50).
Em sentido horário, o Buñuelo, massa crocante mexicana com melado de rapadura, sorvete de creme e farofinha de milho estava só razoável. Um pouco melhor era a Torta do Luiz, feita com mousse de chocolate, um toque de cachaça, castanha-do-Pará e calda de maracujá. Surpreendente mesmo foi a excelente combinação do Fragole all’aceto (morangos com aceto balsâmico e creme de mascarpone). Em contrapartida, o Kao Niau, arroz doce tailandês ao leite de coco e manga, do qual tanto esperávamos, deixou a desejar.
Sugestão do chef: Entre as bebidas, uma opção bem criativa é a Caipirinha Abstêmia de frutas vermelhas (R$ 8,50). É um suco, porém com pedaços inteiros das frutas e servido em copo de caipirinha. Muito bom.
Obá: R. Melo Alves, 205 – Jardins – São Paulo – SP – Tel: (11) 3086-4774
Quem passa em frente ao Feira Moderna não imagina que nos fundos da loja de artesanato funciona um excelente restaurante de comida brasileira.

O local é simples mas charmoso. Impossível não ficar totalmente à vontade ao se sentar em uma das mesas que contornam o jardim. Dá até pra se sentir no quintal de casa.


No cardápio, alguns dos principais pratos típicos da cozinha brasileira, com destaque para os da região nordeste. Os sucos, doces e sobremesas também são todos bem brasileiros.
Na entrada, uma lousa informa os pratos do dia. Ali mesmo decidimos quais seriam nossos pedidos: Vatapá (R$ 25) e Bobó de Camarão (R$ 25).


Ambos deliciosos, com sabor de comida caseira. E as porções generosas nos agradaram bastante.
Para acompanhar um almoço tão caprichado, escolhemos os refrescantes – e azedinhos – sucos de cacau e de cajá (R$ 3,50 cada).
Entre as mais atrativas sobremesas do Feira Moderna estão os sorvetes paraenses da marca Cairú. E não foi nada fácil decidir entre os vinte e dois sabores, quase todos exóticos para nós aqui do Sudeste. Eu fui de Taperabá, servido com cajuí em calda, um tipo de compota feito com o mini-caju do cerrado (R$ 7,50).
O Fernando ficou com o de Mangaba (R$ 4,50 uma bola) e, na sequência, pediu um bombom de Cupuaçu (R$ 3,50) que estava tão bom quanto nossos sorvetes.

Ultimamente temos freqüentado bastante o Feira Moderna, pois, além de ficar num dos nossos bairros preferidos, é um restaurante que faz pratos excelentes, bem servidos e a preços justos.
Em uma das outras visitas provamos o ótimo Filé de Badejo ao molho de vinho branco com creme de leite, alcaparra, camarão, cogumelo, arroz branco e brócolis (R$ 26).
Sobre os doces, conhecemos o bolo de fubá cremoso (R$ 4), o bolo de rolo (R$ 4) e a mousse de cupuaçu com chocolate (R$ 4,50). Recomendamos todos.


Sem dúvida o Feira Moderna é uma boa opção para quem costuma receber estrangeiros e quer apresentar a eles um pouco do que há de melhor na nossa gastronomia, sem pagar uma conta exorbitante.


Sugestão do chef: além dos sucos exóticos, duas outras bebidas também chamaram a nossa atenção. O refrigerante de caju da marca São Geraldo, feito na cidade cearense de Juazeiro do Norte (R$ 2,80), e a Cajuína, suco integral de caju produzido artesanalmente lá no Piauí (R$ 4 o copo e R$ 8 a garrafa).

O refrigerante é levinho e quase não tem gás. A Cajuína é muito diferente do suco de caju que estamos acostumados a tomar. Eu gostei, mas o Fernando nem tanto.
Feira Moderna: Rua Fradique Coutinho, 1248 – Vila Madelena – São Paulo – SP – Tel. (11) 3032-2253