O sorvete da Freddo no Brasil

Bife de chorizo na parrilla e meia esquerda no futebol os argentinos sabem fazer bem demais, não há como discutir. Mas o talento dos nossos vizinhos aparece sob diversas outras formas. Na produção de sorvetes, por exemplo. A Freddo, marca mais famosa por lá, começou sua história como um pequeno negócio familiar. A primeira loja surgiu em 1969 no Barrio Norte de Buenos Aires. Aos poucos a qualidade dos helados artesanales, sobretudo os de doce de leite, garantiu fama para a sorveteria e, a partir da década de 80, a Freddo passa a contar com pontos de venda espalhados por toda a capital e também por diversas outras cidades argentinas.

Reverenciada pelos hermanos, também é adorada pelos brasileiros de passagem pelas calles porteñas. Por essa razão, a chegada da empresa ao Brasil parecia só uma questão de tempo. Aconteceu no final do ano passado, com a inauguração de uma loja no Shopping Iguatemi de Brasília. Quatro meses depois a marca se instalou em São Paulo, em uma das belas casas da agradável rua Normandia, em Moema.

Desde então, qualquer compromisso agendado naquela região serve de pretexto para uma escapada até lá. O raciocínio vale também para os momentos em que precisamos ir às proximidades de Alphaville, já que também tem Freddo no recém-inaugurado Iguatemi daquelas bandas.

A Débora raramente dispensa a versão Doce de Leite Tentação, que mistura o doce em pasta ao sorvete do mesmo sabor. Mas nas últimas visitas ela tem pedido também uma ótima opção de Mousse de Mirtilos, com sabor bem concentrado das blueberries.

Meu preferido é o de Doce de Leite com Brownie. Costumo pedir também Chocolate Amargo pra rebater o excesso de açúcar, já que todos os sorvetes com doce de leite não são muito doces mesmo. Se isso não for problema pra você, outra opção interessante é o sabor Banana Split.

Todos os sorvetes da Freddo continuam sendo produzidos de forma artesanal. Para garantir a padronização, tudo é feito na Argentina. Os esforços logísticos para trazer os sorvetes prontos até aqui talvez ajudem a explicar os altos preços: o copinho menor com 2 sabores sai por R$ 14.

Além dos gelados, os pontos de venda servem café e alguns salgados. Em uma tentativa de adaptação ao paladar brasileiro, a Freddo também vende por aqui brigadeiros. Algo totalmente desnecessário, ou dá pra imaginar alguém indo a uma sorveteria argentina só pra comer um docinho brasileiro?

Sugestão do chef: quer saber mais sobre as sorveterias argentinas? Então clique aqui para ver o post que fizemos sobre a visita a quatro delas em Buenos Aires.

Freddo: Rua Normandia, 22 – Moema – São Paulo – SP – (11) 3562-1654. Horário: de 2ª a 5ª das 10hs às 20hs, 6ª e sábado das 10hs às 23hs e domingo das 12hs às 22hs. Lojas também no Shopping Iguatemi de Brasília e Alphaville (SP).


Martin Fierro, clássico da Vila Madalena

Personagem criado pelo escritor José Hernandez, o anti-herói dos pampas – ícone nacional na Argentina – empresta seu nome a um dos restaurantes clássicos da Vila Madalena, fundado há 31 anos. Sempre lotado nos finais de semana, o pequenino mas arejado Martin Fierro é um dos destinos para quem deseja provar carnes de qualidade em São Paulo.
Vale começar por uma empanada, saborosa da massa ao tempero que dá um toque especial à carne cortada na ponta da faca (R$ 5).

Outra boa pedida é escolher uma das entradas do dia. Aos sábados, costuma aparecer como opção um pão caseiro coberto com chorizo especial (lingüiça) e queijo rockefort (R$ 12). Simples e sensacional!
Entre os principais, as massas aparecem como alternativa à grelha. Com jeitão de artesanal, o ravióli de zuca (R$ 20) – abóbora – com molho de manteiga e sálvia passou no teste.

Mas o forte mesmo são as carnes. Com gordura entrelaçada, o bife noix (ancho) é um corte macio e com ótimo sabor (300g por R$ 55 ou 450g por R$ 75). As carnes são acompanhadas por salada.

Para finalizar, o creme de limão siciliano (R$ 9) agrada quem pretende evitar sobremesas mais doces.

Se pensar diferente, não há problemas, basta pedir a clássica panqueca de doce de leite (R$ 9). Carece da companhia de uma bola de sorvete, mas é garantia de acerto.

E como o almoço era de comemoração, o vinho rosé chileno Terra Andina (R$ 42) foi eleito para o brinde. Bom, porém mais encorpado do que prevíamos.


Sugestão do chef: durante a semana, a casa oferece duas opções de prato executivo por dia. Os preços são, em média, um pouco mais baixos.

Matin Fierro: Rua Aspicuelta, 683 – Vila Madalena – São Paulo – SP– Tel.: (11) 3814-6747 / 3031-5891



Último jantar em Buenos Aires no Punta Brasas

A ideia naquela noite de sábado era um jantar repleto de comidas da Patagônia. Não deu certo. O restaurante típico fechou ou então foram os redatores do guia que tínhamos em mãos que erraram feio na indicação do endereço. Era para ser uma decepção, mas não foi bem assim.
A razão? Fomos parar no Punta Brasas, um restaurante dos mais agradáveis no movimentado Palermo Hollywood. Nem sentimos passar os 20 minutos de espera, em parte porque a simpática hostess achou dois bancos livres ao lado do bar, de onde ficamos acompanhando o movimento de frequentadores, o que significa uma interessante mistura de gente de estilo descolado com pessoas de visual mais, digamos, “clássico”. Todos elegantes, cada um a seu modo.

Outro motivo para o tempo passar depressa foi a possibilidade de bebericar duas taças de espumante servidas como cortesia, talvez pelo fato de os administradores da casa sentirem uma certa obrigação de se desculpar por não sermos atendidos de imediato. Impossível não simpatizar com aquele lugar.
Alocados em uma boa mesa num dos cantos do restaurante, começamos a elogiar o patê de fígado de galinha com queijo servido no couvert.

A Débora, ainda sem esquecer o objetivo inicial daquela noite, pediu uma saborosa Trucha Patagonica (39 pesos), coberta por creme de amêndoas e acompanhada de molho de cenoura com gengibre, além de batatas.

Eu escolhi Lomo a la Mostaza de Díjon com Papas a la Crema (38 pesos), prato clássico e costumeiramente bom em qualquer lugar. Mas ainda melhor com carne argentina temperada na medida certa. Simples e sensacional.

Sem conhecer, pedimos o vinho Don Nicanor malbec (70 pesos), forte e encorpado mas apenas razoável.

Fechamos a noite com uma deliciosa Panqueque de Manzana flambada na mesa com rum (18 pesos).

Difícil descrever como gostei daquele nosso último jantar em terras portenhas. Acho que a ocasião sintetizou perfeitamente como nossa viagem foi boa em todos os aspectos, sobretudo no gastronômico.

Sugestão do chef: Às sextas e sábados, a casa funciona em sistema de open bar da uma às quatro da manhã.

Punta Brasas:
Bonpland, 1694 – esquina com Honduras – Palermo Hollywood – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4776-2784



As cores e sabores do Lelé de Troya

Palermo Viejo é um bairro arborizado e que chama a atenção, entre outros atrativos, pelas lojas de roupa e decoração. Numa das nossas caminhadas por lá, passamos em frente ao Lelé de Troya e de cara fomos atraídos pelo agradável ambiente. Mal sabíamos que aquele seria o jantar inesquecível da nossa viagem.
A decoração é criativa. Cada um dos seis ambientes tem estilo e cor diferenciados. Nós gostamos do salão amarelo, que, além de alegre, fica perto da cozinha totalmente aberta, de onde se pode ver o preparo dos pratos. Porém, acabamos ficando em uma dos sofás do elegante espaço vermelho.

O serviço cuidadoso logo nos serviu pães caseiros e um patê de cenoura com mel e gengibre leve e bastante saboroso, combinando bem com o Lagarde Rose Blanc de Noire Reserva 2007 (52 pesos). E só para deixar registrado, vale dizer que dessa vez acertamos na escolha do vinho.

O cardápio, apesar de curto, apresenta criações interessantes – e algumas muito elaboradas –, com opções de massas, carnes, aves, peixes e frutos do mar. Nós fomos extremamente felizes em ambas escolhas e não sabemos dizer se o Crocante de Lomo (48 pesos), um filé mignon especial recheado com mousse de champignon e espinafre envolto em massa filo estava melhor do que o Cordero de Troya (49 pesos), que trazia cordeiro desfiado com pistaches e amêndoas acompanhado de bouquet de tomate com hortelã e batatinhas ao molho de vinho merlot e chocolate.

A carne enrolada na massa filo nos deixa saudosos até hoje. O sabor do molho de vinho merlot com o chocolate é tão diferente e gostoso que não conseguimos explicar a harmonia com o restante do prato. Foram verdadeiras obras de arte comestíveis.
E depois de pratos tão especiais como estes, nada melhor que uma ótima sobremesa. Ou melhor, seis delas, já que nossa escolha foi a overdose de açúcar da Picada Dulce (40 pesos), uma espécie de menu-degustação.

Achamos sem graça o sorvete de creme com pistache e água de rosas e apenas básica a pêra cozida com vinho malbec. A massa filo com crocante de nozes e amêndoas acompanhada de laranjas confitadas estava um pouco doce, mas a textura agradou. Sucesso mesmo fizeram o manjar de chocolate branco e preto, e a tortinha de chocolate branco, todas cobertas com calda de frutas vermelhas. Mas o destaque doce ficou com a mousse de chocolate com um toque de pimenta, cardamono e gengibre, servida com laranja confitada.
E depois de tantos sabores inesquecíveis numa mesma noite, foi difícil acreditar que pagamos apenas R$ 50 por cabeça!

Sugestão do chef: só quando fomos embora vimos que um dos ambientes se trata de um agradável jardim, boa pedida para almoçar ao ar livre ou para uma noite em época de calor.

Lelé de Troya: Costa Rica, 4901 – Palermo Viejo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4832-2726.



La Cabaña Parrilla Argentina: parrilla, pero no mucho

Os leitores assíduos do blog já sabem que gostamos muito da culinária argentina. Perceberam também que adoramos explorar o bairro de Moema. Portanto, estava na hora de visitarmos algum representante da gastronomia dos hermanos por lá.
Escolhemos a La Cabaña Parrilla Argentina.

O local é simples, decorado apenas com quadros e fotos de shows de tango.
Ainda bem que aceitamos o couvert enquanto olhávamos o cardápio, pois as empanadas de carne, pedidas logo de cara, só foram servidas no momento em que terminávamos o nosso almoço. O serviço estava realmente muito lento.
O couvert trazia pães, azeitonas, chimichuri, cebola curtida e manteiga (R$ 8,90).

Para acompanha-lo, pedimos uma Quilmes Pilsen long neck. É uma cerveja levinha e saborosa, mas que no La Cabaña é vendida por abusivos R$ 7,90.

Como prato principal, meio Ojo del bife (R$ 40,90), acompanhado por meia porção de arroz com presunto, ovos, azeitonas e salsinha (R$ 8) e de Batatas à Provençal, cozidas e depois fritas com alho e cheiro verde (R$ 8).

A carne tinha pouco sabor, chegamos até a questionar a procedência argentina do corte. Bastante oleoso, o arroz também deixou a desejar. Apenas as saborosas batatas se salvaram. É pouco…
Pra piorar, as atrasadas Empanadas de Carne (R$ 3,80) também não empolgaram.

Dessa vez Moema nos decepcionou. Mas tudo bem, deve ter sido só um dia de pouca sorte.

Sugestão do chef: nas noites de quinta-feira a casa oferece show de tango após às 20:30h.

La Cabaña Parrilla Argentina: Av. Moema, 218 – Moema – São Paulo – SP – Tel.: (11) 5054-1480 .



Restaurante Bar Buenos Aires: boa opção em Embu das Artes

Embu das Artes, distante 27 Km de São Paulo, é um lugar famoso pela grande oferta de artesanatos nos fins-de-semana e nos feriados.

O pequeno município, no entanto, reserva boas opções gastronômicas. Uma delas é o Restaurante Bar Buenos Aires, localizado no charmoso centro-histórico.

A agradável casa fica ao lado de uma viela simpática e é comandada por pessoas que claramente adoram o que fazem.

Começamos provando caipirinha de limão (R$9) e empanadas de carne e queijo com cebola, provavelmente as melhores que já experimentamos (R$ 4,20 cada).

Como prato principal, a Débora preferiu testar a habilidade argentina no preparo das massas. Pediu ravioli de queijo brie com molho de champanhe e geléia de pimenta.

Não se arrependeu, pois a massa artesanal estava muito saborosa e a geléia de pimenta deu um toque todo especial. Vale os R$ 31,50 cobrados.
Eu já cheguei com a certeza de que pediria uma das especialidades preparadas na parrilla pelo simpático chef argentino Hugo Ibarzábal. Optei por meia picanha argentina (tapa de cuadril).

Custa R$ 29,70 e chega acompanhada de salada, cebola curtida e um excelente chimi-churri.

Sem dúvida nenhuma é uma carne do nível das melhores que já provei.
Para a sobremesa, quem acompanha o blog há mais tempo já imagina que não resistimos à panqueca de doce de leite (R$ 14).

A massa estava um pouco mais consistente do que gostaríamos, mas o farto recheio de doce de leite argentino compensou.

Sugestão do chef: o restaurante vende temperos caseiros, como o molho chimi-churri e alguns vinagres feitos com polpa de fruta. Provamos o de goiaba e recomendamos.

Restaurante Bar Buenos Aires: Rua da Matriz, 62 – Embu das Artes – São Paulo – SP – Tel.: (11) 4781-1346



Um almoço em Buenos Aires na Brasserie Pétanque

Nossa amiga Emília, a turista acidental, esteve recentemente em Buenos Aires e lembrou do blog em um de seus almoços portenhos. Abaixo está o relato caprichado que ela preparou para dividir com os leitores do Brincando de Chef. Valeu, Emília!

Quando decidimos ir para Buenos Aires, começamos a anotar as dicas dadas pelo pessoal que entende do negócio e, na nossa listinha de restaurantes que deveriam ser conferidos, estava uma indicação do Ricardo Freire: a Brasserie Pétanque, numa tranqüila esquina de San Telmo. O nome do restaurante vem de um jogo muito popular na Provence, parecido com a bocha.

Chegamos lá depois de bater perna a manhã inteira. Estávamos famintos e com vontade de descansar em um lugar agradável. E nisso fomos plenamente atendidos…
O ambiente é amplo, com móveis claros e muita luz entrando pelas janelas que circundam o salão principal. É bastante acolhedor, com um estilo antigo. Tudo muito simples e elegante.

Depois de pedir um bom vinho rosé para ajudar a refrescar do dia quente e provar um pouco do couvert (pães quentinhos e patês), fizemos os nossos pedidos: para mim, ‘Emincés de magret a la naranja’…

…e o Marc foi de ‘Lomo a la bearnaise con hojaldrado de papas’.

Difícil saber qual dos dois estava melhor…eu adoro pato e o magret estava bem macio, o que é difícil encontrar. Só poderia estar um pouquinho só mais tostado na parte externa. O acompanhamento, uma combinação de leve batata rösti e cogumelos fazia par perfeito com a carne e seu molho de laranjas.
O filé também estava super macio e suculento, como era de se esperar e a torta de batatas, muito leve e saborosa.
Para sobremesa pedi um dos meus favoritos, a clássica Tarte Tatin. Estava linda e o sabor não ficava atrás, mas…nos esquecemos de fotografar e acabamos com ela primeiro (risos).
Depois dela, só o cafezinho e a conta, que fechou em aproximadamente 150 pesos ou cerca de R$ 80,00…acredito que uma refeição do mesmo porte aqui em São Paulo sairia o dobro. Que pena ter que ir embora…
É muito fácil chegar na Brasserie: ela fica na esquina da Defensa, uma das principais ruas de San Telmo, com a México, no trecho que sobe da praça Dorrego para o centro da cidade.


Sugestão do chef: Foi mesmo um belo almoço. E que bom termos chegado cedo, pois o salão lotou facilmente. Lá é assim em qualquer lugar: ou se reserva ou chega cedo, bem diferente do que estamos acostumados aqui.

Brasserie Pétanque: Defensa, 596 (esq. México) – San Telmo – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54-11) 4342-7930



348 Parrilla Porteña

Nos últimos anos abriram muitas casas de parrilla na cidade de São Paulo. No entanto, a intensa proliferação dessas churrascarias argentinas foi insuficiente para ofuscar representantes do gênero estabelecidos há mais tempo na paulicéia.
Exemplo disso é o 348 Parrilla Porteña – também conhecido como Corrientes 348 – e sua longa fila de espera nos fins de semana. A casa foi aberta há 10 anos, no número 348 de uma rua da Vila Olímpia. Uma grande coincidência que remete à letra de “A media luz”, tango imortalizado por Carlos Gardel e que pode ser ouvido no site do restaurante.
O local é extremamente agradável, a começar pela florida e arborizada entrada, cujo belo visual minimiza o tédio da espera por uma mesa.

Assim que conseguimos um lugar, enganamos a fome com empanadas de carne com uva passa (R$ 4 cada), na companhia de ½ jarra de sangria (R$ 18). Sem dúvida, um bom começo.

Nas carnes, oferta dos cortes tradicionais argentinos. Nossa escolha foi ½ porção de ojo de bife, ao preço de R$ 42 (o inteiro custa R$ 76). Para acompanhar, ½ arroz parrillero com lingüiça picante, ovos e batata palha (R$ 9) e uma papa parrillera com manteca (batata grelhada com manteiga, por R$ 10).

Valeu a espera: a carne estava bem saborosa e chegou no ponto que pedimos.

Sugestão do chef: o cardápio de sobremesas é interessante e diversificado, mas olha só a foto e diga se dava pra escolher algo que não fosse essa panqueca de doce de leite (R$ 16).

348 Parrilla Porteña (Corrientes 348): Rua Comendador Miguel Calfat, 348 – Vila Olímpia – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3849-5839



Bárbaro Restaurante: churrasco, não. Parrilla

Pra continuar a temporada argentina, iniciada pela Débora no post abaixo, nada melhor do que falar da especialidade deles: as carnes. Especialidade que, aliás, invadiu de vez a cidade. São tantos restaurantes especializados em parrilla que outro dia nos perdemos em Moema (que é um ótimo lugar para se perder) e descobrimos sem querer mais dois. Ambos entraram para a lista, é claro.
O restaurante da foto não fica em Moema, mas também nos perdemos umas duas vezes antes de achar a ruazinha estreita, travessa da avenida Santo Amaro. E o pior é que já tínhamos ido lá! Senso de direção à parte, dá pra dizer que o Bárbaro Restaurante é um achado (que trocadilho mais ridículo, hein ??).

Depois do nariz de cera que se estendeu por dois parágrafos e da frustrada tentativa de ser engraçado, só me resta mesmo o recurso da objetividade. O couvert custa R$ 8,90 e inclui pão, torrada, manteiga, vinagrete, berinjela em conserva e um excelente chimichurri.

Para abrir o apetite tem também empanadas (R$ 3,50) e algumas enormes e belíssimas saladas. Todos os cortes de carne são argentinos. Nossa sugestão é o biscuit de ojo (R$ 32 meia-porção, R$ 64 a inteira). Trata-se do miolo do ojo, que, por sua vez, é o miolo do contra-filé (acho que é isso). Por aí dá pra imaginar quão macia e tenra é a carne. Para acompanhar, é simplesmente obrigatório pedir papas quiméricas, uma massa de batata recheada de requeijão e gratinada com parmesão (R$ 15 a grande, R$ 8 a pequena). É o tipo de coisa para comer devagar, só pra ver se demora mais pra acabar.

E por falar em acabar, não é uma atitude sensata ir embora sem provar a panqueca de doce de leite (R$ 9 e R$ 16, pequena ou grande).

A casa oferece ainda boa variedade de vinhos argentinos, inclusive em taça, além de algumas cervejas uruguaias já manjadas. Nas noites de sexta rola show de tango, só que aí já é demais, né? Prefiro ver o Tevez dançando a cumbia, mas não com a camisa do West Ham, é claro!

Sugestão do chef: Se for pedir meia-porção da carne, convença uma das descoladas atendentes a trazer quatro pedaços (normalmente vem três). Na primeira visita fizemos isso, na segunda esquecemos e nos demos mal.

Bárbaro Restaurante: R. Doutor Sodré, 241 – Vila Olimpia – São Paulo – SP – tel.: (11) 3845-7743 – http://www.barbarorestaurante.com.br



As empanadas do Patagônia

Felizmente a rivalidade entre brasileiros e argentinos se limita aos esportes – principalmente o futebol – e, nem de longe, prejudica a expansão da gastronomia daquele país em território tupiniquim.
Carnes extremamente macias, doce de leite de qualidade superior, vinhos bem elaborados e alfajores imbatíveis são algumas das muitas delícias provenientes da culinária argentina. E nos últimos anos é cada vez mais fácil ter acesso a tudo isso. Sorte de nós paulistanos e, é claro, do blog, que terá muitos posts saborosos!
E para começar, vamos falar sobre o Patagonia, um café que tem como carro-chefe as tradicionais empanadas argentinas.

A fachada do lugar é muito charmosa. Já seu interior possui decoração simples e as mesas são bem pequenas, sobrando pouco espaço para acomodar as coisas.

Mas esses detalhes passam despercebidos quando o pedido chega, já que tudo preparado no local é muito gostoso e caprichado.
As empanadas são assadas na hora e por esse motivo demoram um pouco, mas a espera vale a pena pois são deliciosas! O cardápio conta com 16 recheios, porém as que levam carne como ingrediente principal merecem destaque, como a cortada na ponta da faca (R$ 3), picante (R$ 2,80) e com uva passa (R$ 2,90).

Outra boa opção da casa é a variedade de tortas salgadas que vêm acompanhadas de salada (R$ 8,70). Escolhemos a de abobrinha com parmesão e nos encantamos com a cremosidade da massa e o sabor exótico do recheio.

Para finalizar, só há uma coisa que podemos dizer para a família Menutti, proprietária do estabelecimento: muchas gracias!

Sugestão do chef: não saia sem experimentar o sanduíche de miga. Assim como acontece na Argetina, o de presunto com abacaxi (R$ 1,65) é o mais pedido.

Patagonia: Avenida Rouxinol, 953 – Moema – Tel.: 5055–2341/7466.



Havanna Café: muito além do alfajor

No ano passado, o Havanna Café desembarcou no Brasil trazendo os famosos alfajores de Mar Del Plata.

Apesar da fama, a guloseima não é o que a cafeteria argentina pode oferecer de melhor: o ponto alto mesmo é um doce típico do Uruguai. A torta Rogel (R$ 8) é feita com uma leve massa em várias camadas, intercaladas com o delicioso doce de leite argentino e, como se não bastasse, ainda recebe cobertura de marshmallow.

Recentemente resolveu copiar o Santo Grão contratando atendentes moderninhos.

Sugestão do chef: Entre os freqüentadores prevalece o “estilo Jardins”. Mas deixa isso pra lá, a torta Rogel compensa.

Havanna Café: R. Bela Cintra, 1829 – Jardins – São Paulo – SP
Tel: (11) 3082-5722 Site:
www.havanna.com.br