Red Stripe, a cerveja da Jamaica

Reggae a Jamaica exporta para o mundo todo há quase cinco décadas. Desde que Bob Marley colocou a ilha com menos de três milhões de habitantes no mapa mundi da boa música, não é difícil achar por aqui discos, livros e diversos outros artigos que remetem à cultura desse simpático país banhado pelo mar do Caribe. Agora, cerveja jamaicana nunca tínhamos encontrado! Até vermos no quisosque da Laus Beer uma garrafinha diferente, com rótulo branco e faixa vermelha na diagonal. Era a Red Stripe, a cerveja de baixa fermentação (lager) mais famosa da Jamaica, produzida desde 1928.

A cor é bem clara e o aroma lembra o das cervejas industriais do Brasil, o que evidentemente não é um elogio. No paladar, tem um amargor bem discreto no começo, até revelar um gostinho meio adocicado depois – no after tasting. É uma cerveja bem leve, pra beber sem grandes pretensões num dia de calor. Na nossa opinião, inclusive, lembra um pouco o chope Brahma. Com a desvantagem de ser bem mais cara, já que pagamos R$ 11,90.

Sugestão do chef: os quiosques da Laus Beer estão no Shopping Market Place, em São Paulo e no Iguatemi de Campinas e de Alphaville. De terça a sexta outra loja fica aberta ao público na Rua Fernandes Moreira, 384, no bairro da Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo. O espaço também pode receber eventos às segundas.

Red Stripe: essa cerveja é fabricada pela Desnoes & Geddes, empresa que tem hoje a Diageo como sócia majoritária. O produto é distribuído pela Importbeer.



Degustando as importadas da Ambev

Na semana passada a Ambev assumiu a distribuição no Brasil de três marcas alemãs de cerveja: Spaten, Löwenbräu e Franziskaner.

Para o lançamento, a empresa chamou jornalistas para uma degustação. O evento foi no G.U.T, bar alemão do Itaim que tentamos conhecer meses atrás, porém sem sucesso devido ao excesso de público.
O lugar é bem interessante, nada a ver com os tradicionais restaurantes germânicos. É um alemão moderninho, com direito a música eletrônica no som ambiente, num volume que não impede ninguém de conversar.
Na mesa em que estávamos, que contava com a presença do Ricardo Amorim do ótimo blog Cerveja Só, a degustação/aula foi comandada pelo Sandro Reis, um dos mestres cervejeiros da Ambev.
A primeira a ser servida foi a Franziskaner Weissbier Kristallklar, uma cerveja aromática, com bastante gás e 5% de álcool. Para harmonizar, salada de folhas verdes com pedaços de frango, morango e molho de mel.

Foi interessante notar que a cerveja ficou mais amarga depois que provamos a salada, principalmente pelo sabor adocicado do mel.
Na seqüência experimentamos a Franziskaner Hefe-Weissbier, cuja segunda fermentação se dá na garrafa. Apresenta cor turva, bem menos gás, sabor e aroma frutados. Para acompanhá-la, uma massa de pizza com maçã e nozes que deixou a bebida bem mais leve.
Curioso que tínhamos provado essa cerveja e considerado, no máximo, razoável. Mudamos totalmente de opinião.

Quando já nos preparávamos para degustar a terceira variação da Franziskaner, fomos surpreendidos pela Löwenbräu (pronuncia-se Luvenbrói), que chegou na companhia de vários tipos de salsicha com molhos condimentados à base de mostarda e barbecue.
Os petiscos harmonizaram perfeitamente com o gosto forte da cerveja, que possui um amargor interessante, daqueles que cumprem seu papel mas não permanecem por muito tempo.

Tudo bem que já tínhamos bebido algumas Spaten enquanto aguardávamos a chegada dos demais jornalistas (viu como ficar esperando nem sempre é ruim?), mas não deixaríamos de degustá-la novemente! A bebida é uma munchen helles bem leve, com baixíssimo amargor. Contrastou, propositalmente, com a picante carne ao molho de mostarda que a acompanhou.

Para terminar, só faltava mesmo a Franziskaner Dunkel, cerveja escura, de tom acastanhado, com espuma densa e sabor de malte torrado. Na nossa modesta opinião, a mais fraquinha das cinco. Chegou à mesa com a companhia de pedacinhos de joelho de porco e chucrute. Ao contrário do que alguns podem imaginar, caiu muito bem.

No fim da noite, além da visão meio turva e uma certa dificuldade para caminhar, saímos de lá com a certeza de que voltaremos ao G.U.T para provar de novo os petiscos e pratos alemães muito bem elaborados.

Sugestão do chef: As três marcas passam a ser vendidas em São Paulo por bons preços em relação a algumas outras importadas. Franziskaner e Spaten (ambas de 500 ml) têm preço sugerido de R$ 6,50. Já a Löwenbräu (330 ml) sai por R$ 3,90.

Ambev: http://www.ambev.com.br/

G.U.T.: Rua Bandeira Paulista, 812 – Itaim Bibi – São Paulo – SP
Tel.: (11) 3073-1417 – Site: http://www.gutbar.com.br/



Cervejas 14/02/07

Beleza australiana

Vem de muito longe uma novidade que começa a aparecer nos empórios brasileiros. É a cerveja australiana Coopers, vendida por aqui em três versões. Experimentamos uma delas, a Pale Ale, com 4,5% de teor alcoólico e sabor um pouco mais leve que as congêneres.

Num teste cego (sem Kaiser, claro) pode ser que alguém confunda seu sabor com uma pilsen. Parece exagero, e pode até ser, mas digo isso pela leveza e pela ausência de amargor. Na aparência, porém, ela não engana: sua cor âmbar denuncia se tratar de uma pale ale.

Sugestão do chef: Experimente sem grandes pretensões, pois não é a melhor cerveja que você já tomou. Mas é boa.


Bebidas Cervejas 09/02/07

Alemã sem corpo

A Oettinger Hefeweissbier Naturtrüb (trigo clara) até começa bem. O aroma agrada, a cor lembra suas melhores concorrentes e no primeiro gole o gosto satisfaz.

Em geral, não é frescura dizer que uma cerveja de trigo é frutada. Nessa, em especial, percebem-se “notas” (baixou o Saul Galvão) de banana e, no final, gosto de especiarias, principalmente cravo.
Porém, em se tratando de cerveja não é mesmo a primeira impressão que fica. Ao continuar a degustação se torna fácil notar o excesso de gás, a ausência de espuma – imperdoável para uma weiss – e, o mais frustrante, uma leveza desproporcional que se traduz em falta de corpo, deixando a bebida até um pouco aguada.
Futuramente vamos provar a versão engarrafada para verificar alguma diferença. Por enquanto, dá pra dizer que, apesar de produzida desde 1731, a Oettinger é prova viva de que nem tudo que reluz é ouro. Ou, na linguagem do chef, nem tudo o que vem da Alemanha é cerveja excelente.
E por falar nas cervas germânicas, enquanto lá eles definiram há 500 anos que conservantes e cerveja não formam par, por aqui alguém deve ter achado mais importante definir que as latas de cerveja precisam ser todas iguais: claras, com tons dourados e letras, na maioria das vezes, em vermelho. Provavelmente menos por culpa dos nossos designers de embalagem do que da ausência de ousadia dos executivos que aprovam as criações deles. Repararam como até uma cerveja alemã razoável é acondicionada em uma linda lata?

Sugestão do chef: Só leve pra casa se a única outra opção de cerveja de trigo disponível na prateleira for a Bohemia Weiss.