Santa Fé: contemporâneo, porém nostálgico

Lá na Praça Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Municipal, funcionou por muitos anos um dos bares históricos de São Paulo, o Paribar. Dizem que naquela época, meados das décadas de 50 e 60, a cidade tinha uma certa aparência européia, algo que pode ser reeditado – com uma imensa dose de boa vontade – na retina de quem observa hoje a praça de forma isolada, sem desviar a atenção para o seu entorno. Mas o fato é que desde 2005 o mesmo local abriga o Santa Fé, um elegante restaurante contemporâneo, que destaca a culinária italiana e é outra boa opção no centro velho.

Os boêmios intelectuais deram lugar aos executivos modernos, boa parte deles funcionários da companhia espanhola que controla a comunicação por telefone no Estado. Um público que os guias gastronômicos definiriam como “arrumadinho”.

Antes de ir com a Débora, já tinha almoçado lá algumas vezes. Sabia, portanto, que o nhoque de mandioquinha e o linguini ao brandy eram deliciosos. Insisti nas massas e pedi o ravióli de mussarela Paribar, servido com molho de manteiga, amêndoas, sálvia e crutons de legumes (R$ 18,90). Delicioso.

A Débora foi um pouco mais ousada: escolheu camarões grelhados ao molho de mel (26,70), com cebola, mostarda, creme de leite e arroz piemontese. Uma receita interessante, porém mal executada, o que resultou em um prato doce demais.

Sugestão do chef: A cada duas semanas, sempre nas tardes de sábado, acontece na Praça Dom José Gaspar o projeto Piano na Praça. Gente de peso, como João Donato e Flávio Venturini, já deu as caras por lá.

Santa Fé: Praça Dom José Gaspar, 42 – República – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3237-0771



Iguarias árabes

Antes de chegarmos ao Almanara, fizemos algumas compras nos arredores da rua 25 de março, maior centro comercial a céu aberto da América Latina.
Nessa região a oferta de produtos é muito grande e diversificada, dá pra encontrar coisas que nem imaginamos existir! O problema é que o excesso de público – intensificado aos sábados – atrapalha o passeio.

Por isso já saímos das nossas casas com o roteiro traçado.
E já que o destino final era um almoço libanês, aproveitamos o ensejo e incluímos mais uma atração gastronômica ao nosso roteiro, o Empório Syrio.
A loja não é muito grande, mas chega a ser um paraíso para os amantes da culinária árabe.



Possui desde itens já incorporados ao gosto brasileiro, como as pastas de berinjela, grão de bico e gergelim, pão folha, doces árabes, sfihas, quibes, condimentos, água de rosas, molhos, pimenta síria, diversas castanhas e frutas desidratadas, até produtos menos conhecidos, por exemplo essa exótica geléia de rosas que não conseguimos deixar na prateleira.

Também trouxemos geléia de framboesa e de cassis (dinamarquesas) e bala de alcaçuz (suíça).


Como a caminhada até o restaurante não seria curta, carregar pouco peso era o melhor a fazer. Sendo assim, finalizamos nossa singela compra com um mix de docinhos árabes de gergelim, de figo e nougat – uma espécie de torrone.

Na hora de pagar a conta, não resistimos ao chicle de miski, outra iguaria feita a partir dessa erva que muito nos agradou.


Sugestão do chef: o atendimento da loja é ágil e os funcionários, além de atenciosos, estão preparados para dar informações sobre os produtos, inclusive os menos conhecidos. Em dias de menor movimento é possível conseguir com eles algumas sugestões interessantes.

Empório Syrio
Rua Comendador Abdo Schahin, 136 – Centro – São Paulo
Tel: (11) 3228-3640



Almanara: o árabe clássico

Desde o nascimento do blog temos vontade de fazer um especial sobre os restaurantes dignos de nota do Centro de São Paulo. Depois que conhecemos esse excelente blog onde o Tony escreve dicas turísticas sobre a cidade, nos empolgamos ainda mais com a idéia. Porém, apesar de parecer simples, concretizá-la não é tão fácil – pelo menos não em uma seqüência de posts –, pois é preciso tempo para dedicar nossos almejados finais de semana a esse roteiro. E dinheiro para gastar nos bons estabelecimentos, que nem sempre são baratos.
Por isso aproveitamos a última visita ao centro velho para dar um pulinho na unidade mais antiga do Almanara, tradicional restaurante árabe muito apreciado pelos paulistanos.
A filial do centro tem algumas diferenças. A primeira delas é que a decoração não é moderna como a das outras unidades, que ficam em alguns dos maiores shoppings da capital. O restaurante mantém os móveis e o estilo da época em que foi inaugurado, em 1950.


Impossível não sentir o efeito “túnel do tempo”. A outra diferença é que além dos pratos à la carte, existe a maravilhosa opção do rodízio: R$ 35,70 por pessoa e as melhores comidas da casa à vontade.
Pra começar, homus, baba ganoush, coalhada seca, pão sírio e uma simpática saladinha de folhas verdes.

Na seqüência, a apetitosa sfiha de carne.

Quibe cru, tabule e quibe frito deram continuidade ao nosso rodízio.

Depois foi a vez dos tradicionais charutinhos de folha de uva.

Nesse momento nossos estômagos sinalizavam que logo seria hora de parar de comer. Mas conseguimos prosseguir e provar a abobrinha recheada e a kafta no espeto.


Ambas ótimas e macias, cozidas no tempo certo.
O espetinho de frango seria a última delícia do almoço, mas esse nós recusamos para não ocupar o espaço previamente reservado para a sobremesa. Afinal, deixar pra trás um sorvete tão inusitado como o de miski (R$ 7,30) definitivamente não combina com a gente.

Sugestão do chef: dessa vez a dica vai ficar para o próximo post…

Almanara: Rua Basílio da Gama, 70 – Centro – São Paulo – SP
Tel.: 3257-7580



Salve Jorge: pratos (muito) rápidos

Bar de sucesso na Vila Madalena, o Salve Jorge abriu há uns meses filial no Centro, em frente à BM&F. Local imponente, cenário até de recente comercial da cerveja, ideal para happy hour regado a cervejas do pacote Ambev, com a companhia do delicioso galeto a passarinho, que chega à mesa junto de um bom molho à base de alho.

Menos concorrido, mas também movimentado é o almoço. Para isso o bar mantém um buffet com preço fixo, além de reservar o piso inferior aos pratos à la carte. Só é de se estranhar que os pratos cheguem à mesa de forma assustadoramente rápida, antes mesmo das bebidas, o que faz supor que pouca coisa é preparada na hora. De qualquer forma, vale experimentar o bom salmão grelhado com legumes, arroz e manteiga com ervas (R$ 16).
Havíamos recebido ótima referência do strogonof de camarão (R$ 17), no entanto quando provamos estava bom e nada mais.

Descontados os tropeços e as aceleradas, o Salve Jorge não deixa de ser uma boa opção de almoço no Centro Velho, região que, aos olhos de quem a freqüenta esporadicamente, parece reservar inúmeros bons restaurantes, mas para os que trabalham por lá há alguns anos, bem que poderia ser mais fértil no terreno gastronômico.

Sugestão do chef: se for escolher uma sobremesa, fuja do petit gateau (R$ 8). Ele tem o mesmo formato daquele bolinho industrializado vendido em supermercado. Tem recheio com o mesmo gosto desse e de outros produtos dessa mesma marca. E, se não for o mesmo, é tão ruim quanto.

Sorte deles que o chef Gordon Ramsay não incluiu o Brasil no roteiro do seu Kitchen´s Nightmares.

Salve Jorge: Praça Antonio Prado, 33 – lj. 17 – Centro – São Paulo – SP
Tel.: (11) 3107-0123
http://www.barsalvejorge.com.br/



Santa Gula no Mosteiro de São Bento

A esta altura você não deve agüentar mais assistir, ler e ouvir reportagens sobre os preparativos da visita do Papa Bento XVI. Provavelmente até decorou parte do cardápio que será servido ao Sumo Pontífice durante sua estada no Mosteiro de São Bento. O que falta ser dito é que o local mantém durante todo ano uma lojinha na qual vende geléias, bolos e pães feitos pelos próprios monges. Acondicionados em belas embalagens, são opções criativas para presentear.

Um dos melhores é o bolo dos monges (R$ 35), cuja receita – criada por monges brasileiros no fim do século XIX – inclui ameixa, vinho canônico, açúcar mascavo e damasco. Tipicamente suíço, o bolo Santa Escolástica mistura nozes, maçã e canela, e pode ser adquirido nos tamanhos grande ou mini (R$ 38 e R$ 5).

Por R$ 5 a unidade, o pão de mel recheado de geléia de morango faz sucesso entre os freqüentadores do Centro da cidade. Como opção salgada, a sugestão é o Pão São Bento (R$ 12), feito à base de mandioquinha.
Dá até pra levar um de cada, afinal de contas a gula é pecado, mas pelo menos o confessionário fica bem pertinho.

Sugestão do chef: Como recordação da visita do Papa, os monges desenvolveram um bolo comemorativo que leva mel, especiarias, castanhas e chocolate

Mosteiro de São Bento: Largo de São Bento, s/no. – Centro – São Paulo – SP – tel.: (11) 3328-8799 – www.mosteiro.org.br/gastronomia