O último dia da viagem foi dedicado às compras. Entramos em algumas lojas de malhas e de artesanatos. Depois, passamos por empórios e, claro, por várias lojas de chocolates artesanais. O Matterhorn, um dos empórios que visitamos, chamou a nossa atenção por também funcionar como restaurante no andar superior e servir menu especial para o almoço.
Pelo preço fixo de R$ 35 por pessoa estavam inclusos salada, prato principal e sobremesa. Gostamos do cardápio e decidimos que antes de pegar a estrada e voltar para São Paulo, faríamos ali a nossa última refeição na cidade. O local é um pouco escuro devido às paredes de madeira, mas perto da janela conseguimos uma mesa clara e com vista para a praça.
Logo fomos servidos de salada verde com queijo brie e molho do bosque. Era bem simples e veio com pouquíssimo queijo. Mas o molho de frutas vermelhas estava caprichado e deu um toque especial.
Como prato principal, truta ao limoni. O filé do peixe estava muito bom, grelhado no ponto certo. O molho de limão, que o acompanhava, sem dúvida fez toda a diferença por ser suave, pouco ácido e bastante aromático.
A bem-servida banana flambada com sorvete de creme finalizou nosso almoço.
E assim nos despedimos da charmosa e romântica Campos de Jordão, onde passamos dias muito agradáveis.
Sugestão do chef: no jantar, racletes e fondues são os principais destaques do cardápio. O interior do restaurante tem pouca luz e bastante madeira, o que ajuda a criar um ambiente apropriado para o friozinho da serra. Matterhorn Restaurante, Empório e Tabacaria: Praça do Capivari – Rua Djalma Forjaz, 93, loja 20 – Vila Capivari – Campos do Jordão – SP. Tel.: (12) 3663-1841.
Um opção bem interessante para quem está em Campos do Jordão é conhecer a fábrica da cervejaria Baden Baden.
Apesar de ter sido comprada pela Schincariol, todas as cervejas da marca continuam sendo elaboradas na mesma fábrica, em processo artesanal. Uma das funcionárias comanda a visita, no entanto o mestre cervejeiro está sempre por lá para responder às curiosidades dos visitantes. Impressiona, de cara, descobrir que uma cerveja com portfólio tão amplo e uma ótima distribuição (pelo menos em São Paulo) é produzida em um espaço tão pequeno!
A visita é uma boa oportunidade para entender melhor os detalhes da produção de cervejas. Há explicações, por exemplo, sobre a função de cada ingrediente e sobre o que difere uma cerveja puro malte das outras.
Entre as curiosidades, você saberá que a Baden Baden do estilo Bock recebe adição de açúcar mascavo. Com duração aproximada de 30 minutos, a visita termina com degustação de dois estilos de chopp: pilsen e bock.
E o melhor é que tudo isso é de graça, basta ligar e agendar um horário.
Sugestão do chef: A fábrica da Baden Baden conta com uma lojinha que vende todas as cervejas da marca e ainda uma enorme variedade de copos e camisetas estilizados.
Fábrica da Baden Baden: Av. Mateus da Costa Pinto, 1653 – Vila Santa Cruz – Campos do Jordão – SP – Tel.: (12) 3664-2004. Horário de funcionamento: diariamente das 10:00 às 17:00.
O local escolhido para o jantar naquela noite fria em Campos do Jordão não poderia ter nome mais sugestivo: Festival Della Pasta.
Comandado por um chef italiano, o restaurante tem como principal atração uma degustação de sete receitas de diferentes regiões da Itália, a R$ 38,90 por pessoa. Elas são servidas em porções reduzidas e o cardápio muda a cada dia. Sabíamos que o jantar seria farto, mas nem por isso recusamos o couvert (R$ 7,90) com berinjela e azeitona, cenoura, tomate seco e um pão caseiro que desmancha na boca.
O festival começou com nhoque de tomate fresco e rúcula, uma receita bem leve, originária da região de Marche.
Em seguida fomos servidos de lasanha de couve-flor e bacalhau, típica de Moglise, no sul da Itália. Essa não empolgou.
Para compensar, um delicioso Strozzapreti com ossobuco. Essa massa parecida com o fusilli, pelo que soubemos, é originária da região de Lazio. Foi a preferida da Débora.
Um intervalo nas massas para provar o bom risoto de alho poró e provolone, trazido do Vêneto.
Já estávamos quase satisfeitos quando chegou à mesa o Casoncelli. Prato mais exótico da noite, consiste em uma saborosa massa de batata e beterraba com canela. Nasceu no Piemonte e nos surpreendeu pela aparência e sabor diferentes de quase tudo o que conhecíamos da culinária italiana.
Na seqüência fomos servidos de uma excelente berinjela recheada de fetuccine e molho rosé, receita da Lombardia.
Já tínhamos perdido a conta de quantos pratos havíamos provado quando foi anunciado o último deles. Direto da Calábria, o Farfalle com molho de nozes foi, na minha opinião, o melhor da noite. E olha que a concorrência era forte!
Sugestão do chef: é possível levar para preparar em casa algumas massas produzidas artesanalmente no restaurante. Estão disponíveis ravióli, fettuccine, strozzapreti, nhoque e lasanha.
Festival Della Pasta: Rua José Manoel Gonçalves, 160 (Vila di Siena) – Vila Capivari – Campos do Jordão – SP – Tel.: (12) 3663-7300
Campos do Jordão é uma cidade acolhedora. Por lá é possível relaxar em meio ao verde da natureza, curtir o clima frio, passear pelas ruas estreitas repletas de lojas de malhas e artesanato. É também um bom lugar para se deliciar com a variedade de chocolates e, especialmente para nós, se esbaldar com as excelentes opções gastronômicas.
Sempre que vamos para Campos nos hospedamos no centro de Capivari, região com grande oferta de lojas, entretenimento, hotéis, pousadas e, claro, bares e restaurantes. Mas mesmo com toda essa variedade, existe um lugar que é parada obrigatória: o restaurante e confeitaria Bia Kaffee. Localizado numa ruazinha bem estreita, o Bia Kaffee se destaca por funcionar numa casa de madeira que bem parece uma casinha de bonecas. Seu interior tem pouca iluminação e a decoração é rústica e charmosa.
O local serve pratos da culinária alemã e apresenta boa carta de cervejas nacionais e importadas. Para nosso almoço, optamos pelas trutas, um dos pratos mais tradicionais em boa parte dos restaurantes da cidade. O Fernando ficou com a Truta da Kris (R$ 29,80) – truta gratinada, molho de shitaki, shimeji e champignon ao vinho, arroz com amêndoas e cenoura caramelizada. A combinação do molho de cogumelos com o vinho ficou muito boa e o prato estava delicioso.
Apesar do frio daquela tarde, eu fui de Truta Tropical (R$ 26,40) – filé de truta assada com molho de mandioquinha, manga gratinada e arroz. Prato leve e tão bom quanto o do Fernando.
A escolha da sobremesa não foi uma tarefa rápida. A fama da confeitaria do Bia Kaffee corre pela cidade. Na estreita (e escondida) vitrine estão algumas opções das caprichadas tortas feitas no local, boa parte delas com baixa concentração de açúcar.
Depois de muito pensar, dividimos a torta de noz pecã com açúcar mascavo e a torta mousse de chocolate, ambas a R$ 7.
A torta mousse era mais doce e úmida, já a de noz pecã, além de menos açucarada, estava bem mais seca. Servidas em pedaços generosos, finalizaram muito bem nossa refeição. Depois de alguns passeios pela cidade, retornamos ao Bia Kaffee para tomar um cafezinho acompanhado por um pedaço do saboroso e bem recheado Apfelstrudel (R$ 7,50).
Nossa missão, depois dali, seria começar a pensar no jantar…
Sugestão do chef: o Bia Kaffee é uma ótima opção para um café durante a tarde. Além das tortas e bolos, apresenta extensa carta de chás com mais de cinqüenta sabores da bebida.
Bia Kaffee: Rua Isola Orsi, 33 – Capivari – Campos do Jordão – São Paulo – SP. Tel: (12) 3663-1507
Desde o início da primavera planejamos passar uns dias em Paraty. Mas como o tempo não anda colaborando e a primavera está chuvosa e gelada, trocamos a praia pelas montanhas e aproveitamos um pouco o ar puro e o clima frio de Campos do Jordão para descansar e, claro, para comer bem. Enquanto escrevemos os textos, preparamos um pequeno vídeo com o resumo da viagem.
Ir a Campos do Jordão e não sentar em uma das mesas do Baden Baden para bebericar uma das produções da cervejaria homônima, instalada na cidade, é o tipo da coisa que não se deve fazer.
Na verdade existem duas unidades da choperia. Elas ficam frente a frente, separadas apenas pelo corredor de um pequeno boulevard. Não é difícil perceber que o segundo espaço surgiu por causa da fama que o local foi conquistando ao longo dos anos.
Os guias costumam omitir que há também uma lojinha destinada a quem quer levar pra casa cervejas avulsas ou em caixas de presente, além de copos estilizados. No cardápio prevalecem as especialidades alemãs, mas como nosso interesse por lá era mesmo pelas bebidas, pedimos logo dois chopes: cristal (pilsen) e weiss (de trigo), ambos com preço na faixa dos R$ 7. Claro que ambos satisfazem, mas não conseguimos disfarçar que as versões engarrafadas, que conhecemos de longa data, parecem superiores. Para nossa surpresa, o chope pilsen (à direita na foto) chegou à mesa no mesmo copo característico das cervejas de trigo.
Antes de pegar a estrada de volta para São Paulo, fazemos outro brinde e lembramos que a Baden Baden está mais do que desculpada por eventuais tropeços. Isso pelo importante papel que desempenha entre as microcervejarias brasileiras, sendo, inclusive, considerada a primeira cerveja “gourmet” do País. Toda a produção obedece à Lei de Pureza da Baviera (Reinheitsgebot) — criada em 1516 —, segundo a qual a cerveja só pode ter os seguintes ingredientes: cevada, lúpulo e água pura, além do fermento, incluído posteriormente. Por falar em qualidade, os mestres cervejeiros costumam dizer que uma ótima água é fundamental para produzir boas cervejas. E se a água é alma da bebida, dá pra dizer que a alma da Baden Baden é pura, suave e cristalina. Isso fica claro, principalmente, ao provar a Cristal (pilsen). É tão leve que permite sentir o gosto da água mineral captada nas montanhas de Campos do Jordão. Toda essa leveza faz a Baden Baden Cristal arrancar elogios das mulheres – a Débora que o diga.
A cervejaria disponibiliza o ano todo diversas versões, entre as quais Red Ale, Golden, Stout e Bock além de edições sazonais. Fora a choperia, quem vai a Campos do Jordão pode visitar a fábrica e conhecer de perto o processo de produção.
De passagem por Campos do Jordão, depois de muita chuva e neblina na estrada, uma pausa dedicada à famosa gastronomia local.
A opção é pelo pequeno e aconchegante Safári Café. O cardápio é variado e conta com crepes franceses, carnes grelhadas e risotos, entre outras opções. Por algo em torno de R$ 40 foi possível combinar risoto de pinhão com salmão grelhado. Bom, sem ser espetacular. Aliás, risotos espetaculares, definitivamente, não são assim tão fáceis de encontrar.
Fizemos bem em não acreditar que o combinado servia duas pessoas, por isso pedimos uma das várias opções de batata assada no forno a lenha: recheada de truta defumada e farofa de amêndoa. Só não sabíamos que a batata, como atesta a foto, serve duas, quem sabe três pessoas. Deliciosa, recebe farta cobertura de três queijos, o que combina muito bem, porém ofusca o sabor da truta e das amêndoas.
No quesito bebidas, a Débora elogiou os sucos e eu senti falta de boas cervejas (a Nova Schin Munique está na foto por pura falta de opção). Nesse ponto, o quase vizinho Baden Baden é imbatível. Saímos sem agüentar sequer olhar pras sobremesas. E com a promessa de voltar pra experimentar os crepes.
Safári Café: Rua Djalma Forjaz, 139 – Vila Capivari – Campos do Jordão – Tel: (12) 3663-4936
Designer gráfica como profissão e gulosa nas horas vagas. Apaixonada por cores e animais (especialmente os gatos), não consegue ficar muito tempo sem viajar. Ama recordar os aromas e sabores que descobriu pelo mundo a fora e acredita que o ato de comer não é apenas necessidade física, mas sim, um sentimento.
Fernando Salles
Adepto da slow life que sobrevive há uns 10 anos no mundo caótico do jornalismo. Adora ouvir Neil Young, beber boas cervejas e ver o Corinthians jogar. Concorda que é caminhando que se faz o caminho, vê o mundo como um lugar a ser descoberto e jamais sai pra "comer alguma coisa", porque refeição é coisa bem séria.