Colonia del Sacramento e as massas do Mesón de La Plaza

Na segunda-feira, momentos antes de nosso city-tour por Buenos Aires, fomos até a central da Buquebus e compramos as passagens de barco para Colonia del Sacramento, encantadora cidade do Uruguai tombada pelo patrimônio histórico da Unesco. A opção do buque rápido faz o trajeto em cinquenta minutos e custa 218 pesos por pessoa (ida e volta). O barco, além de grande e confortável, tem um ótimo free shop com boas promoções.

A beleza arquitetônica de Colonia torna o passeio rico mesmo quando o céu nublado e a chuva tentam atrapalhar.

Impossível não admirar as casas, o pier, a vista do rio De la Plata, a praça e as ruínas históricas.

As lojas de artigos em couro e o artesanato garantem aos turistas boas opções de compras. E as dezenas de restaurantes, a maioria especializada em carnes ou massas, aguçam o paladar de qualquer viajante.
Na cidade, praticamente todos os restaurantes disponibilizam o cardápio na entrada. Por isso, demos voltas e mais voltas para olhar diversas opções antes de escolher onde iríamos comer. Afinal, só tínhamos tempo para um almoço por lá… e nessas idas e vindas, nossa ideia inicial de provar o churrasco uruguaio foi abortada ao depararmos com o menu do Mesón de La Plaza.

Ficamos indecisos entre as massas e os pratos à base de cordeiro. Mas concordamos logo em relação à bebida: Clericó (165 pesos uruguaios), sangria feita com vinho branco reserva.

Petiscamos os pães do couvert com manteigas e maionese temperadas enquanto nos decidimos, finalmente, pelas massas.

Eu fui de Sorrentinos de Vino y Cordero (240 pesos uruguaios), com massa à base de vinho branco, recheado de cordeiro e servido com molho pomodoro. Mesmo com recheio farto, a massa estava muito leve e o frescor do tomate e do majericão colaboraram para o sucesso do prato.

O Fernando também se saiu muito bem com a sua escolha. Os Ravioles a la Príncipe de Nápoles estavam excelentes (180 pesos uruguaios). Massa caseira recheada de verdura e molho com creme de leite, champignon, presunto, molho inglês e de tomate. Tudo gratinado com um bom queijo Gruyere.

Depois de pratos ótimos, estávamos certos de que a sobremesa também seria muito boa, afinal, algo que leva o doce de leite daquela região não pode ser ruim, não é mesmo? Felizmente as Panqueques de Dulce de Leche não nos decepcionaram (65 pesos uruguaios).

Vale mencionar que a equivalência em reais do peso uruguaio é (bem) diferente do peso argentino. Nossa conta, incluindo água e o serviço, saiu por 755 pesos uruguaios, algo em torno de 151 pesos argentinos ou perto de 76 reais na época.
Com este post, encerramos nossos relatos da viagem por Buenos Aires, San Isidro, Tigre e Colônia del Sacramenro. A partir dos próximos dias, postaremos visitas a bares, restaurantes e afins em Santa Catarina e Paraná, estados por onde passamos nos últimos meses, além, é claro de São Paulo.

Sugestão do chef: no centro histórico de Colonia del Sacramento há uma loja da marca Punta Ballena, fabricante dos alfajores uruguaios bastante conhecidos no Brasil.

Mesón de La Plaza: Vasconcellos, 153 ­– Colonia del Sacramento – Uruguai – Tel.: (598) 52 24807.



Alfajor Capitan del Espacio

Tenho um amigo que é argentino e mora em Buenos Aires. Seu nome é David Gargiulo e sempre que conversamos ele faz algum comentário referente a algo que leu aqui.
Depois de ver esse post, o David me escreveu e contou sobre um alfajor especial para ele. Achei que seria uma boa divulgar no blog. E para sorte de todos, ele ficou feliz e agora sempre que descobrir algo legal por lá, vai nos enviar. Aliás, já está preparando um novo texto.

“Como Argentino reniego de muchas cosas malas de este pais, menos a la hora de comer, sobre todo un alfajor. Aca uno va a un Kiosko y puede seleccionar entre muchos alfajores diferentes desde 0.60 hasta 2.00 pesos, o sea, unos 0.15 a unos 0.70 centavos de dólar. Pero hay un alfajor de muy bajo perfil, que solo se encuentra en la parte sur de Buenos Aires, casi una leyenda urbana, pero sin dudas unos de los alfajores mas ricos que conozco. Se llama Capitan del Espacio, y solo viene en dos sabores, chocolate y dulce de leche.

Este alfajor nació hace unos 40 años en la ciudad de Quilmes, y el nombre es tan bizarro como su aspecto. A simple vista es un alfajor simple, sin nada fuera de lo comun, pero realmente la gente que lo consume son casi adictos, con un gusto casi único, hace que después de 40 años la gente lo siga comprando. Yo lo comia de chico cuando iba al colégio y 20 años después sigo con el mismo alfajor. Y por unos 0.18 centavos de dólar el simple y unos 0.30 centavos de dólar el doble, lo hace uno de los mas economicos del mercado… Todo un mistério.”



Alfajor: guloseima hermana

Se para o Fernando a especialidade argentina são as carnes, para mim são os alfajores.

De origem árabe, foi na Argentina que o alfajor se popularizou e há 130 anos é a “golosina” típica preferida.
Com mais de 150 fábricas espalhadas por todo país e em 34 versões diferentes, o doce é fácil de ser encontrado e consumido não apenas como sobremesa. O tradicional é recheado com o “dulce de leche” argentino, superior a qualquer doce de leite brasileiro, por melhor que seja.
Das diversas marcas existentes a mais conhecida é a Havanna, cuja produção teve início em 1947, na cidade de Mar del Plata.

E o que era exclusividade dos argentinos – e uruguaios – finalmente aterrissou em território tupiniquim no ano passado. Inclusive, já fizemos um post sobre a Torta Rogel, que ao lado dos alfajores é o melhor doce do Café Havanna, seguido das Havannets, cones de chocolate recheados com muito doce de leite.

E não é à toa que os alfajores Havanna são os preferidos dos argentinos e fazem o maior sucesso entre os brasileiros. A massa tem sutil gosto de rum e o doce de leite do recheio leva baunilha. Custa R$ 4 e pode ser encontrado nas versões chocolate branco, ao leite e maizena.
Apesar da proximidade entre Brasil e Argentina é difícil achar outras marcas da iguaria por aqui. Certa vez experimentamos o da Bonafide, empresa especializada em chocolates que só começou a fabricar alfajores recentemente. Talvez por esse motivo não passou de razoável.

Mas, por incrível que pareça, nosso alfajor argentino preferido é brasileiro, ou melhor, paulistano. Você deve estar me chamando de louca, né? Mas calma que eu já explico.
Há mais de vinte anos os alfajores Itati são produzidos pela dona Laila, uma senhora argentina que segue a receita de sua terra natal.

A massa é leve e o recheio farto. Impossível não se deliciar! O que mais gosto é recheado com doce de leite puro e coberto com chocolate ao leite (R$ 1,80). Já o Fernando prefere a cobertura de chocolate meio-amargo.
Goiaba, nozes, castanha de caju, limão, café e chocolate branco estão entre as outras opções (a maioria por R$ 2,20).
Além de uma discreta lojinha, os doces são vendidos em vários estabelecimentos da capital, como docerias, supermercados e empórios.

Sugestão do chef: Caso você more em uma região onde o alfajor não é encontrado facilmente, o jeito é reservar um espaço na bagagem de alguém que viajou rumo ao país dessa “golosina”.

Alfajores Itati: Rua Fernão Cardim, 56, Jardim Paulista. Tel.: 3287–2840
Bonafide: http://www.bonafide.com.ar/
Havanna: http://www.havanna.com.br/