No ano passado, o Havanna Café desembarcou no Brasil trazendo os famosos alfajores de Mar Del Plata.

Apesar da fama, a guloseima não é o que a cafeteria argentina pode oferecer de melhor: o ponto alto mesmo é um doce típico do Uruguai. A torta Rogel (R$
é feita com uma leve massa em várias camadas, intercaladas com o delicioso doce de leite argentino e, como se não bastasse, ainda recebe cobertura de marshmallow.
Recentemente resolveu copiar o Santo Grão contratando atendentes moderninhos.
Sugestão do chef: Entre os freqüentadores prevalece o “estilo Jardins”. Mas deixa isso pra lá, a torta Rogel compensa.
Havanna Café: R. Bela Cintra, 1829 – Jardins – São Paulo – SP
Tel: (11) 3082-5722 Site: www.havanna.com.br
Na edição da semana passada, a revista Veja publicou matéria na qual, acreditem, tenta convencer seus leitores de que não existe vantagem nenhuma em consumir alimentos orgânicos.
Entre outras afirmações, o texto dizia que considerar os orgânicos mais saudáveis por não conterem agrotóxicos não passa de uma “percepção leiga”. O Portal Orgânico publicou uma resposta à matéria, apoiada por cerca de 70 empresas, instituições e pesquisadores da área. Vale a pena entrar lá e conferir:
http://www.portalorganico.com.br/
Vem de muito longe uma novidade que começa a aparecer nos empórios brasileiros. É a cerveja australiana Coopers, vendida por aqui em três versões. Experimentamos uma delas, a Pale Ale, com 4,5% de teor alcoólico e sabor um pouco mais leve que as congêneres.
Num teste cego (sem Kaiser, claro) pode ser que alguém confunda seu sabor com uma pilsen. Parece exagero, e pode até ser, mas digo isso pela leveza e pela ausência de amargor. Na aparência, porém, ela não engana: sua cor âmbar denuncia se tratar de uma pale ale.
Sugestão do chef: Experimente sem grandes pretensões, pois não é a melhor cerveja que você já tomou. Mas é boa.
Já falamos algumas vezes e falaremos outras mais sobre cervejas importadas e brasileiras especiais, portanto nada mais justo que indicarmos um local para comprar boa parte delas. Mas se você ficou esperando comentário sobre um luxuoso empório, pode esquecer, pois o Imigrantes Bebidas está mais para um atacadão mesmo.
Espaço democrático no qual gente ávida por vinhos e cervejas artesanais esbarra em clientes que se dirigem ao caixa com um litro de 51 para a caipirinha de domingo.
Pra se ter idéia de quão pluralista é o lugar, em uma das últimas compras presenciamos cena que já virou lenda para nós. Enquanto um casal enchia o carrinho de Norteña, vendida a R$ 6,99, um tiozinho de camisa aberta e bigodinho no melhor estilo malandro carioca berrava espantado: “Sete conto uma garrafa?”. E, ainda revoltado, seguia para degustar em copo de plástico uma aguardente envelhecida em chapas de compensado.
Sugestão do chef: Vinho, cerveja, uísque, vodka, licor, saquê, suco de uva integral. Tem tudo isso lá, disponível no atacado ou no varejo.
Imigrantes Bebidas: Av. Miguel Stéfano, 2096 – Água Funda – São Paulo – SP – Tel: (11) 5058-2099 – Site: http://www.imigrantesbebidas.com.br/
Depois de três longos anos planejando, cumprimos a tão esperada promessa de conhecer a churrascaria Fogo de Chão.
Eleita detentora do melhor churrasco de São Paulo pela Veja, Gula, entre outras, e sempre muito bem cotada no meio gourmet, a Fogo de Chão tem como proposta a fidelidade ao autêntico churrasco gaúcho. Com cinco unidades no Brasil e oito nos Estados Unidos, a churrascaria agrada muito aos turistas estrangeiros, especialmente os da terra do Tio San.
A decoração é exuberante (inclusive com carpete no chão, coisa que nunca tínhamos visto em outros restaurantes!), os garçons vestem trajes típicos e há uma imensa adega cercando toda a área do salão principal.
Por R$ 65, o rodízio oferece picanha, bife ancho, fraldinha e diversos outros cortes nobres. A carne é gostosa, mas nada de espetacular. Achamos, inclusive, que em alguns cortes faltava sal.
A mesa de saladas é básica, apenas um pouco mais “arrumadinha”, o que a faz parecer luxuosa.
A caipirinha, bebida mais apreciada pelos “gringos”, é servida em copo pequeno e sua versão com saquê sai pela bagatela de R$ 19.
Um fato curioso foi prestar um pouco de atenção nas pessoas presentes e ver que a grande maioria parecia estar uniformizada: vestidos e jóias para as mulheres; calça, camisa (ou pólo) e mocacim para os homens. Em seus pratos também não se via a tradicional fartura da comida brasileira.
O almoço foi bom, mas já comi em churrascarias mais simples, inclusive na região Sul, com preços muito menores e qualidade igual ou superior a apresentada pela Fogo de Chão.
Mas não pense você que tivemos um almoço indigesto, ao contrário, ele foi muito divertido! É que logo na chegada à churrascaria, o Fernando não conseguiu disfarçar a ansiedade de finalmente estar ali e “causou” (como ele mesmo costuma dizer”) uma cena muito engraçada, um verdadeiro “mico”, usando a linguagem popular. No saguão de entrada há uma mesa com alguns sofás e em um deles estavam sentadas duas moças, que petiscavam castanhas servidas especialmente para elas. Quando o Fernando entrou, a primeira coisa que fez, antes mesmo de cumprimentar o garçom, foi ir direto ao pote de castanhas para pegar algumas. Gentil, como sempre, ainda fez questão de me oferecer! Foi aí que os elegantes e refinados garçons da churrascaria caíram no riso, mas nem assim o ladrão de castanhas percebeu o motivo de tamanha alegria.
Isso me rendeu uma ótima história para contar pros netos, além da oportunidade de rir durante o almoço um tanto quanto sem sal.
Na hora de ir embora, a conta chegou com duas drágeas de chocolate de menta. Na saída, um daqueles garçons risonhos trouxe um punhado dessas drágeas e entregou para o Fernando. Acho que essa foi a forma que ele encontrou de evitar mais um furto e precisar chamar os seguranças…
E aí que tudo isso me lembrou aquele comercial da Master Card: caipirinha de saquê, R$ 19. Rodízio por pessoa, R$ 65. Causar dentro da churrascaria preferida da elite paulistana, não tem preço!
Sugestão do chef: Termine com a Homenagem ao Porto, um delicioso mousse de chocolate crocante com recheio de vinho do Porto e molho nougat. A sobremesa vem coberta de pó de ouro e acompanhada de uma taça de vinho do Porto.

Fogo de chão: Av. dos Bandeirantes, 538 – Brooklin – São Paulo – SP – Tel: (11) 5505-0791 – Site: www.fogodechao.com.br
A Oettinger Hefeweissbier Naturtrüb (trigo clara) até começa bem. O aroma agrada, a cor lembra suas melhores concorrentes e no primeiro gole o gosto satisfaz.
Em geral, não é frescura dizer que uma cerveja de trigo é frutada. Nessa, em especial, percebem-se “notas” (baixou o Saul Galvão) de banana e, no final, gosto de especiarias, principalmente cravo.
Porém, em se tratando de cerveja não é mesmo a primeira impressão que fica. Ao continuar a degustação se torna fácil notar o excesso de gás, a ausência de espuma – imperdoável para uma weiss – e, o mais frustrante, uma leveza desproporcional que se traduz em falta de corpo, deixando a bebida até um pouco aguada.
Futuramente vamos provar a versão engarrafada para verificar alguma diferença. Por enquanto, dá pra dizer que, apesar de produzida desde 1731, a Oettinger é prova viva de que nem tudo que reluz é ouro. Ou, na linguagem do chef, nem tudo o que vem da Alemanha é cerveja excelente.
E por falar nas cervas germânicas, enquanto lá eles definiram há 500 anos que conservantes e cerveja não formam par, por aqui alguém deve ter achado mais importante definir que as latas de cerveja precisam ser todas iguais: claras, com tons dourados e letras, na maioria das vezes, em vermelho. Provavelmente menos por culpa dos nossos designers de embalagem do que da ausência de ousadia dos executivos que aprovam as criações deles. Repararam como até uma cerveja alemã razoável é acondicionada em uma linda lata?
Sugestão do chef: Só leve pra casa se a única outra opção de cerveja de trigo disponível na prateleira for a Bohemia Weiss.
Há quase um mês está no ar este blog (antes em outro endereço) feito por dois paulistanos e até agora nenhuma mísera referência à palavra “pizza”. Sem perder tempo tentando justificar o injustificável, vamos logo falar sobre a Bendita Hora, pizzaria de sucesso no bairro de Perdizes.
Quem chega passa pela sala da casa e dá de cara com um rústico bar e uma coleção de vinis de fazer inveja. Ao atravessar o corredor já é possível ter idéia da beleza da área externa dessa antiga chácara com ambientes pra lá de agradáveis. A luz baixa torna o clima propício para um vinho em boa companhia, apesar da enxuta carta.
Durante a semana a casa serve uma mesa de antipastos, mas o que interessa mesmo são as pizzas.
Quem gosta de massa fina vai se deliciar, por exemplo, com a francesa, que leva mussarela, catupiry, tomate seco e azeitonas pretas (R$ 38). Ao contrário da imensa maioria das pizzarias, a Bendita Hora corta as redondas em doze pedaços, e não em oito. Bom principalmente para mesas com muita gente.
O ponto negativo foi conferir a conta e perceber que a casa cobrava o dobro do preço marcado no cardápio pela dose de baileys, que pedimos para acompanhar o sorvete. São “equívocos” desse tipo que, por coincidência, jamais beneficiam o cliente.

Sugestão do chef: Em vez de finalizar com um goró para auxiliar a digestão, peça um cafezinho, que, além de muito encorpado, vem acompanhado de uma exótica gelatina feita de pinga.
Bendita Hora: R. Vanderlei, 795 – Perdizes – São Paulo – SP – Tel: (11) 3862-0622 — Site: www.benditahora.com.br
Sim, existe um lugar em que é possível comer um ótimo bacalhau sem zerar a conta bancária. É o Ora Pois!, restaurante português da boêmia rua Fidalga, na Vila Madalena.

Comece pela excelente porção de bolinhos de bacalhau (R$ 12), crocantes por fora e cremosos por dentro, sem dúvida os melhores que já provamos. Tão bons que quando lembramos de fotografar só restava o último.
Como prato principal, são várias as opções de bacalhau para duas pessoas, todas acompanhadas de arroz branco e com preço abaixo dos R$ 40. O bacalhau à espanhola (R$ 30) leva lascas do peixe com pimentão, grão de bico e batatas, tudo com bastante azeite.
Se for pedir um vinho, opção de ótimo custo X benefício é o Real Lavrador (R$ 23 a garrafa, R$ 7,50 a taça). Agora, se preferir tornar a bebida companhia para a sobremesa, saiba que o vinho do Porto Adriano cai muito bem com qualquer um dos doces portugueses servidos na casa.
Aliás, se existe uma falha no restaurante é o fato do cardápio não explicar bem as características de cada doce. A impressão que fica é que meia-dúzia deles são idênticos, o que não é verdade. Nada que chegue a comprometer.
Sugestão do chef: Ficou na dúvida na hora de escolher? Chame o garçom Paulo. Sempre de bom humor, ele dará as melhores dicas sobre que prato pedir, que bebida escolher e quais as combinações mais apropriadas.
O Bar Anhanguera parecia ter surgido pra quebrar a monotonia dos bares que aparecem a todo instante em São Paulo apostando exclusivamente na dupla cervejas básicas e carnes grelhadas. O problema é que não basta ser diferente, é preciso manter a qualidade.

Mas vamos começar com a parte boa. Por lá, é possível encontrar diversas cervejas especiais produzidas em terras tupiniquins, como a mineira Backer, a fluminense Therezópolis Gold e a gaúcha Dado Bier (entre R$ 4 e R$ 15), ainda raras em solo paulistano.
Na primeira visita, a gelada que aguçou mesmo nossa curiosidade foi uma pilsen chamada Haus Bier, da qual eu, Fernando, que saio por aí me passando por cervejeiro, nunca tinha ouvido falar. O detalhe mais curioso é o seu local de origem, a longínqua cidade de Vilhena, em Rondônia.
Pedi logo pra ser apresentado a uma long neck e gostei bastante. É leve, porém saborosa, acima da média das pilsen mais populares do mercado. Semanas depois fiquei sabendo que em Porto Velho tem até choperia da Haus Bier. Entrou pra lista de locais que o Brincando deve conhecer.
Outro ponto positivo do bar é o atendimento. Quem pede uma cerveja especial por lá não corre o risco de observar fenômeno comum em alguns outros locais: ver o rosto do garçom se transformar em um enorme ponto de interrogação logo após ouvir o pedido.
Até aí a proposta funciona bem, porém chegou a hora de justificar o início do texto. Pois bem, é nos tira-gostos que a coisa pega. Na primeira visita, do criativo cardápio, inspirado nas cinco regiões brasileiras, escolhemos a porção de nome Moraes Navarro, que consiste em bolinhos de carne com castanha-do-Pará. De imediato se tornou candidata ao I Prêmio Brincando de Chef de Gastronomia, que promoveremos em dezembro. Porém, em um outro dia (na 3ª visita) , a delícia de outrora tinha se transformado em uma fritura encharcada em óleo e com um inexplicável gosto de salgadinho requentado no microondas.
Depois de algumas cervejas pra tentar esquecer, resolvemos pedir a sobremesa de nome São Francisco. Tradução: quindim com sorvete de tapioca e saladinha de frutas. Depois da primeira colherada, chegamos ao consenso de que aquela não era nossa noite. Isso porque também já tínhamos provado antes e ficado com água na boca. Dessa vez, o quindim não parecia o mesmo e o sorvete artesanal de tapioca tinha sido substituído, sem qualquer aviso, por sorvete de coco desses de supermercado.
Um pena, pois é um lugar agradável, com bom atendimento, ótimas opções de cerveja e fica fora do manjado circuito noturno da cidade. Só resta esperar que o Anhanguera corrija os erros e que tudo não tenha passado de desacertos em uma noite cujo movimento estava acima do normal.
Bar Anhanguera: Rua Tito, 25 – Vila Romana – São Paulo http://www.baranhanguera.com.br
Entender a classificação dos azeites de oliva virgem, conhecer detalhes sobre a produção desde a colheita até a prensagem, aprender o que é importante observar na hora da degustação. Tudo isso já seria motivo suficiente para visitar o site da Casa do Azeite Espanhol, entidade que promove o consumo do azeite daquele país em terras brasileiras. Mas a melhor notícia mesmo é que quem navega pela página pode ganhar ótimos livros de receita.
Para tanto basta responder a um quiz on-line sobre azeite. Nem é preciso ser expert no assunto porque antes de arriscar um palpite dá pra consultar uma enciclopédia virtual com todas as informações detalhadas.
Cada resposta certa vale 10 pontos e com 75 acertos você já poderá receber em casa o livro Reescrevendo a culinária brasileira com azeite de oliva espanhol (144 págs.). Resultado de um ano de pesquisa, a obra traz adaptações de 88 receitas típicas das cinco regiões brasileiras, como moqueca capixaba, feijoada carioca e pudim de tapioca.
E se você perdeu a paciência só de pensar em ter de responder a tantas perguntas de uma só vez, outra boa notícia é que, efetuado o cadastro no site, é possível voltar a responder o quiz a qualquer momento, sem perder a pontuação conquistada.
Casa do azeite Espanhol: www.azeite.com.br
Então se a melhor sorveteria da capital paulista não se chama Häagen Dazs, qual é o nome dela? A resposta é: Art Gelatti.
Inaugurada há cerca de dois anos por um casal de argentinos no bairro de Moema, mesmo cercada por concorrentes de respeito como Stupendo, Taperebá e Ofner, conquistou clientes cativos na região.
Era mesmo de se esperar, já que o estabelecimento alterna 48 variedades de sorvetes artesanais consistentes e de sabor refinado. Destaque para as versões com doce de leite argentino, iguaria com fama justificada. Algumas delas são: doce de leite com nozes, tradicional e doce de leite com chocolate.
Por falar em chocolate, o sorvete em que o doce aparece misturado à Nutella é um dos melhores. Não faltam também opções mais refrescantes como menta branca, mousse de maracujá, kinotos ao whisky, piña colada e mousse de framboesa, que podem ser apreciados em porções generosas de dois sabores pelo valor de R$ 6.
Decorada com releituras bem-humoradas de pinturas famosas – entre as quais a Monalisa segurando um copo de sorvete –, a casa oferece ainda panquecas doces, churros e drinks com sorvete. Por lá também é possível adquirir os famosos alfajores Itati, sobre os quais dedicaremos espaço em breve.
Art Gelatti: R. Gaivota, 523 – Moema – São Paulo – SP — Telefone: (11) 5051-2907 (Local fehado)
É só surgir uma eleição para os melhores de São Paulo que a Häagen-Dazs vai lá e ganha na categoria sorveteria. No guia da Veja, só pra exemplificar, ganhou nada menos que nos últimos seis anos. Para tirar a história a limpo, fomos numa tarde típica de verão até a principal unidade da rede americana na cidade, situada na rua Oscar Freire.
De frente para o balcão tivemos a nítida sensação de que o melhor a fazer era escolher rápido para não corrermos o risco de sermos atropelados pela fila que não parava de aumentar. Saímos com chocolate belga e sorbet de amora. Ambos nos pareceram doces demais (e olha que para a Débora dizer que algo está doce precisa ter muito, mais muito açúcar mesmo!), fato estranho pois qualquer belga costuma dizer que um bom chocolate é composto por alta concentração de cacau e pouco açúcar.
Mais refrescante, o sorbet combinou melhor com o forte calor. O tempo quente deve ter alterado a consistência dos sorvetes, exageradamente cremosos. Outra decepção, talvez a maior delas, tivemos ao ver a quantidade servida, irrisória pelo preço cobrado.
Quanto ao público freqüentador, o perfil é o mesmo que se vê nas famosas grifes de roupas vizinhas à sorveteria: mulheres da elite paulistana desfilando as tendências do mundo fashion, geralmente acompanhadas por homens que não dispensam uma camisa social mesmo em fins de semana de calor escaldante.
Longe de ser desprezível, porém mais longe ainda de ter o melhor sorvete de São Paulo.
Häagen-Dazs: R. Oscar Freire, 900 – Jardins – São Paulo – SP Telefone: (11) 3062-1099 – Site: www.haagendazs.com.br
Ainda sobre o episódio Baden Baden, li que três dos quatro fundadores haviam deixado o negócio no ano passado. Só ficou um deles, sobrecarregado com os encargos.
Em função de seu sobrenome (Vasconcelos), é conhecido como Vasco, nome de time de futebol (não dos meus preferidos, apesar de alvinegro). E é justamente numa analogia com o futebol que tento imaginar o sentimento dele nesse momento.
Digo isso por que precisou de ousadia para produzir cervejas gourmet em um mercado no qual grande parte dos consumidores escolhe o mais barato líquido que lembre cerveja para encher a cara no fim de semana. Mesmo assim, produziu a primeira versão de alta fermentação (ale) de um país em que a cada esquina se ouve que “a melhor cerveja que existe é a gelada”.
Começou a ver seu empreendimento crescer, virar sinônimo de qualidade. Chegava a hora de colher os frutos, de celebrar o sucesso. Eis que… bom, o fim da história todo mundo sabe.
É como se no último minuto da decisão do campeonato o craque recebesse a bola no campo de defesa, sob forte marcação. Com um drible de corpo, surpreende o marcador e sai com a bola dominada, rompendo a linha divisória do gramado.
Percebe outro defensor vindo em sua direção disposto a parar a jogada a qualquer custo. Com um toque sutil coloca a bola entre as pernas do zagueiro e segue em direção ao gol. Mais um “tapa” na pelota e dois outros adversários já ficaram para trás.
Sem se intimidar com a sola da chuteira do último zagueiro apontada para sua canela, levanta a bola e deixa o adversário caído depois de um chapéu desconcertante.
O estádio inteiro está de pé. Em cada cidade ou vilarejo onde há uma televisão ligada as pessoas estão em silêncio, com os olhos vidrados à frente da tela, esperando apenas a definição da jogada. Só falta o goleiro, nada que um toque sutil não resolva. A bola vai entrando em câmera lenta. Enquanto corre em direção à torcida, de soslaio dá uma última olhada pra ter certeza de que a redonda foi mesmo descansar no fundo das redes. É justamente nessa hora que, atônito, observa a bola triscar a trave e escorregar em direção à linha de fundo.
Cabisbaixo, respira fundo e é consolado por um dos companheiros de time. Levanta a cabeça, olha o placar eletrônico e pensa: “Tudo bem. Está 2 X 0 pra nós, não vai fazer falta. Estamos no lucro”.
Já no vestiário, debaixo do chuveiro, não consegue mais disfarçar. “Perdi a chance de fazer história”.
Ir a Campos do Jordão e não sentar em uma das mesas do Baden Baden para bebericar uma das produções da cervejaria homônima, instalada na cidade, é o tipo da coisa que não se deve fazer.
Na verdade existem duas unidades da choperia. Elas ficam frente a frente, separadas apenas pelo corredor de um pequeno boulevard. Não é difícil perceber que o segundo espaço surgiu por causa da fama que o local foi conquistando ao longo dos anos.
Os guias costumam omitir que há também uma lojinha destinada a quem quer levar pra casa cervejas avulsas ou em caixas de presente, além de copos estilizados.
No cardápio prevalecem as especialidades alemãs, mas como nosso interesse por lá era mesmo pelas bebidas, pedimos logo dois chopes: cristal (pilsen) e weiss (de trigo), ambos com preço na faixa dos R$ 7. Claro que ambos satisfazem, mas não conseguimos disfarçar que as versões engarrafadas, que conhecemos de longa data, parecem superiores. Para nossa surpresa, o chope pilsen (à direita na foto) chegou à mesa no mesmo copo característico das cervejas de trigo.
Antes de pegar a estrada de volta para São Paulo, fazemos outro brinde e lembramos que a Baden Baden está mais do que desculpada por eventuais tropeços. Isso pelo importante papel que desempenha entre as microcervejarias brasileiras, sendo, inclusive, considerada a primeira cerveja “gourmet” do País.
Toda a produção obedece à Lei de Pureza da Baviera (Reinheitsgebot) — criada em 1516 —, segundo a qual a cerveja só pode ter os seguintes ingredientes: cevada, lúpulo e água pura, além do fermento, incluído posteriormente.
Por falar em qualidade, os mestres cervejeiros costumam dizer que uma ótima água é fundamental para produzir boas cervejas. E se a água é alma da bebida, dá pra dizer que a alma da Baden Baden é pura, suave e cristalina. Isso fica claro, principalmente, ao provar a Cristal (pilsen). É tão leve que permite sentir o gosto da água mineral captada nas montanhas de Campos do Jordão. Toda essa leveza faz a Baden Baden Cristal arrancar elogios das mulheres – a Débora que o diga.
A cervejaria disponibiliza o ano todo diversas versões, entre as quais Red Ale, Golden, Stout e Bock além de edições sazonais. Fora a choperia, quem vai a Campos do Jordão pode visitar a fábrica e conhecer de perto o processo de produção.
Baden Baden (choperia): Rua Djalma Forjaz, 93 – Capivari – Campos do Jordão – Tel: (12) 3663 3610
De passagem por Campos do Jordão, depois de muita chuva e neblina na estrada, uma pausa dedicada à famosa gastronomia local.

A opção é pelo pequeno e aconchegante Safári Café. O cardápio é variado e conta com crepes franceses, carnes grelhadas e risotos, entre outras opções. Por algo em torno de R$ 40 foi possível combinar risoto de pinhão com salmão grelhado. Bom, sem ser espetacular. Aliás, risotos espetaculares, definitivamente, não são assim tão fáceis de encontrar.

Fizemos bem em não acreditar que o combinado servia duas pessoas, por isso pedimos uma das várias opções de batata assada no forno a lenha: recheada de truta defumada e farofa de amêndoa. Só não sabíamos que a batata, como atesta a foto, serve duas, quem sabe três pessoas. Deliciosa, recebe farta cobertura de três queijos, o que combina muito bem, porém ofusca o sabor da truta e das amêndoas.

No quesito bebidas, a Débora elogiou os sucos e eu senti falta de boas cervejas (a Nova Schin Munique está na foto por pura falta de opção). Nesse ponto, o quase vizinho Baden Baden é imbatível.
Saímos sem agüentar sequer olhar pras sobremesas. E com a promessa de voltar pra experimentar os crepes.
Safári Café: Rua Djalma Forjaz, 139 – Vila Capivari – Campos do Jordão – Tel: (12) 3663-4936
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