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Em nossa preparação para a viagem ao Uruguai, lemos em diversos blogs, sites e outras publicações que o grande programa de domingo em Montevidéu é ir à Feira Tristán Narvaja. Alguns textos chegam a comparar o clima e a oferta de antiguidades ao da ótima Feira de San Telmo, em Buenos Aires. Inexplicável! A comercialização de objetos antigos se resume a um pequeno pedaço da centenária feira uruguaia. Nos muitos outros quarteirões o que se vê são frutas (até aí, tudo bem), camisas falsificadas de times de futebol, parafusos enferrujados, panelas mais do que desgatadas, roupas com manchas que nenhuma das próximas 12 versões de Vanish será capaz de remover, calotas e rádios de carro, relógios e uma série de outros itens que uma observação atenta – ou uma conversa com 2 ou 3 uruguaios não ufanistas – basta para perceber que, obviamente, foram furtados dias antes. Também não há bares e restaurante por perto.
Conforme o visitante sobe em direção à avenida 18 de Julio, a coisa fica ainda pior! Bichos de diversas espécies são expostos como se fossem mais uma quinquilharia qualquer à venda. Vimos gaiolas minúsculas com 11 gatinhos amontoados, sem sinal de água nem comida por perto. Cenário parecido acontece com coelhos, cachorrinhos, aves diversas, lagartos, aranhas, tartarugas e muitas outras espécies. Nossa sensação de impotência foi imensa por não podermos livrar aqueles seres indefesos das mãos de um tipo de gente para o qual eles não passam de mercadoria.
Mais revoltante é constatar que tudo isso acontece a cada domingo bem ao lado da principal avenida da capital do Uruguai, o que demonstra que a inspeção ambiental inexiste por lá. Não tiramos fotos da lamentável Feira Tristán Narvaja porque simplesmente não tivemos estômago, mas se quiser comprovar com imagens o que escrevemos, basta dar uma olhada aqui. Preferimos deixar uma mensagem positiva ilustrando esse post com fotos do Carlitos e do Tofu, que foram adotados por nós aqui em São Paulo, são muito bem tratados e, todos os dias, nos ensinam um monte de coisas que só quem ama e respeita os animais consegue entender.

E essa história de chamar de programa turístico locais em que seres vivos são maltratados por quem só quer lucrar com eles, definitivamente não é com a gente! Tenham certeza, caros leitores, que esse tipo de “dica de passeio” vocês nunca encontrarão por aqui.
Sugestão do chef: Em vez de ir à feira Tristán Narvaja, aproveite um de seus domingos para fazer uma doação para as instituições que cuidam dos animais abandonados ou para adotar um bichinho, caso tenha condições de cuidar dele por toda a vida. Você certamente se tornará uma pessoa ainda melhor depois dessa decisão. Conheça alguns sites que podem te ajudar a fazer isso aqui no Brasil:
• ABEAC
• Adota cão
• Adote um gatinho
• AILA
• Animais para adoção
• Anjos dos bichos
• Aqui tem cão
• Arca Brasil
• Bicho no parque
• Centro de adoção de cães e gatos
• Centro de controle de zoonoses
• Clube dos viralatas
• GreePet
• Olhar animal
• PEA
• ProBem
• Projeto CEL
• Quero um bicho
• Quintal de São Francisco
• SAVA
• União SRD
Sempre procuramos algum lugar para observar do alto as cidades que visitamos. Afinal, uma visão panorâmica costuma revelar detalhes até então imperceptíveis da organização das ruas, da distribuição das construções e das áreas verdes. Quase sempre o visual agrada. Quase! Em um de nossos excessivos dias em Montevidéu, subimos de táxi até a Fortaleza del Cerro, a última fortificação construída pelos espanhóis no Uruguai, situada no alto do Cerro de Montevidéu. Fica bem longe de qualquer outra atração turística, o que significa uma corrida bem mais cara do que o normal. E mesmo que a corrida de táxi fosse rápida e barata, não teria valido a pena.
Só se chega até lá passando no meio do bairro periférico da Villa del Cerro, que cresceu aos pés do morro e é considerado um dos lugares mais perigosos (e feios) de Montevidéu. Para ”ajudar”, o taxista errou duas vezes a rua que deveria subir, o que, sinceramente, não nos pareceu nenhuma tentativa de estender a corrida, senão uma prova de que raramente algum turista pede para ir até lá.
A Fortaleza, cujo nome oficial homenageia o General Artigas (sempre ele) abriga hoje um museu militar, e a presença de um soldado por lá dá uma certa sensação de segurança. Apesar de que o oficial só aparece para cobrar a entrada (20 pesos por pessoa/R$ 2) de quem passa pelo portão. Da área aberta, onde alguns canhões continuam posicionados, enxerga-se a cidade muito de longe. A visão mais clara é da área do porto, mas a única coisa que chama a atenção é a imensidão do rio da Prata, chamado de “mar” pelos uruguaios. A vista não vale o esforço de chegar até lá.

Quem está lá em cima – e já foi obrigado a pagar o ingresso – acaba dando uma volta no museu. Mas saiba que é preciso gostar demais de armas para se interessar pelo acervo. Não é o nosso caso! Se você quer um exemplo do que pode ver por lá, aí vai: uma das salas promete um acervo com a história da evolução das metralhadoras, porém a arma mais atual exposta é de 1916…
Em meia hora já estávamos de saída, a caminho do mesmo táxi da ida, pois a única forma de voltar de lá é pedindo pro motorista esperar. Enquanto descíamos a escada, fomos abordados por um homem mal-encarado pedindo dinheiro, cena com a qual já nos acostumávamos em Montevidéu. Quando o táxi partiu, ainda vimos quem nos abordou sentado tranquilamente lá no mirante, local ao qual só deveria ter acesso quem paga os 20 pesos da entrada. Mas dessa vez não tinha nenhum outro turista por lá, e o soldado, claro, não apareceu. Se quase toda viagem tem as suas roubadas, em Montevidéu essa tentativa de ver a cidade do alto foi a maior.
Fortaleza General Artigas ou Fortaleza del Cerro: Fica no topo do Cerro de Montevidéu. Visitas de terça a domingo.
Conhecer a Bodega Bouza é, sem dúvida, um dos melhores passeios em Montevidéu (se não for o melhor!).
A jovem vinícola tem menos de dez anos e está localizada a uns 20 minutos de carro do centro da cidade. Como nós não alugamos um automóvel, contratamos o serviço de remise para ida e volta do hotel em que estávamos hospedados. Foi bem caro (1.000 pesos no total/ R$ 100), mas por se tratar de um domingo, achamos a melhor opção, já que a cidade fica muito vazia e com poucos táxis rodando.
Chegamos à bodega por volta das 10:30h e nos impressionamos com o local. Tudo muito bonito, agradável e organizado.

É necessário ter reserva para a visita guiada e também para a degustação. Fizemos isso por e-mail bem antes da viagem. Para quem pretende só almoçar por lá, a reserva não é obrigatória.
O valor da Visita Guiada é de 200 pesos/R$ 20 por pessoa. Quem opta pela Degustação Clássica paga 500 pesos/R$ 50 e neste preço está inclusa a visita guiada, experimentação de quatro tipos de vinho da linha média e uma tábua com pães, queijos e frios. O mesmo acontece na Degustação Top, porém, os quatro vinhos são da linha mais nobre e o preço sobe para 900 pesos por pessoa/R$ 90.
O tour, coordenado por uma moça simpática e atenciosa, começou pelos vinhedos. Ela nos explicou sobre todo o processo de cultivo das uvas, em especial da Tannat, a principal casta do Uruguai.
Em outubro já pudemos ver alguns cachos crescendo. A colheita é feita sempre entre os meses de dezembro e março.

A próxima etapa foi conhecer o espaço destinado à produção dos vinhos. É um local bem pequeno, possui apenas uma máquina para receber as uvas recém-colhidas e alguns tonéis de fermentação.

Um pouco maior é a adega climatizada. Nela alguns vinhos descansam por meses – e até anos – dentro dos tonéis de carvalho.
O mais interessante da adega é que em seu subsolo existe uma espécie de biblioteca da vinícola, onde são guardados exemplares de todas as safras.

Para finalizar o tour, visitamos a coleção de carros e motos antigas da família Bouza.

De lá nos dirigimos ao restaurante para a degustação clássica. Foram servidos quatro vinhos: branco Chardonnay, rosé Tempranillo, tintos Merlot/Tannat e Tannat da safra 2009.
Eu gostei bastante do branco e do Merlot/Tannat, pois são mais leves. O Fernando é fã dos vinhos mais encorpados e preferiu o Tannat.

Mas se tem algo que achamos melhor que os vinhos foi a torrada servida com cebola ao vinho Tannat. Depois desse aperitivo, não tivemos dúvida de que o almoço iria nos surpreender.
Bouza Baby Beef em redução de Tannat com batatas gratinadas, bacon e tomates confitados (410 pesos/R$ 41) foi o prato do Fernando. “Excelente” era a única palavra que ele repetia o tempo todo enquanto comia!
Eu também fui muito feliz na escolha. O Ravioli de Mussarela, tomate e manjericão (380 pesos/R$ 38) estava delicioso! Massa e molhos muito frescos, tudo perfeito.
Só não afirmamos que esta foi a melhor refeição da viagem pois também provamos carnes espetaculares no El Palenque.

Para finalizar o almoço incrível, só mesmo duas sobremesas memoráveis como o Cremoso de Chocolate recheado com Pistache (260 pesos/R$ 26) e o clássico Creme Brulée (220 pesos/R$ 22).

E foi com este dia maravilhoso que a nossa estada em Montevidéu chegou ao fim. Aliás, finalmente tivemos um dia maravilhoso em Montevidéu.
Sugestão do chef: ao lado do restaurante funciona uma loja que comercializa os vinhos da bodega, alguns acessórios e roupas confeccionadas em lã e couro. Os preços, porém, não são nada atrativos.
Bodega Bouza: Cno. de la Redención 7658 bis – Montevideo – Uruguay – Tel.: (598) 2323 7491/Tel.: (598) 2323 3872. De segunda a domingo. Visitas guiadas às 11h/13h/16h
Restaurante da Bodega Bouza: Tel: (598)2323 4030. Aberto todos os dias das 11h30 às 15h.
Ao chegar à capital uruguaia de avião, não caia na tentação da praticidade de trocar logo seus reais por pesos uruguaios no aeroporto de Carrasco. É perda de dinheiro na certa. No final de outubro, cada real valia apenas algo em torno de 8,80 pesos uruguaios nas casas de câmbio do aeroporto. Um absurdo!.
Caso não tenha reservado um transfer, troque somente o valor necessário para pagar o táxi até seu hotel. Para evitar surpresas, o melhor a fazer é procurar no saguão, bem perto da área de desembarque, pelo guichê do serviço oficial de táxi, onde é possível pagar pela corrida antes de entrar no carro, inclusive com reais e dólares, ou então com cartão de crédito Visa, Mastercard e American Express.
A desvantagem é que esse serviço de táxi do aeroporto, claro, sai mais caro do que as corridas nos táxis comuns, aqueles nas cores amarela e preta, que circulam por toda a cidade. Se o seu hotel for em Pocitos, por exemplo, vai desembolsar 790 pesos, já a corrida para o Centro fica ainda mais cara: 1.000 pesos. Mas existe uma forma de gastar menos! A mesma empresa oferece um serviço de van que custa 200 pesos por pessoa. Vale muito a pena para viajantes solitários, casais e famílias com três ou até quatro pessoas (dependendo do bairro de destino). Saiba, apenas, que a van não é exclusiva para o seu grupo, ou seja, transportará também outros passageiros.
Quem chega pela rodoviária de Montevidéu, por exemplo a partir de Colônia del Sacramento ou Punta del Leste, pode pegar táxis ou remisses. Na segunda opção o preço é fechado, você pode pagar com cartão no guichê e os carros são mais espaçosos. O conforto, como sempre, significa um desembolso maior. Já os táxis comuns em Montevidéu são bem baratos, porém só aceitam pesos uruguaios e os carros são apertados, ainda mais porque um vidro separa o motorista dos passageiros, algo que no começo dá um certa sensação de claustrofobia! Na rodoviária também há uma casa de câmbio, onde a taxa é um pouco melhor do que no aeroporto.
As casas de câmbio mais vantajosas de Montevidéu ficam na avenida 18 de Julio, a principal via de comércio da cidade, localizada na região central. Nos cinco quarteirões que separam a Plaza Cagancha – onde fica o Mercado de los Artesanos – da Plaza Independência – a principal da cidade – contamos uns 12 locais para trocar dinheiro. É só caminhar e observar aquele com a taxa mais vantajosa. No período que passamos na cidade, o valor pago por cada real variava entre 10,05 e 10,35 pesos uruguaios. Bem melhor do que os 8,80 do aeroporto, não é mesmo
Está no Uruguai e bateu aquela fome, mas você não quer um almoço demorado e nem pretende gastar muito? A solução para esse problema é o chivito. O lanche tradicional uruguaio pode ser encontrado em bares, em muitos restaurantes e também, é claro, nas lanchonetes especializadas, as chiviterias. É bem simples e consiste em pão recheado com carne grelhada, alface, tomate e maionese. Pelo menos esse é o chivito clássico. Provamos no restaurante Don Peperone da Ciudad Vieja, perto do Teatro Solís, onde a versão com filet mignon (lomo) saiu por 190 pesos (R$ 19). Por alguns pesos a mais é servido na companhia de batatas fritas.

Para muitos uruguaios o chivito substitui o almoço. Pela cidade é possível encontrar o lanche em diversas outras versões, algumas no melhor (ou seria pior) estilo Man x Food: com presunto, queijo, bacon, ovo, fritas, etc, etc…
Sobre o chivito clássico, não dá pra dizer que seja delicioso, mas também não é ruim. Cumpre o papel de refeição rápida.
Don Peperone: Peatonal Sarandí, 650 – Ciudad Vieja – Montevidéu – Uruguai. Outras três filiais em Montevidéu e duas em Punta del Leste.
O movimento é grande e a promessa é de oferecer as melhores massas de Montevidéu. Desse jeito, não é culpa nossa ter chegado ao Fellini com grandes expectativas. Era noite de sexta e esquecemos de fazer reserva. Não esperamos porque ainda era cedo, mas nos colocaram numa das piores mesas, com toda a movimentação de um ponto de ônibus do outro lado do vidro…
Por volta das 20:30 a casa começou a encher e um violonista passou a animar o ambiente com boa música. Bebíamos uma Zillertal, nossa preferida entre as cervejas uruguaias (110 pesos/R$ 11) enquanto escolhíamos o que pedir. Logo chegaram uns pães acompanhados de um patê bem sem-graça. Começo discreto para um restaurante italiano, locais em que o couvert costuma ser ótimo.

Um dos pratos escolhidos foi o Agnolotti Zuca com molho Pomodoro e Basílico (250 pesos/R$ 25). Estava só razoável, nada além disso.
Do outro pedido, Lasagna de Carne y Hongos, gostamos mais (275 pesos/ R$ 27,50). É bem recheada e servida com um bom molho e muitos cogumelos. De qualquer forma, passa longe de ser uma massa memorável. Bem longe mesmo.

O ponto alto da refeição veio no final, quando chegou à mesa a Muerte por el Chocolat, uma sobremesa com espeto de frutas, sorvete de chocolate, brownie e fondue de chocolate ao leite e amargo. Um deleite para chocólatras como nós. Isso é que dolce vita.

Sugestão do chef: Caso não aguente uma sobremesa inteira, mas ainda assim quiser um docinho, peça um café! Isso mesmo, no Fellini o espresso chega na companhia de raspas de chocolate, chantily, canela e açúcar cristal.

Fellini: Jose Marti, 3408, esquina com Benito Blanco – Pocitos – Montevidéu – Uruguai
Em um ambiente dos mais agradáveis, decorado em estilo rústico, funciona o Bar 62, ótima opção para a noite no bairro de Pocitos. Fica na esquina de onde partia a primeira linha de bonde a circular por Montevidéu, a “línea 62″. O cardápio conta com diversas opções de drinks, vinhos e algumas cervejas locais, mas a casa funciona também como restaurante – e dos mais ecléticos –, servindo carnes uruguaias, comida japonesa e outros pratos inspirados na cozinha internacional. O melhor de tudo é que essa “bagunça” dá muito certo, e da cozinha saem preparações bem saborosas.
Tínhamos lido no Comidinhas elogios ao clericot preparado por lá, mas nos surpreendemos ao não encontrar no cardápio a versão com vinho branco da sangria, comum no Uruguai. Perguntamos ao garçom e ele disse que realmente não consta da carta, mas que, se quiséssemos, pediria para preparar. A pró-atividade dele foi só um exemplo do atendimento perfeito que a casa oferece. Claro que aceitamos a gentileza, porém imaginando que o pedido sairia bem caro. Errado! A excelente jarra de vinho branco com maçã-verde, morango, banana e pêssego em calda não custou mais do que 240 pesos uruguaios, ou R$ 24.

Para começar a matar a fome, pedimos duas entradas. A Débora foi de Ceviche Mixto de Lenguado y Camarones (290 pesos/ R$ 29), um prato delicioso, feito com peixe bem fresco, como deve ser.
Eu não sairia de lá sem provar uma carne, por isso pedi Chorizo. Custa 75 pesos (R$ 7,50) e é uma linguiças mais saborosa que as servidas nos churrascos brasileiros.

Na hora dos principais, escolhemos explorar a diversidade do cardápio. A “chica” pediu um menu japonês com 12 itens: 4 makis, 4 nigiris e 4 sashimis. Achou tudo bem-executado, no mesmo nível dos bons restaurantes japoneses daqui. O preço do combinado, vale dizer, não é barato, já que sai por 410 pesos, algo em torno de R$ 41. Aliás, não espere restaurantes muito baratos em Montevidéu.
Eu já tinha matado a vontade de comer carne, então pedi um prato vegetariano: Strudel de Hongos y Puerros con verdes (330 pesos/R$ 33). É uma criação sensacional! A massa desmancha na boca, os cogumelos frescos formam um ótimo recheio e o alho-poró dá um toque especial. Voltaríamos a Montevidéu só pra ir de novo ao Bar 62.

Sugestão do chef: Para nós, é um lugar para ir à noite, mas também abre no almoço. Só não programe comer lá em um domingo, pois encontrará as portas fechadas.
Bar 62: Miguel Barreiro, 3301, esquina com Chucarro – Pocitos – Montevidéu – Uruguai
Depois de explorar a região central, era dia de conhecer a parte mais moderna de Montevidéu, em especial os bairros de Punta Carretas e Pocitos. Seguimos de táxi pela rambla, a extensa avenida ao lado do Rio da Prata e, em poucos minutos, o cenário de casas antigas dava lugar a prédios altos e um certo clima de balneário, com muitos moradores praticando corrida e caminhada pelo calçadão.
Descemos do carro na região da Playa Ramírez, em frente à sede do Mercosul, um belo prédio em Punta Carretas. Para quem gosta de apostar, atrás dele há um cassino, que talvez seja para onde vão os políticos sulamericanos ao final das reuniões…

Dali foi só atravessar a rua para entrar no Parque Rodó, a mais popular área verde da capital uruguaia. Nos finais de semana, o local é destino certo para muitas famílias de Montevidéu. O pessoal fica por lá tomando mate (como em todos os outros lugares), vendo o tempo passar, brincando com os filhos. Para o turista, é só um parque urbano dos mais convencionais, nada além disso. No lago artificial, é possível dar um passeio de meia hora em um dos (bem) antigos pedalinhos por 40 pesos/pessoa (cerca de R$ 4). Bom para ver de perto as dezenas de patos que vivem por lá.

Na saída, caminhamos pelo meio do parque, que é todo aberto e, no final, passamos em frente ao pequeno estádio Luis Franzini, do Defensor Sporting, clube do qual muitos só ouviram falar em 2009, quando o time eliminou o Boca Jrs. da Copa Libertadores. Ao lado da “cancha” funciona um parque de diversões onde paramos uns minutos para observar o movimento dos brinquedos e das pessoas. Não se paga entrada, basta comprar o bilhete correspondente à atração escolhida. Nenhum brinquedo é dos mais radicais, mas, pelo que vimos, confiar no estado de conservação das estruturas é um ato de coragem. Boa sorte para quem se arriscar!
Voltamos ao calçadão da rambla e caminhamos muito tempo com o rio à nossa direita. Contornamos o enorme campo de golfe e, bem depois, chegamos à nossa última parada no bairro: o Punta Carretas Shopping, localizado no espaço de um antigo presídio, com a fachada original preservada. Não contem com boas opções de refeição, pois a praça de alimentação desse centro de compras é péssima. Um bom lugar para comprar bebidas e alimentos típicos pra consumir no hotel ou jogar na mala é a loja do supermercado Disco que funciona no shopping. Por lá há também lojas da Nike e da Adidas, mas os preços estão parecidos com os praticados no Brasil.

Pocitos, outro bairro da orla do Rio da Prata, fica pra frente de Punta Carretas e merece ser visitado com calma. Na verdade, é onde deveríamos ter nos hospedado, já que o ambiente por lá é bem mais agradável do que nas outras partes de Montevidéu. A começar pela Playa de Pocitos, sem dúvida a mais bonita de Montevidéu. Quer outra razão? A maioria dos bons restaurantes e dos bares descolados estão espalhados pelo bairro. Isso mesmo: espalhados. Não espere encontrar dezenas de lugares legais a poucos metros um do outro, no estilo Palermo Soho – ou Vila Madalena, Santa Tereza, etc. Não existe isso na capital do Uruguai. Caso esteja hospedado por lá, tudo bem, você vai caminhar e descobrir lugares para comer e beber. Caso contrário, tenha na manga um ou dois endereços de bares ou restaurantes que deseja visitar e vá de táxi. A partir do centro ou do Barrio Sur a corrida dura uns 12 minutos e custa cerca de 150 pesos (R$ 15) . Se quer uma indicação nossa, não deixe de ir ao Bar 62 (Barreiro, 3301, esquina com Chucarro), mas essa dica você vai entender melhor no próximo post.

Parque Rodó: Rambla Presidente Wilson
Punta Carretas Shopping: Jose Ellauri, 350 esquina com Solano García e Gracía Cortinas – Punta Carretas – Montevidéu – Uruguai
O Estádio Centenário foi construído para a primeira Copa do Mundo, realizada em 1930. E quem olha a construção por fora pode ficar com a impressão de que não houve nenhuma atualização nas últimas oito décadas. Mas não é bem assim. Por dentro, a “cancha” em que a seleção uruguaia manda seus jogos é bem mais bonita. A distribuição das cadeiras na cor azul-celeste lembra uma espécie de anfiteatro, um local que consegue manter um ar aconchegante, apesar de ter capacidade para receber mais de 60 mil pessoas.
Por 100 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 10 reais), o visitante vai à arquibancada e ainda percorre os dois pisos do Museo del Fútbol. Por meio de fotos e objetos históricos, o espaço conta um pouco das duas Copas vencidas pelo Uruguai (1930 e 1950) e dos triunfos olímpicos da Celeste. Há também camisas utilizadas por Pelé, Vavá, Maradona e pelos ídolos locais Rubén Sosa e Diego Forlán.

Ao contrário dos estádios argentinos, no Centenário não é permitido o acesso ao campo. Com isso, não conseguimos ver tão de perto um automóvel Monza de cor branca curiosamente estacionado ao lado da linha lateral(!?).
O ponto alto da visita é conversar com o senhor Gerardo, um simpático torcedor do Peñarol, que é um dos responsáveis por recepcionar os visitantes. Ele sabe tudo sobre o futebol brasileiro, inclusive contra quem seu time (seja ele qual for) vai jogar na próxima rodada!
Só não espere encontrar absolutamente nenhum aparato tecnológico no museu, pois até na hora de cobrar o ingresso o recurso utilizado é uma velha caixa registradora.
Estádio Centenário e Museo del Fútbol: Av. Dr. Americo Ricaldoni, 11.400 – Montevidéu – Uruguai. Visitas de segunda a sexta.
Passamos 5 dias em Montevidéu no mês de outubro e, de um modo geral, foi decepcionante. Entre outras razões, porque deveríamos seguir as recomendações de dedicar apenas dois ou três dias à capital uruguaia, já que sobra pouco para fazer por lá depois disso. Percebemos isso logo de cara, quando saímos para conhecer a região central, onde concentra-se boa parte dos pontos turísticos.
Com um calçado confortável e disposição para caminhar, é possível conhecer a pé toda essa parte da cidade. A Plaza Independência é a principal. Na esquina dela com a avenida 18 de Julio, a mais importante via comercial de Montevidéu, está o Palácio Salvo, um prédio altão projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, o mesmo que assina o parecido (porém mais conservado) Edifício Barolo, em Buenos Aires. A construção chama a atenção pela altura – são 95 metros –, mas não pela beleza. Carece de uns bons retoques e várias de suas unidades estão à venda.
Na mesma região estão o Palácio Estevez, um casarão já utilizado como sede do governo uruguaio, e uma construção moderna que é o atual edifício presidencial. No centro da praça, há uma grande estátua do herói nacional, aquele que expulsou os espanhóis em 1811, o general José Artigas em seu cavalo.

Atrás da escultura, a Puerta de la Ciudadela relembra a época em que Montevidéu era cercada por uma muralha. Com restauração concluída em 2009, o portal marca o começo da região conhecida como Ciudad Vieja. Olhando para a esquerda, o visitante verá o Teatro Solís, principal palco das artes cênicas uruguaias, que visitaríamos mais tarde.
Essa caminhada de reconhecimento da área central de Montevidéu foi desapontadora. Sem exageros, não nos encantamos por absolutamente nenhuma das construções históricas. Vimos um centro muito parecido com o da nossa cidade, São Paulo, o que lamentamos dizer que não é exatamente um elogio. Percebemos por lá os mesmos problemas sociais e urbanísticos, mas sem a visão reconfortante de preciosidades arquitetônicas como o Copan, o Municipal, o Martinelli, o viaduto Santa Ifigênia…
É isso, achamos o centro de Montevidéu feio e não tão seguro como prevíamos. No percurso a partir do hotel, no Barrio Sur – poucas quadras distante – fomos abordados duas vezes por gente pedindo dinheiro com cara de poucos amigos, vimos muitos moradores de rua e não nos sentimos tão à vontade para usar a câmera – a Débora fez várias fotos sob olhar fixo de gente mal encarada, sobretudo nas partes menos movimentadas. Turistas eram poucos e concentravam-se nos pontos mais óbvios, os mesmos onde havia presença policial – com exceção do domingo, dia em que vimos bem mais polícia na rua.
Mas não desistimos, e já na Ciudad Vieja seguimos pelo calçadão da rua Sarandi, cheio de lojas e com alguns cafés, museus e sorveterias. Nosso destino, claro, era o Mercado del Puerto, a antiga estação de trem trasformada em centro gastronômico, cuja grande atração é o churrasco uruguaio, preparado com lenha na parrilla.
Nesse programa turístico, não houve decepção! Escolhemos comer no famoso El Palenque, sem desanimar com a lotação total do espaço reservado às mesas em plena quinta-feira. Ficamos no balcão mesmo e lá experimentamos uma das melhores refeições da viagem.

A Débora adorou seu Petit Lomo (400 pesos, cerca de R$ 40) e eu comi uma picanha sensacional, servida exatamente no ponto pedido e com quantidade perfeita de sal (440 pesos ou R$ 44). Tudo acompanhado de Papas Fritas e de uma Papa a la Parrilla com Roquefort pedida à parte (120 pesos/R$ 12). Era tanta comida que nem precisaríamos ter pedido de entrada um provolone com jamón e azeitonas, bom só que muito salgado (180 pesos/R$ 18).

Finalizado o almoço, paramos em outro clássico, o Roldós. Para tomar medio y medio, é claro! Dizem que a mistura de vinho com espumante deixa muita gente bêbada rapidinho, mas com o estômago cheio não sentimos esse efeito. A versão tradicional (60 pesos/R$ 6) leva vinho branco, tem gosto de Sidra Cereser e é feita, nitidamente, com vinho ruim. Mesmo assim, é melhor do que as versões com vinho rosé e tinto, ambas criadas mais recentemente.

Quando pegávamos o caminho de volta, um garotinho chegou pedindo dinheiro. Conversamos um pouco e ele disse pra gente que era obrigado a conseguir o equivalente a 20 reais por dia com os turistas brasileiros. Triste demais.
Nesse clima chegamos ao Teatro Solís pontualmente às 16 horas, quando começa uma das visitas guiadas. Para ouvir as explicações em português, o preço é de 40 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 4 reais). Com a guia falando espanhol, sai pela metade do preço. A visita dura uns 40 minutos e o destaque, claro, é a sala principal, que não é enorme mas é bem bonita. Nada além dela nos impressionou, e olha que estava rolando uma exposição de fotos e outra de roupas cênicas, mas ambas bem fracas.

No final, paramos no café do teatro para comer uma ótima Torta Rogel acompanhada de um espresso (tudo por 180 pesos/R$ 18). Esse café da tarde nos deu energia para uma caminhada mais longa, até o Palácio Legislativo.

Situada na avenida Libertador, a sede do congresso uruguaio é o prédio mais bonito entre as construções históricas vistas nesse dia, mas fica já fora da região central e isolada das outras atrações turísticas.

El Palenque: Perez Castellano, 1579, dentro do Mercado del Puerto – Montevidéu – Uruguai. Tel.: +598 29170190
Teatro Solís: Reconquista esquina com Bartolomé Mitre – Montevidéu – Uruguai. Visitas guiadas: terças e quintas às 16 horas; quartas, sextas e domingos às 11hs, 12hs e 16hs e sábados às 11hs, 12hs, 13hs e 16hs. Às quartas há visitas grátis em espanhol.