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Almoço no Mercado Municipal de São Paulo

Na última semana do ano encaramos a muvuca pré-reveillon e fomos até o Mercado Municipal de São Paulo, conhecido por todos os paulistanos como Mercadão. Claro que foi preciso paciência pela dificuldade de circular no meio de tanta gente, mas o motivo era nobre: comprar os ingredientes para a ceia de Reveillon que preparamos aqui em casa.

Escolhemos antipastos de berinjela e alcachofra para a entrada; lombo de bacalhau, batata, cebola, azeitonas pretas, alecrim, tomilho e azeite extra-virgem para o prato principal, além de nozes e cerejas para compor a sobremesa. Levamos também algumas frutas para fazer uma sangria com um dos vinhos que tínhamos guardado. A ideia foi virar o ano satisfazendo nossos paladares sem se preocupar com harmonizações nem nada disso. Em breve a gente conta se deu certo e publica todas as receitas!

Com todos os ingredientes na sacola, fizemos a pausa para o almoço no mezanino do Mercadão, cujas opções vão muito além dos midiáticos pastéis de bacalhau e sanduíches de mortadela. Havia fila de espera em todos os restaurantes, mas logo conseguimos uma mesa no Terra Mar, que antes se chamava Terra de Santa Cruz. Escolhemos Filet de Frango à Parmegiana, um prato para duas pessoas – apesar de não ser enorme –, que chega acompanhado de arroz e batatas fritas e custa apenas R$ 30. Não é um parmegiana memorável, pelo contrário, é bem básico e leva molho pronto. O curto tempo entre o pedido e a chegada à mesa, e também a temperatura morna indicam que o prato já estava pronto, talvez porque a cozinha tenha dificuldade para dar conta de tantos pedidos nessa época, o que não serve de justificativa. De qualquer forma, o frango veio bem temperado e o queijo era de boa qualidade. Pelo baixo preço – o que é exceção entre os demais pratos do cardápio do Terra Mar e também dos outros estabelecimentos do mercadão – até que valeu. Mas a nossa ceia ficou bem melhor!

Sugestão do chef: A loucura do final do ano passa completamente a partir de janeiro, mês em que uma visita ao Mercadão é bem mais tranquila e agradável. Só não esqueça de pesquisar bem os preços antes de comprar, já que as diferenças nos valores praticados por cada banca costumam ser grandes.

Mercado Municipal de São Paulo: Rua da Cantareira, 306 – Centro – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3313-3365



Decepção gastronômica no Salão do Turismo 2011

No último sábado fomos visitar a 6a edição do Salão do Turismo – Roteiros do Brasil, promovido pelo Ministério do Turismo. A fila do estacionamento mostrou que o evento atraiu pessoas de vários estados do Brasil.

Logo na entrada do pavilhão de exposições do Anhembi, as placas de sinalização chamaram a nossa atenção. Gostamos muito da ideia de torná-las parecidas com as que encontramos nas estradas.

A decoração dos cinco grandes espaços principais estava muito bonita e atrativa. Cada um apresentava uma região do Brasil, com painéis representando alguns dos pontos turísticos mais importantes de seus respectivos estados.

Apesar do visual interessante, achamos a divulgação dos roteiros pouco eficaz, já que a principal forma de fazê-la foi distribuir centenas de panfletos dos mais variados segmentos do setor. Era tanto papel desagrupado que, em meio aos panfletos de conteúdo relevante, presenciamos alguns oportunistas apresentando outros tipos de negócios, como salão de cabelereiro, por exemplo. Ainda não sabemos se a melhor definição pra isso é falta de profissionalismo ou “jeitinho brasileiro”.

Bem, voltando aos pontos positivos, o artesanato estava impecável. Muitos estandes vendendo os riquíssimos trabalhos manuais confeccionados em todas as regiões do País.

E por falar em vendas, o Mercado da Agricultura Familiar comercializou produtos alimentícios produzidos por associações e cooperativas espalhadas pelo Brasil. Nós compramos alguns itens orgânicos, suco de uva integral e cajuína.

As manifestações culturais também merecem destaque. De grupos folclóricos à escola de samba (Mocidade Independente de Padre Miguel), muita música, dança e alegria nos corredores do Anhembi.

Agências de turismo e companhias aéreas aproveitaram o evento para vender pacotes e passagens.

Por volta das 19h nos dirigimos à Área Gastronômica. A entrada deste espaço reservado custava R$ 24,50 por pessoa, valor que dava direito a degustar pequenas porções de todos os pratos típicos das cinco regiões do Brasil.

O cardápio prometia Costela de Tambaqui, Pato no tucupi, Carne de Sol com Abóbora, Baião de dois, Arroz de Carneiro, Caldo de Sururu, Peixada, Vatapá com Caruru, Tutu de feijão, Moqueca Capixaba, Feijoada, Cuscuz à paulista, Barreado, Arroz Carreteiro, Sopa Paraguaia, Dourado Assado, Empadão goiano e Arroz com Pequi.

E o que para nós era o ponto alto do Salão, se tornou a maior decepção do dia. Devido à falta de organização, simplesmente não havia comida quando entramos e precisamos esperar por quase duas horas até o funcionamento se normalizar. Como não podíamos sair do espaço, uma vez que independentemente de ter ou não consumido algo o valor seria cobrado da mesma forma, esperamos pacientemente pelo retorno da “iguarias”. Tempo suficiente para observarmos a equipe de funcionários receber informações atrapalhadas e, longe da presença dos chefes, reclamar por ter de trabalhar sem intervalos e por não receber hora extra. Um verdadeiro show de horror!

Faltava pouco para as nove da noite quando finalmente conseguimos nos servir. Notamos que nem todas opções do cardápio estavam presentes, mas pior que isso foi presenciar a péssima aparência da comida e descobrir que o sabor da maioria dos pratos era pavoroso. Apenas a feijoada, o empadão goiano e a sopa paraguaia estavam aceitáveis, o restante das opções tinha sal em excesso, carnes duras e amargas, peixes mal-preparados e substituição improvisada de ingredientes. Tivemos certeza absoluta da má qualidade dos ingredientes usados! Se a intenção era atrair novos turistas pela gastronomia, achamos que não deu nada certo.

Mesmo não concordando com o desperdício de comida, demos poucas garfadas e jogamos o restante fora. E ainda assim tivemos uma surpresa pouco agradável horas depois: intoxicação alimentar com direito a febre alta, tremores e fortes dores de estômago.

Engraçado ver que a preocupação de boa parte dos expositores era a preparação para receber os turista durante a Copa em 2014. A julgar pela área gastronômica, saímos com a certeza de que os organizadores não estão preparados nem pra coisas bem mais simples, como oferecer um jantar decente em 2011.



Culinária Paulista no Parque da Água Branca

De hoje até o próximo dia 20 o Parque da Água Branca recebe a 13ª edição do Revelando São Paulo – Festival da Cultura Paulista Tradicional.
Além do artesanato e de diversas manifestações artísticas, o evento sempre traz ótimas opções da gastronomia típica do interior do Estado. Assim como fizemos no ano passado, estaremos lá para conferir.

Revelando São Paulo: Av. Francisco Matarazzo, 455, Água Branca, São Paulo – SP (Parque da Água Branca), de 11/09 a 20/09 das 9 às 21 horas.



Evento francês com (des)organização brasileira

No dia 12 do mês passado o Parque da Água Branca foi palco do Dia da França em São Paulo. O evento contou com atividades culturais, de lazer e, claro, com a presença da gastronomia, representada por cinco barracas de restaurantes e chefs franceses.
Com a ampla divulgação na mídia, não era para surpreender o grande número de visitantes.

Não era, mas, na prática, não foi bem assim: em algumas barracas as filas estavam imensas, itens do cardápio acabaram bem antes da hora e houve muita demora na reposição.
Depois de uns 30 minutos de espera no quiosque do Orbacco Espaço Gastronômico, não conseguimos provar o couscous marroquino. O jeito foi pedir sopa de cebola com vinho tinto (R$ 9).

Estava ótima, pena que o vinho era brasileiro. Nada contra a Miolo, mas não seria o caso de servir uma opção com vinho francês, mesmo que fosse preciso elevar um pouco o preço?
De lá fomos espiar o cardápio do chef Laurent Suaudeau, mas desanimamos ao ver que os preços não eram nada populares como anunciado na divulgação do evento. Pelo mesmo motivo, também não nos empolgamos com os quiches e o cassoullet do Le Founil, do Sofitel.
Partimos para a barraca do Crepe de Paris, aquele quiosque com franquias em alguns shoppings e cujos sócios inauguraram há pouco tempo um bistrô nos Jardins.

A fila era a enorme, mas, talvez pelo costume de trabalhar em eventos, a boa organização agilizou o serviço. O crepe Valence, com calabresa, catupiry e orégano (R$ 7) matou a fome da Débora. Eu escolhi o Rennes, versão com peito de peru, queijo, tomate e orégano (R$ 8). Ainda dividimos um crepe de chocolate com avelã (R$ 7). Todos simples e muito gostosos.

Conseguimos uma mesa e, enquanto comíamos, vimos cenas desoladoras protagonizadas por alguns visitantes. As pessoas espalhavam lixo por todos os lugares, com uma certa preferência pelo chão do parque. Alguns se divertiam pisando nos talheres de plástico. É bem verdade que a organização do evento e os administradores do parque poderiam ter disponibilizado mais latas de lixo, mas nada que chegue perto de justificar essas atitudes. E olha que, pelo perfil do público, ninguém pode alegar falta de informação ou baixa escolaridade.
Antes de sair, tivemos a sorte de passar no quiosque da La Brasserie, sem dúvida nenhuma o melhor momento da nossa visita.

Provamos um excelente mousse de chocolate (R$ 6) e ainda compramos uma bela caixa com quatro macarrons (R$ 10), simplesmente os melhores que já provamos.

Ao nosso lado, o chef Erick Jacquin ajudava na limpeza da área próxima à barraca e esbanjava simpatia.

Sugestão do chef: entre os dias 11 e 20 de setembro, o mesmo Parque da Água Branca recebe a 13ª edição do Revelando São Paulo, evento que apresenta as tradições do interior paulista, com amplo espaço para a culinária.

Parque da Água Branca: Av. Francisco Matarazzo, 455 – Água Branca – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3865-4130



Burdog: clássico do Pacaembu

Essa lanchonete surgiu em 1968 e pertencia à rede Chico Hambúrguer. Mas foi só em 1975 que ganhou o nome que a tornou conhecida: Burdog. A unidade do bairro do Pacaembu agrada desde quem chega para um lanche rápido acompanhado de uma cerveja no balcão até famílias inteiras, que ocupam várias mesas do pequeno salão nos fins de semana.

Também é parada obrigatória para muitos torcedores corintianos em dia de jogo no vizinho estádio Paulo Machado de Carvalho.

Estivemos lá numa dessas tardes para comprovar a fama de servir bons hambúrgueres conquistada pela lanchonete. Começamos com um milk shake de chocolate com macadâmia (R$ 15,80). É bonzinho, mas ainda prefiro a versão só de chocolate.

Eu complementei um hambúrguer simples (R$ 10,80) com champignon e catupiry (R$ 5,50). Ficou muito bom, sem economia nenhuma nos complementos.

A Débora escolheu cheese burguer picanha com alface e molho tártaro (R$ 13,70). Praticamente um cheese salada, mas com um tempero bem diferente graças ao molho. Muito bom.

Antes de descermos a ladeira rumo ao estádio – para acompanhar mais um capítulo da operação-subida alvinegra –, pedimos uma sobremesa que leva banana na chapa com açúcar e canela, servida com duas bolas de sorvete de creme. Demorou para chegar, mas estava excelente.

O Burdog pode não ter – e realmente não tem – o melhor hambúrguer da cidade, mas é uma opção interessante para um lanche rápido. Sem falar que naquele sábado nos proporcionou um almoço bem mais agradável que o sonolento empate por 0 x 0 entre o meu Corinthians e o Criciúma.


Sugestão do chef: os moradores da zona sul também podem experimentar os lanches do Burdog sem se deslocar até o Pacaembu. É que a lanchonete conta com filiais no Brooklin e em Moema.

Burdog: Av. Dr. Arnaldo, 232 – São Paulo SP Tel.: (11) 3151-4849



Entrando numa fria

Quando visitamos o Lola Bistrot descobrimos que logo ali ao lado funciona o Ice Espaço, o bar de gelo que já estávamos nos programando para conhecer. Claro que não deixamos a oportunidade para outro dia e decidimos encarar.

O bar fica nos fundos do Artespaço, misto de loja de decoração e restaurante. Quem passa pelo local meio distraído mal consegue ver a pequena faixa que divulga a inusitada atração.
Para entrar no bar gelado, cuja temperatura varia entre -6ºC e -10ºC, é preciso vestir roupas térmicas (casaco com capuz, botas e luvas) que já estão inclusas nos R$ 30 cobrados por pessoa pelo ingresso.

Um drink feito com um destilado ou um suco também estão embutidos no valor. Aliás, bebidas são as únicas opções do cardápio, em especial as que levam vodka.

O espaço é bem pequeno, mas impressiona pela decoração futurista e, principalmente, porque absolutamente tudo é feito de gelo: paredes, mesa, balcão, bancos e até os copos!

Cada pessoa pode permanecer por 30 minutos lá dentro, tempo suficiente para aproveitar o ambiente sem virar pingüim.
Sem dúvida foi uma experiência bastante divertida. E a melhor parte é que sentimos bem menos frio do que imaginávamos.

Sugestão do chef: na entrada do Artespaço recebemos um cupom de desconto e pagamos R$ 27 pelo ingresso. Tente se informar sobre esse cupom quando você for lá.

Artespaço (Ice espaço): Rua Purpurina, 46 – Vila Madalena – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3034-0529.



Post de Natal

Marcamos de encontrar o Tony e a Cecília mais uma vez antes do final do ano. Sugerimos um passeio por Moema, bairro que freqüentamos assiduamente. A idéia era tomar um café, bater papo e aproveitar para olhar a decoração da rua Normandia, um dos endereços mais conhecidos do Natal em São Paulo.


Encontramos nossos amigos no Pain et Chocolat, do qual já falamos aqui. Enquanto eles experimentavam bebidas à base de café, nós, que não tínhamos almoçado, resolvemos pedir uns lanches.

A Débora ficou com o sanduíche Arbex, um ótimo croissant recheado de presunto Parma, queijo brie, tomate confit e rúcula (R$ 13,40).

Para mim, o Vegetariano, que levava berinjela, cenoura e abobrinha grelhadas, cogumelos Paris salteados e mussarela de búfala dentro de uma ciabata integral (R$ 12,90).

Ambos são caprichados e valem por um almoço.
Também bebemos dois smoothies. O da Débora era feito com sorbet de framboesa Haagen Dazs e melão Cantaloup (R$ 9,80). O meu, o smoothie Cris, misturava pêssego, laranja e iogurte (R$ 7,80). Todos tão bons quanto os sanduíches.

Gentilmente, o Tony e a Cecília esperaram o fim do nosso almoço para escolhermos juntos alguns doces. Pena que o Tony se decepcionou com o mini-tiramissu. Mas pra compensar, a Cecília aprovou o docinho de chocolate amargo.

A Débora e eu dividimos um Dude de mousse de brigadeiro (R$ 6,50). Bem leve e saboroso, só que a mousse poderia ter mais gosto de brigadeiro.

Mas se aquele não era um bom dia para sobremesas, tudo bem, pelo menos para as mulheres. O que elas queriam mesmo era provar sapatos nas lojas do gênero espalhadas pela redondeza. Enquanto isso, o Tony e eu batíamos um bom papo.
Terminada a (longa) espera, tomamos um sorvete na Stuppendo e rumamos para a rua Normadia, charmosa mesmo fora do período natalino. Suas casas, todas comerciais, têm arquitetura européia e transformam a rua numa espécie de boulevard, que nesta época do ano vira passeio turístico e atrai gente de todas as idades e de várias partes de São Paulo.

A diversão para a criançada está nas simulações de neve, no papai-noel gigante e, claro, no bom velhinho de carne-e-osso que escuta com carinho cada pedido.

Já os adultos se encantam pelas luzes e pelas canções natalinas apresentadas por corais.
Pena que neste ano o Natal da Normandia estava bem fraquinho, sem grandes investimentos. Para piorar, a prefeitura sequer se deu ao trabalho de fechar a rua para os carros. Resultado: confusão, dificuldade de circular ou fotografar e crianças correndo sob os olhos bem preocupados dos pais. Inexplicável!
Antes de ir, passamos na Belgian Beer Paradise, uma loja bem bacana (e cara!) de cervejas importadas.

Terminamos o agradável dia em uma das mesas do Patagônia, bebendo cerveja e comendo empanadas.
E se o Natal da rua Normandia não é mais o mesmo, pelo menos as fotos que tiramos de lá servem de “deixa” para desejarmos a todos leitores um FELIZ NATAL*, repleto de paz, alegria e… comida!

Sugestão de chef: quando pedimos a conta no Pain et Chocolat, recebemos junto uma calculadora para facilitar a divisão dos valores. Achamos a idéia original, atenciosa e eficiente.

* Nossos votos de feliz Natal não significam nenhuma despedida porque o ano ainda não acabou para o blog. No próximo post divulgaremos os vencedores do I Prêmio Brincando de Chef. É só aguardar.

Belgian Beer Paradise: Rua Normandia, 52 – Moema – São Paulo – Tel: (11) 5044-3956
Pain et Chocolat: Rua Canário, 1301 – Moema. Tel.: (11) 5094–0550
Patagonia: Avenida Rouxinol, 953 – Moema – Tel.: (11) 5055–2341/7466.



Uma tarde pela Liberade, bairro japonês de São Paulo

Estávamos apenas aguardando o Tony e a Cecília retornarem de viagem para nos conhecermos pessoalmente. O Tony é o autor do Blog de São Paulo e do De viaje a Brasil, ambos escritos em espanhol e destinados aos turistas. O primeiro é repleto de dicas e curiosidades sobre a cidade de São Paulo. Já o segundo traz informações sobre todo o Brasil. Recentemente ele criou um novo blog, com detalhes da viagem que fez com a Cecília pela Patagônia. Imperdível pela preciosidade do conteúdo e pelas lindas fotos dignas de cartão-postal.
Antes da partida deles para as terras argentinas, combinamos que nosso primeiro encontro não-virtual aconteceria em algum restaurante da Liberdade, tradicional bairro oriental do centro de São Paulo.

Eu gosto demais da culinária oriental – especialmente da japonesa – mesmo tendo conhecimento limitado sobre o assunto. O Fernando é novato nessa área, até gosta um pouco de comida chinesa, mas ainda não morre de amores. Por isso fiquei algum tempo sem freqüentar a Liberdade. Não achava graça comprar produtos orientais nas mercearias e lojinhas de presentes, sem me esbaldar nos restaurantes típicos.
Mas depois do agradável encontro com nossos novos amigos, parece que essa situação vai mudar. O Fernando voltou animado e quer visitar outro restaurante oriental em breve (tá certo que boa parte dessa animação é culpa da simpatia do Tony e da Cecília).
Quem chega à Liberdade percebe que a cultura japonesa não é a única que predomina no bairro. Influências chinesas e coreanas também se mostram presentes. E na culinária não é diferente.
Um pouco disso pode ser encontrado na Churrascaria Galvão Bueno, restaurante sugerido pelo Tony para o nosso almoço.

Com ambiente simples e bastante informal, a casa oferece exclusivamente o sistema de bufê, com especialidades das cozinhas japonesa, chinesa e coreana (R$ 24 por pessoa).

Há opções de pratos quentes e frios, desde os comuns para os brasileiros até os mais inusitados, como essa gelatina de soja (no recipiente do meio).

Legumes e vegetais apareciam na maioria dos pratos frios, com destaque para as versões condimentadas e em conserva.



A variedade de molhos e temperos não se limitava ao tradicional molho shoyu, acompanhamento obrigatório para o sashimi, que, por sinal, estava fresquíssimo e muito saboroso.


Até o Fernando, que não dá muita bola pra peixe cru, concordou.
E com os sushis não foi diferente, todos super caprichados.


O de salmão, kani e nabo era o mais interessante. Fatias de pepino e broto de nabo deixaram a combinação mais atraente e bonita.

Partimos para os pratos quentes começando pelo guioza, popular pastel chinês recheado de carne.

Queria ter provado o yakimeshi (arroz com ovos, legumes e cebolinha) e o tofu (queijo de soja) refogado em molho picante.

Mas esqueci e fui direto para o carro-chefe do restaurante: o bulgogui, churrasco coreano em que finas fatias cruas de carne bovina e suína recebem tempero especial e são grelhadas pelo próprio cliente nas chapas instaladas nas mesas.


A cena é curiosa, e um tanto quanto esfumaçada, mas o resultado foi dos melhores: carne macia e com ótimo sabor.

E para terminar o almoço, uma leve e aromática sopa de missô (pasta de soja).

Depois dela, deixamos o restaurante em direção à padaria mais badalada da região, mas no caminho paramos em uma mercearia para tomar algum dos sorvetes coreanos que invadiram o bairro e são o sucesso do momento por lá.


O sabor melão (R$ 3,20) é o mais gostoso, se bem que esse outro que parece uma fatia de melancia (R$ 3,90) não fica atrás.

E se achou diferente, saiba que há versões bem exóticas, como a de doce de feijão! Mas o que experimentamos de mais exótico mesmo foi o suco Pobá (R$ 7) da Bakery Itiriki, a tal padaria que citei há pouco (e que não permite fotos internas).

O gosto não é estranho como o nome. O que pedi se trata de um suco de frutas cítricas misturado com pedaços de gelatina e bolotas de sagu. Mais divertido que saboroso.
A Itiriki funciona no sistema self-service. Basta pegar uma bandeja e se servir das delícias que ficam expostas em uma gôndola no centro do salão. Depois é só passar no caixa e acertar a conta. Quem quiser algum doce ou salgado que necessite de refrigeração deve ir até o balcão e fazer o pedido.
A padaria costuma estar sempre cheia, e não é pra menos, pois as guloseimas são bem feitas.
Eu fiquei com a delicada mousse de matchá (R$ 5,90) – chá verde em pó –, de sabor bem suave.

O Fernando preferiu o muffin de chocolate (R$ 3,90).

Pelos mesmos R$ 3,90, o Tony escolheu sonho e a Cecília, donut de chocolate.


A essa altura já estava quase anoitecendo. Antes de nos despedirmos, ganhamos outros dois novos amigos.

Sugestão do chef: Fique atento ao horário de funcionamento da Churrascaria Galvão Bueno. De segunda a sexta das 12h às 14h30 e das 18h às 22h. Aos sábados, domingos e feriados das 12h às 15h e das 18h às 22h.

Churrascaria Galvão Bueno: Rua Galvão Bueno, 451, Liberdade – São Paulo – SP – Tel.: 3277 1970
Bakery Itiriki: Rua dos Estudantes, 24, Liberdade – São Paulo – SP. – Tel.: 3277-4939



Iguarias árabes

Antes de chegarmos ao Almanara, fizemos algumas compras nos arredores da rua 25 de março, maior centro comercial a céu aberto da América Latina.
Nessa região a oferta de produtos é muito grande e diversificada, dá pra encontrar coisas que nem imaginamos existir! O problema é que o excesso de público – intensificado aos sábados – atrapalha o passeio.

Por isso já saímos das nossas casas com o roteiro traçado.
E já que o destino final era um almoço libanês, aproveitamos o ensejo e incluímos mais uma atração gastronômica ao nosso roteiro, o Empório Syrio.
A loja não é muito grande, mas chega a ser um paraíso para os amantes da culinária árabe.



Possui desde itens já incorporados ao gosto brasileiro, como as pastas de berinjela, grão de bico e gergelim, pão folha, doces árabes, sfihas, quibes, condimentos, água de rosas, molhos, pimenta síria, diversas castanhas e frutas desidratadas, até produtos menos conhecidos, por exemplo essa exótica geléia de rosas que não conseguimos deixar na prateleira.

Também trouxemos geléia de framboesa e de cassis (dinamarquesas) e bala de alcaçuz (suíça).


Como a caminhada até o restaurante não seria curta, carregar pouco peso era o melhor a fazer. Sendo assim, finalizamos nossa singela compra com um mix de docinhos árabes de gergelim, de figo e nougat – uma espécie de torrone.

Na hora de pagar a conta, não resistimos ao chicle de miski, outra iguaria feita a partir dessa erva que muito nos agradou.


Sugestão do chef: o atendimento da loja é ágil e os funcionários, além de atenciosos, estão preparados para dar informações sobre os produtos, inclusive os menos conhecidos. Em dias de menor movimento é possível conseguir com eles algumas sugestões interessantes.

Empório Syrio
Rua Comendador Abdo Schahin, 136 – Centro – São Paulo
Tel: (11) 3228-3640



Revelando São Paylo: gastronomia e cultura paulista

No último dia 16 terminou a XI edição do Revelando São Paulo – Festival de Cultura Paulista Tradicional, que acontece anualmente no arborizado Parque da Água Branca.


O evento, organizado e produzido em parceria pela Secretaria de Estado da Cultura e a ONG Abaçaí Cultura e Arte, reuniu artesanato, comidas típicas, apresentações folclóricas e manifestações artísticas e religiosas de 180 municípios paulistas.

Infelizmente só pudemos comparecer no último final de semana, justamente os dias de maior público. Por isso não deu para ver, experimentar e fotografar tudo o que gostaríamos, já que a oferta de entretenimento era grande.
E como a gastronomia sempre fala mais alto, gastamos boa parte do nosso tempo em meio às diversas barracas de comidas típicas. Era tanta coisa boa que foi muito difícil decidir o que comer. E mais difícil ainda ter de ir embora sem conseguir provar muitas delas por pura falta de espaço no estômago.


Não é fácil ver uma porção dessas iguarias aqui na capital, o que torna o evento ainda mais atraente.
Abaixo está o resumo que preparamos para mostrar um pouco do que vimos por lá, dividido por cidades.

São Roque

Por R$ 2 era possível provar um copo de vinho artesanal, mas o calor de quase 30º nos forçou a ignorá-lo e ficar com o copo do suco de uva do Frade, pelo mesmo valor.

Mais aguado do que gostaríamos, serviu apenas para nos refrescar um pouco.

Barra do Turvo
Um dos melhores petiscos que experimentamos foi o pastel caipira (R$ 1,50).

A massa leva apenas farinha de milho e água, daí a cor amarelada e a textura semelhante a da polenta. A carne do recheio estava bem temperada e combinou com a massa.

Eldorado
O chips de banana (R$ 2 o pacote) é uma espécie de aperitivo feito com finas lascas de banana verde frita.

Pode ser doce (polvilhado com açúcar refinado e canela em pó) ou salgado (polvilhado com sal).

Buri
Sem dúvida a barraca mais animada que vimos. A simpatia das senhoras de Buri chamou nossa atenção.

Aliás, vale ressaltar que as pessoas que vivem no interior de São Paulo costumam mesmo ser alegres, prestativas, tranqüilas e animadas. Bem diferente de boa parte dos paulistanos.

E o bolinho de mandioca com carne (R$ 1) estava tão bom que não resisti e trouxe uma bandeja para fritar em casa.

Atibaia
No estande de Atibaia o destaque ficou por conta dos virados. Optamos pelo de ervilha, prato típico da cidade, que vinha com arroz, lingüiça, salada de alface e tomate (R$ 6).

Acertamos na escolha pois ele consegue ser tão bom quanto o tradicional de feijão.

Charqueada
Cachaça, rapadura, açúcar mascavo e melado de cana eram os únicos produtos dessa barraca.

E o que atraiu nossa atenção foram as rapaduras com cidra, gengibre ou abóbora. Três pedaços pequenos por R$ 2.

Caraguatatuba
Por ser uma cidade litorânea, sua gastronomia destaca os frutos do mar. Foi impossível passar direto ao ver os belos mariscos e, principalmente, o tamanho da panela onde era preparado o cheiroso risoto de camarão (R$ 8).

Mas como nem tudo que reluz é ouro, foi a nossa grande decepção do dia. O tempero estava tão forte que não conseguimos comer todo o prato.

São Francisco Xavier
E para compensar nossa desilusão com o risoto de camarão, nos esbaldamos com muitos copos de suco de limão do mato (R$ 1,50), uma das melhores descobertas desse evento.

Extremamente cheiroso e com gosto semelhante ao do limão Siciliano, o suco é leve, saboroso e refrescante. Perdemos a conta de quantos copos tomamos.

Jundiaí
O calor continuava forte e por isso não nos animamos mesmo com a oferta de vinhos artesanais.

Mas o suco de uva integral Pérgola estava tão cheiroso que resolvemos comprar um copo (R$ 2). Encorpado, sem adição de açúcar e levemente gelado, agradou tanto nossos paladares que voltamos para casa com uma garrafa de 500 ml.

Monteiro Lobato
Cocada mole, doce de abóbora com coco, doce de leite, doce de figo.

Tantas opções apetitosas que a vontade era comer um pouco de cada, mas acabei decidindo pelo arroz doce (R$ 1).

Duartina
Interior paulista é sinônimo de milho: pamonha, bolinho de milho, curau, doce de milho com coco, espiga de milho cozida. Milho de todos os jeitos e para todos os paladares.

Provamos e aprovamos o curau (R$ 2).

Capivari
Em uma barraca escondida estava uma das comidas que eu mais gosto: cuscuz paulista. Nas versões de camarão, sardinha ou legumes, tive outra grande dificuldade na hora da escolha. Fiquei com o de camarão (R$ 4) e não resisti em petiscar o de sardinha (R$ 3).

Ambos muito gostosos, mas prefiro a receita da mãe do Fernando, que capricha na azeitona.

Sugestão do chef: o Revelando São Paulo é um evento anual que acontece geralmente no mês de setembro. Para os próximos anos vale a pena acompanhar a agenda cultural de São Paulo e conferir em quais datas ele acontecerá. Caso tenha disponibilidade, evite os dias mais cheios visitando o evento durante a semana. Com o público menor dá para conversar bastante com os expositores, pegar dicas turísticas e até conseguir as receitas dos pratos e petiscos saboreados.

Parque da Água Branca (Parque Dr. Fernando Costa): Av. Francisco Matarazzo, 455 – São Paulo – SP
Abaçaí Cultura e Arte – Organização Social de Cultura: Rua Cásper Líbero, 390, conj. 610 – Tel.: (11) 3311-8887



Gula & Design Boa Mesa: melhores momentos

Terminou no último sábado a edição 2007 do Gula & Design Boa Mesa Gourmet , para muitos o maior evento de gastronomia do Brasil. Com tema inspirado no Guia Michelin, o evento contou com aulas comandadas por quatro renomados chefs internacionais: o português Joachim Koerper e os franceses Lionel Lévy, Nicolas Lê Bec e Jean-Cristophe Ansanay.
A melhor definição é a que li em algum lugar que não me lembro qual: um parque de diversões para o público gourmet. É que o Boa Mesa traz a possibilidade de conhecer algumas tendências gastronômicas e, claro, degustar boas novidades de produtores competentes.
E tudo isso em um espaço de muito bom gosto, com boa parte da estrutura herdada da Casa Cor, grande evento de decoração ocorrido no mês passado nesse mesmo local.

O bom gosto começa no hall de entrada, com suas “mesas-lareiras” e seus lustres imponentes, passando pelo belo projeto paisagístico, assinado por quatro arquitetos.

O investimento no design do espaço pode ser observado em cada detalhe, até no visual dos banheiros, modernos demais para o meu gosto.

Mas como o assunto aqui é gastronomia, aí vai um resumo do que vimos e provamos de melhor nos mais agradáveis espaços do evento.

Espaço Toscana
A altíssima gastronomia – principalmente os pratos com trufas – foi bem representada no espaço Toscana. Alho poró com trufa negra, arroz arbóreo com tartufo e sal fino com tartufo branco foram alguns produtos apresentados.

O espaço ficou lotado o tempo inteiro, mas com um pouco de persistência conseguimos degustar uma boa polenta com trufa negra.

Avestro
Para quem ainda não provou, carne de avestruz é macia e saborosa. E isso também vale para a lingüiça e para a mortadela que nós degustamos no stand da Avestro.

Só que a Débora morre de pena do bicho.

Bombay
Considerada a primeira loja especializada em temperos, ervas, pimentas e afins do Brasil, a Bombay marcou presença e, de novo, consumiu um bom tempo da nossa visita ao evento. Também pudera, por mais gourmet que seja o público freqüentador, arrisco dizer que não há quem revire as prateleiras sem encontrar pelo menos um condimento do qual nunca tinha ouvido falar. E até novas apresentações dos itens conhecidos fizeram parte do sortimento levado para o Jockey Club. Molho de pimenta Tabasco em versão mini e desodorizador de ambiente com fragrância de cardamomo são bons exemplos.

Mas o que nos atraiu mesmo foi uma interessante degustação de pimentas recheadas com berinjela, atum e ricota.

Muito boas e perfeitamente encaráveis. Mas, pensando melhor, cinco na sequência foi um certo exagero.

Dom Spinosa
Quantos tipos de vinagre você conhece? Confesso que eu conhecia uma meia-dúzia, no máximo. Tudo mudou depois de passarmos pelo stand da Dom Spinosa.

A empresa produz no interior paulista uma boa variedade de vinagres de frutas orgânicas. Maracujá, kiwi, jabuticaba, laranja com mel e manga são algumas das opções. Experimentamos só o de mexerica, e gostamos muito.

Queensberry
Degustar ou mesmo comprar ótimas geléias foi, mais uma vez, um bom programa para os visitantes do Gula & Design Boa Mesa. Neste ano, a Queensberry apresentou algumas versões de sua linha Gourmet, entre as quais as ótimas menta com hortelã e gengibre com limão. Destaque também para as geléias da linha Delight, feitas só com ingredientes naturais e adoçadas com suco de frutas.

Provamos as de cassis e de cereja vermelha, ambas ótimas. A linha inclui ainda blueberry, physalis e boysenberry.

Vigor
A Vigor foi criativa: reservou para os seus quejos Faixa Azul o mesmo destaque que obras de arte e objetos valiosos costumam receber.

O resultado foi um dos stands mais bonitos dessa edição.

Madame D’Orvilliers
Uma das melhores partes desses eventos é a possibilidade de experimentar algo que nem sequer foi lançado. Exemplo disso é o café Madame D’orvilliers, que ainda busca espaço nas gôndolas de empórios e supermercados.

Elaborado com grãos do Cerrado Mineiro, apresenta aroma e acidez bem intensos. Para a Débora, melhor até que o Fazenda Pessegueiro. Para mim, bom.

Salton
Num belo e bem decorado espaço, a Vinícola Salton apresentou alguns de seus melhores tintos, brancos e espumantes.

Enquanto a Débora experimentava o espumante rosé Poética, eu fui servido de um surpreendente Volpi Chardonnay. Até quem não é muito afeito aos vinhos brancos vai concordar que é ótimo. Infelizmente o Salton Talento não estava disponível para degustação. Compreensível.

Mumm
Antes da noite chegar e trazer com ela o frio, o quiosque do Mumm era um dos mais disputados.

Valia a pena esperar por uma taça: o espumante elaborado em Mendoza merece a fama que conquistou.

Amarula
Provamos a bebida africana em uma nova apresentação, preparada na coqueteleira por um barman malabarista.


Ficou deliciosa. E tem como algo com Amarula Cream não ficar bom?

Baden Baden
Apesar da variada oferta de bebidas, não foi dessa vez que nos distanciamos das cervejas. Coube à Baden Baden representar o gênero em um bar estilizado no qual vendia todas as versões e ainda pratos e petiscos para acompanhá-las.

Uma pena ter visto a logomarca da cerveja Primus grafada em uma das geladeiras. Não fazia questão nenhuma de lembrar que a Baden Baden não é mais micro.

Sweet Brazil
Depois de tantas bebidas, os médicos costumam recomendar uma certa dose de glicose. Resolvemos o problema na Sweet Brazil com um bombom de gianduia e outro de marzipã (R$ 3 cada).


Com 20 anos de atuação, a empresa fornece aquilo que chama de chocolate com design, verdadeiras obras-primas voltadas para festas e eventos. Ps: chocolate + design = dificuldade para tirar a Débora de lá.

GE
Cercado pelo mundo gourmet, alguns poderiam se empolgar e levar a história de cozinhar um pouco mais a sério. Para esses, o stand da GE era uma perdição, sobretudo por causa dos fogões com acabamento titanium.

Nosso preferido, o Reflex Vinho, custa pouco mais de R$ 1.500,00. Quem sabe um dia…

Cast Uniformes

E para quem já é ou pretende ser um profissional da área, a lojinha da Cast Uniformes era o local ideal para encontrar aventais, sapatos especiais e toda a vestimenta necessária para não fazer feio na cozinha.

Livros de Gastronomia
Livros de receita, biografias de grandes chefs, história dos alimentos. Quem gosta de comida costuma ler bastante sobre o assunto e é por isso que a livraria La Selva marcou presença com todo seu portfólio de gastronomia.

Outra representante da literatura gastronômica foi a editora Boccato, que levou alguns bons títulos a preços promocionais.



Gula & Design Boa Mesa Gourmet 2007

Estivemos no último dia do evento que aconteceu no Jockey Club de São Paulo e saímos de lá com muitas fotos para selecionar e bastante informação para escrever. Isso porque nesse ano o evento cresceu e ficou ainda mais interessante.
Enquanto o post não fica pronto, fizemos um pequeno vídeo com uma prévia do que aconteceu por lá.
Por ser nosso primeiro vídeo, não conseguimos evitar alguns problemas no som e na imagem. Mas prometemos melhorar nos próximos!



Saudade de um bom arraial

Tudo bem que falta pouco pro mês de julho terminar mas só agora conseguimos escrever sobre festas juninas. Aliás, por conta da correria desse ano fomos apenas à quermesse da Igreja do Calvário, já que ficamos órfãos da ótima festa realizada pelo Sesc Pompéia cuja decoração e comidas típicas eram impecáveis.

Nos empolgamos com a quantidade de barracas e compramos R$ 35 em fichas. Além de quitutes tradicionais, tinha também a barraca italiana, japonesa, baiana e portuguesa.
Para começar, alguns espetinhos de carne que estavam bons. Na seqüência, um razoável vinho quente, fogazza murcha e pesada seguida de polentas fritas.

Com a fome menor, passamos novamente por todas as barracas e notamos que a aparência dos comes deixava muito a desejar. Talvez isso justifique as faixas com a frase: “não somos profissionais, fazemos por amor”, espalhadas por quase todas as barracas. Só que um pouquinho mais de amor na hora de cozinhar não seria mau. O problema é que muita coisa é industrializada, o que é compreensível em uma festa freqüentada por muita gente e com o objetivo de arrecadar fundos para a igreja. Porém, na nossa opinião, poderia haver mais cuidado na escolha dos fornecedores. E não apenas por se tratar de comida (em geral simples), mas porque o preço cobrado não foi simbólico e a festa, uma das quermesses mais divulgadas da cidade, é patrocinada por várias empresas.
Para ninguém dizer que só criticamos, vale ressaltar o salgado que salvou nossa noite: um delicioso tempurá.

Depois dele, a idéia seria provar os doces. Seria. Preferimos pular a sobremesa (coisa rara) porque opções como uma maçã do amor caramelizada apenas na lateral, uma bomba de chocolate esmagada e com recheio ressecado, e os churros encharcados de gordura recheados com um doce de leite quase branco não eram, exatamente, o que pretendíamos para o “grand finale”.
O jeito foi adoçar a boca com algodão doce e aproveitar para lembrar da infância, época em que aproveitávamos ao máximo qualquer festa junina porque todos esses “detalhes” passavam despercebidos. O que de fato importava era colocar a fantasia de caipira, ganhar muitas prendas na barraca da pescaria e terminar a noite dançando quadrilha.

Sugestão do chefe: para aproveitar a quermesse com tranqüilidade o ideal é chegar por volta das 17h, horário inicial da festa. Após às 20:30h o local fica absurdamente cheio pois às 21h começa o show de forró e vira uma espécie de “balada junina”. Mas agora só no ano que vem.

Igreja do Calvário: Rua Cardeal Arcoverde, 950 – Pinheiros – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3085-1307