Palermo, o maior bairro de Buenos Aires, é um lugar difícil de definir. Dependendo do olhar – e da parte visitada – pode ser o local dos bares movimentados, das lojas de grife, da gastronomia elaborada, do design, dos descolados… Para quem está na divisão conhecida como Palermo Chico, é mais fácil que seja o bairro das mansões espetaculares, boa parte delas servindo de sede para embaixadas.
Outra opção, ainda mais provável, é que a região seja definida pelos seus parques e bosques. E nada mais justo do que isso. A começar pelo Jardim Botânico. Impossível não esquecer do tempo nas agradáveis alamedas, cobertas por quase seis mil plantas.
Ainda mais se você gostar tanto de gatos quanto a Débora. São dezenas deles, de todas as cores! E não querem nem saber de ficar escondidos. Chegam perto mesmo, meio que implorando um pouco de atenção.
Ao sair de lá, basta atravessar a avenida pra chegar ao Zoo. Lugar simpático onde, além dos animais presos, é possível “interagir” com alguns bichos que ficam soltos, como o ratão-do-banhado, cuja numerosa presença equivale a dos gatos no Botânico. Lá a entrada é cobrada – 22 pesos para ver todas as atrações.
A mesma região abriga outra área verde que vale uma visita, o Jardim Japonês. Paga-se uma taxa de cinco pesos para ter acesso ao espaço, inaugurado no final da década de 60 e depois adaptado ao estilo dos jardins zen. O resultado é um lugar que transmite sensação de paz mesmo quando as condições meteorológicas começam a jogar contra.
Se sobrar disposição para uma caminhada, é possível seguir até a Plaza de las Naciones Unidas, onde fica a Floralis Genérica, aquela famosa flor esculpida em aço pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano. Dotada de um sistema fotoelétrico, a obra de 20 metros abre suas pétalas pela manhã e as fecha no fim do dia. Apesar de muito próxima dos bosques de Palermo, está em uma área pertencente ao bairro da Recoleta.
Nesse dia dedicado aos parques, decidimos almoçar na parte conhecida como Palermo Soho, mais distante dos bosques e assim chamada pela semelhança com o homônimo nova-iorquino. Lembra um pouco o bairro dos Jardins, aqui em São Paulo, sobretudo pela concentração de restaurantes pretensiosos e de lojas elegantes. Matamos a fome no pequeno e aconchegante Caldén del Soho, cujo cardápio destaca amplamente as carnes típicas.
Eu ainda dava os primeiros goles na minha Quilmes e beliscava o couvert quando a Débora já se decidia pelo Lomo Pampa (45 pesos). Ótimo medalhão ao molho de vinho tinto, com cogumelos, salada de folhas e uma maravilhosa provoleta envolta em massa filo. Demais!
Louco pra continuar minha incursão pelo mundo das carnes argentinas, pedi logo um asado de tira (costela, vendida por 34 pesos). E só percebi o que tinha feito quando o garçom se aproximou: o corte, como podem ver, era imenso! Mas encarei mesmo assim, acompanhado de molho chimi-churri e vinagrete, além do desnecessário purê de abóbora que havia pedido (12 pesos).
Dei conta porque a carne estava mesmo muito boa. Ainda dividimos um pudim de pão com maçãs carameladas chamado de Budín Caldén (12 pesos). Esse, totalmente sem graça, destoou completamente do restante do almoço e de tudo o que fizemos naquele dia.
Sugestão do chef: Em boa parte das churrascarias argentinas, a carne é servida com menos sal do que estamos acostumados aqui no Brasil. Talvez por eles não utilizarem sal grosso. No Caldén, essa diferença ficou bem perceptível, o que pode desagradar aqueles que não abrem mão de uma carne mais salgada.
Caldén del Soho: Honduras, 4701, esquina com Malabia – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel,: (54 11) 4833-2221. E-mail: caldendelsoho@gmail.com Jardín Botánico: Av. Santa Fe, 3.951 – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4831-4527 Zoo Buenos Aires: Entre Av. Sarmiento e Av. Las Heras – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4011-9900 Jardín Japonês: Entre Av. Figueroa Alcorta e Av. Casares – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4800-1322 Floralis Genérica: Entre Av. Figueroa Alcorta e Calle Áustria
Buenos Aires é uma cidade repleta de bons restaurantes e, a grande maioria, traz pratos saborosos e generosos. Em um dia de muitos passeios, andamos por várias partes da cidade e experimentamos a comida de mais de um local. O resultado desse ato guloso foi perder a fome na hora do jantar. Mas claro que ficar no hotel e desperdiçar uma noite na capital portenha definitivamente não estava em nossos planos. Então, achamos que esse seria o momento ideal para petiscar algo no Hard Rock Café e depois dar um pulo no El Sanjuanino, que serve as empanadas mais tradicionais da cidade. No Hard Rock Café, fiquei bem animada quando vi que o cardápio incluía suco, pois quase todos os restaurantes que fomos não ofereciam a bebida. Logo pedi um de pomelo, conhecido por aqui como Grapefruit (7 pesos). A empolgacão foi tanta que nem cheguei a cogitar a hipótese dele ser industrializado. Decepção total depois do primeiro gole. O Fernando que se saiu bem pedindo uma caneca de Quilmes Bock (14 pesos).
Para acompanhar as bebidas, uma porção de Santa Fe Spring Holls (24 pesos). Rolinhos recheados de frango, espinafre, feijão preto, milho, pimenta jalapeño e queijos mistos. Tudo isso servido com salada e um creme à base de queijo que não vamos esquecer tão cedo.
Apesar da combinação do recheio ser meio duvidosa, nos surpreendemos com a harmonia dos sabores. A massa, que lembrava a de rolinho primavera, estava incrível. Sem dúvida foi o melhor petisco que comemos em Buenos Aires. Saímos do Hard Rock Café direto para o El Sanjuanino, restaurante que há mais de quarenta anos serve empanadas e pratos regionais.
Se nossa fome não estivesse tão pequena, provaríamos algum dos interessantes pratos típicos. Mas nos contentamos com as empanadas de queso y cebolla, carne picante, carne suave e choclo (milho). Cada uma custou 5 pesos.
Para mim, foram as melhores empanadas que provamos, com recheio na textura certa e massa leve. O Fernando também gostou bastante, mas elegeu as do Patio Cervecero como as preferidas da viagem. Ficamos curiosos para ver como era a Gran Sanjuanina, empanada frita recheada de carne (6 pesos). Aprovamos, mas achamos desnecessário ingerir tantas calorias. As empandas assadas não deixam nada a desejar.
Para encerrar a noite das guloseimas, Torta Rogel (16 pesos), aquela que já citamos aqui, e que traz camadas de massa intercaladas com doce de leite e cobertura de merengue. Boa, mas não como a do Havanna Café.
Sugestão do chef: o Hard Rock Café funciona dentro do Buenos Aires Design, um shopping temático dedicado exclusivamente a peças, móveis, esculturas e artigos que envolvam design conceitual em suas criações. Um detalhe curioso é que se você pedir para ir ao Hard Rock Café, corre o risco de não ter o pedido compreendido pelo taxista: eles costumam chamar o lugar de “Caro Café” – não sem uma certa dose de razão.
Hard Rock Café: Av. Pueyrredón, 2501 – Recoleta – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4807-7625 El Sanjuanino: Posadas, 1515 – Recoleta – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4804-2909 Buenos Aires Design: Av. Pueyrredón y Libertador – Recoleta – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 5777-6000
Assim como boa parte dos turistas que estão em Buenos Aires pela primeira vez, nos programamos para assistir um show de tango. O principal atrativo de quase todas as tanguerias que pesquisamos era o pacote com jantar seguido do show. Mas nenhum dos cardápios apresentados foi bom o suficiente para nos fazer desembolsar algo em torno de 100 dólares por cabeça! Passeando pela feira de San Telmo naquele já citado domingo, caminhamos até o El Viejo Almacén, uma das casas de tango que estavam em nossa pré-seleção, feita ainda no Brasil.
O El Viejo Almacén restaurante funciona em um prédio novo e suas instalações são requintadas e sóbreas. Mas as apresentações acontecem no salão do outro lado da rua, construído em 1969. Achamos o local muito interessante pois tanto a casa quanto a ambientação interna original continuam preservadas. Fizemos as reservas apenas para o show de tango e fomos procurar um lugar ali por perto para jantar. Nem precisamos andar muito porque no mesmo quarteirão do El Viejo Almacén vimos o Campo Alto, um outro restaurante simpático com cardápio que nos agradou. Na quarta-feira à noite, lá estávamos.
O cardápio tem preços convidativos e traz boas combinações de carnes, aves, peixes e massas. O couvert é modesto, apenas pão, torrada e patê.
Apesar da parrilla estar bem próxima da nossa mesa, preferimos deixar as carnes de lado, pelo menos naquela noite. O Fernando escolheu Trucha con salsa de Hongos Patagônicos y Torre de verduras grillé (29 pesos). Prato com apresentação grotesca, mas bem saboroso e equilibrado. O molho de cogumelos patagônicos estava muito bom, melhor do que imaginávamos. Os legumes grelhados ficaram crocantes e combinaram bem com o peixe.
Raviolone Mediterrâneo Light con muzzarella, berenjena y albahaca (15 pesos) foi meu pedido. A massa foi cozida um pouco além do necessário, porém isso não chegou a prejudicar a boa proposta do prato. As enormes folhas de manjericão fresco, apesar de exageradas, ajudaram a ressaltar o sabor dos legumes, que não estavam tão bem temperados.
Pulamos a sobremesa pois já estava quase na hora do show de tango começar. Aprovamos o espetáculo moderno que mesclou tango, mariachis e cantores.
Foi uma noite animada, acompanhada de gente de vários cantos do mundo e de muito espumante.
Sugestão do chef: o show de tango sem o jantar custa 53 dólares por pessoa. No valor estão inclusos transfer hotel/show/hotel e duas taças de vinho ou espumante.
Campo Alto: Balcarce, 761 – San Telmo – Buenos Aires – Argentina. Tel: (54 11) 4362-3734 El Viejo Almacén: Av. Independencia y Balcarce – San Telmo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4307-6689
Nunca gostei de ler em reportagens de turismo que um local é “parada obrigatória” para quem vai a determinado destino. Acho pretensioso demais pensar que uma opinião pessoal deve ser seguida por leitores de diferentes perfis. É o que acontece com o Café Tortoni, apontado como obrigação de turista em Buenos Aires.
A fama do café, fundado em 1858 e outrora frequentado por gente da competência literária de Jorge Luis Borges e do talento musical de Carlos Gardel, é muito bem aproveitada pelos proprietários. Ninguém consegue sequer dar uma espiadinha sem consumir algo: um funcionário mantém a porta fechada aos olhares curiosos. Fila de espera? Na calçada.
Fomos lá em uma tarde de quarta-feira e conseguimos uma mesa em menos de 10 minutos, algo raro segundo os relatos que ouvimos. O café, pelo qual paguei 7 pesos, é tão fraquinho quanto os outros que provamos na cidade. Já o chocolate com 3 churros (19 pesos), que dividi com a Débora, estava ótimo. O leite vem separado, para ser acrescentado na quantidade desejada. Os churros estavam sequinhos e bem saborosos. Pedimos ainda uma porção de doce de leite para acompanhá-los (3 pesos), um pedido que, na Argentina, não tem como dar errado.
Haviam nos alertado para o atendimento complicado, mas não foi essa a nossa percepção. Do cardápio à conta, tudo chegou rápido à mesa. Não tínhamos obrigação de ir até lá, mas fomos e gostamos.
Sugestão do chef: as conhecidas apresentações de tango no Tortoni acontecem todos os dias. O local também é procurado por quem pretende almoçar ou jantar, mas os preços são pouco convidativos se comparados a locais que servem cardápio semelhante na cidade.
Café Tortoni: Av. de Mayo, 829 – Centro – Buenos Aires – Argentina- Tel.: (54 11) 4342-4328
No segundo dia na capital argentina, o tempo ensolarado nos deu ânimo para pegar o Buenos Aires Bus e conhecer alguns dos mais visitados locais da cidade.
O ônibus turístico custa 50 pesos por pessoa, traz explicações em 10 idiomas e permite visitar 12 pontos, reembarcando quantas vezes desejar. É boa alternativa para ter uma visão geral de Buenos Aires e passar por lugares que merecem ser vistos mas que talvez não justifiquem uma parada, como a Torre Monumental (conhecida como Torre dos Ingleses) na praça Fuerza Aérea Argentina.
Já passava um pouco do horário do almoço quando paramos em La Boca para visitar o Caminito. Rua minúscula é igual a passeio rápido, portanto, logo estávamos livres para almoçar.
Acontece que desanimamos totalmente com as opções de bares e restaurantes daquele pedaço, principalmente porque quase todos colocam alguém pra caçar os turistas na rua garantindo ter “la mejor cerveza”, entre outras coisas maravilhosas. Apelativo (e irritante) demais. Por isso, mesmo com a barriga vazia decidimos seguir para o estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors. Fica a apenas algumas quadras de onde estávamos, mas fomos aconselhados por um artista local a seguir de táxi, já que as ruas no miolo do bairro não são lá muito seguras – assim como boa parte daquela região na parte sul de Buenos Aires. Por 35 pesos visitamos o Museo de la Pasión Boquense, do qual os cronistas esportivos brasileiros costumam falar maravilhas. Mas pelo jeito eles não devem ser assíduos frequentadores de museus, caso contrário não se impressionariam tanto. O espaço apresenta alguns dos troféus conquistados, fotos de todos os jogadores que já atuaram pela equipe azul e amarela, objetos históricos como uma camisa usada por Diego Maradona e um ótimo acervo digital com lances de partidas históricas. Bacana, mas nada além disso. A melhor parte é a visita ao estádio. Mesmo vazio, dá pra ter uma ideia da pressão que deve ser jogar em um gramado bem mais colado às arquibancadas do que a maioria dos campos brasileiros.
Com o tour, o tempo passou rápido. Já eram quase 4 da tarde e nossa fome estava desesperadora. Pra piorar, os restaurantes mais próximos, como o Don Carlos, já tinham fechado as portas. Por sorte, conseguimos um táxi pilotado por um senhor bem simpático que nos deu a dica de que encontraríamos vários restaurantes abertos na Recoleta. Cruzamos a cidade até lá e achamos o La Chacrita.
E que ótimo achado! Ambos optamos pelo menu executivo (52 pesos cada) que contava com quatro opções de entrada, prato principal e sobremesa. Também incluía uma taça do bom Norton Malbec.
Pedimos exatamente tudo igual: meia provoleta con chorizo (linguiça), bife de chorizo, e ainda fomos surpreendidos pelas cortesias: pães, caprichadas empanadas de carne, salada e purê de batatas.
Apesar de nossas escolhas terem sido simples, a carne estava absolutamente saborosa, uma das melhores parrillas da viagem. Flan e salada de frutas encerraram nosso tardio, mas ótimo almoço.
Sugestão do chef: menus executivos como esse do La Chacrita são muito comuns em Buenos Aires. Em geral, são ótimos para comer bem, pagando pouco: custam em torno de 50 pesos (mais ou menos 25 reais) e costumam ter como prato principal algumas das especialidades argentinas, como os cortes típicos de carne.
La Chacrita: Junín, 1721 – Recoleta – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4803-9791/(54 11) 4809-0351
Nosso primeiro dia em Buenos Aires foi um domingo, por isso já tínhamos definido o tradicional bairro de San Telmo como destino do passeio inaugural pela cidade.
É que esta é a data da tradicional feira que acontece por lá, um ótimo momento para conhecer melhor a cultura local, ouvir as apresentações ao ar livre de grupos musicais e, claro, comprar um pouco de tudo.
O endereço original é a Plaza Dorrego, onde a feira de San Telmo se originou com a venda de antiguidades. Hoje é bem mais do que isso e se estende por toda a Calle Defensa, rua que começa ao lado da Plaza de Mayo. Por essa razão, quem vai à feira pode aproveitar para conhecer a Casa Rosada. Foi exatamente o que fizemos, uma pena o museu que funciona no local estar fechado, em reforma para os 200 anos da Revolução de Maio – assim como o Teatro Colón e alguns outros prédios públicos.
Ao sair da sede do governo argentino, começamos a percorrer a rua Defensa e, ainda satisfeitos com as “medialunas com dulce de leche” do café da manhã, resistimos à tentação de entrar na fila do churipan (o pão com lingüiça deles).
Depois de muito olhar a infinidade de objetos expostos, encontramos uma simpática moça que vendia tortas e bolos feitos com massa integral. Escolhemos na hora uma torta de abóbora com queijo e semente de girassol. Deliciosa!
Era o que precisávamos para seguir com energia por mais algumas das muitas quadras ocupadas pela feir…(ona!). No trajeto, em meio aos expositores e às lojas de antiguidades, fomos avistando diversos restaurantes e bares bem interessantes. Nossa paixão à primeira vista por San Telmo só se confirmava… Até que entramos no meio de uma bagunça deliciosa! Era uma legião de portenhos pulando ao som de uma certa banda de rock, turistas de várias partes perguntando o preço dos produtos nas barracas, casais vestidos com trajes de época posando para fotos… bastou olhar para a placa e confirmar: finalmente estávamos na Plaza Dorrego. Ali, sim, são comercializados quase que exclusivamente objetos antigos.
É engraçado de ver, dá uma certa sensação de que voltamos no tempo. Pode ter sido o começo de tudo, mas, na nossa opinião, está longe de ser o trecho mais interessante da feira dominical.
O fato é que já tínhamos visto tudo, mas ainda não estávamos com uma fome que justificasse encarar pratos mais consistentes, apesar da grande oferta de menus executivos a preços atraentes. Por essa razão, não pensamos duas vezes quando vimos a possibilidade de petiscar alguma coisa acompanhada de cervejas artesanais argentinas. Garantimos logo uma mesa no Patio Cervecero.
Com apenas dois garçons tendo que dar conta de todo o movimentado salão, quase foi preciso implorar pelo cardápio. Quando chegou, logo decidimos que as empanadas seriam a estrela principal do nosso primeiro almoço em Buenos Aires. A Débora pediu um combo com duas de carne suave mais chope Quilmes por 16 pesos (em torno de 8 reais). Eu resolvi provar empanadas típicas de três diferentes regiões. Cada uma custa 4 pesos e traz diferenças sutis na receita.
A Jujeña leva carne picada, cebolinha, pimenta Ají, tomate e ovo cozido. Já a Salteña é feita com carne cortada na ponta da faca, batata, azeitona, cebolinha, ovo cozido e pimenta Ají. E, por último, a Mendoncina, com carne picada, cebola, ovo, azeitonas pretas e cebolinha. As três, assim como as de carne suave, estavam bem oleosas, o que não é uma regra na Argentina, como veríamos mais tarde. No entanto, precisamos confessar que o sabor estava sensacional! A Débora já bebericava sua refrescante e sempre boa Quilmes enquanto eu ainda tentava escolher uma cerveja desconhecida. A demora tem pouca relação com o número de opções do cardápio e muita com o fato de algumas estarem em falta naquele dia. Terminei por escolher a Otro Mundo do tipo strong red ale, feita em Santa Fé pela San Carlos Brewery. Frutada e com o sabor adocicado do malte bem perceptível, estava excelente! Valeu, de longe, os 16 pesos. Para o começo da viagem, não poderia ter sido melhor.
Sugestão do chef: além de empanadas e opções para petiscar, o Patio Cervecero apresenta boa variedade de pratos, incluindo alguns da cozinha mexicana. Assim como diversos outros restaurantes em Buenos Aires, também serve pizza na pedra desde a hora do almoço.
Patio Cervecero: Defensa, 1084 – San Telmo – Buenos Aires – Argentina. Mais dois endereços. Tel.: (54 11) 4307-2211/ (54 11) 4307-2384
Aproveitamos o recesso do final do ano para viajar e curtir o sol em belas praias. Agora, 2010 começou de verdade para nós. Nos próximos posts, finalmente descreveremos a nossa viagem pela Argentina, mas enquanto os textos não ficam prontos, deixamos um vídeo como um aperitivo do que virá.
Designer gráfica como profissão e gulosa nas horas vagas. Apaixonada por cores e animais (especialmente os gatos), não consegue ficar muito tempo sem viajar. Ama recordar os aromas e sabores que descobriu pelo mundo a fora e acredita que o ato de comer não é apenas necessidade física, mas sim, um sentimento.
Fernando Salles
Adepto da slow life que sobrevive há uns 10 anos no mundo caótico do jornalismo. Adora ouvir Neil Young, beber boas cervejas e ver o Corinthians jogar. Concorda que é caminhando que se faz o caminho, vê o mundo como um lugar a ser descoberto e jamais sai pra "comer alguma coisa", porque refeição é coisa bem séria.