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A ideia naquela noite de sábado era um jantar repleto de comidas da Patagônia. Não deu certo. O restaurante típico fechou ou então foram os redatores do guia que tínhamos em mãos que erraram feio na indicação do endereço. Era para ser uma decepção, mas não foi bem assim.
A razão? Fomos parar no Punta Brasas, um restaurante dos mais agradáveis no movimentado Palermo Hollywood. Nem sentimos passar os 20 minutos de espera, em parte porque a simpática hostess achou dois bancos livres ao lado do bar, de onde ficamos acompanhando o movimento de frequentadores, o que significa uma interessante mistura de gente de estilo descolado com pessoas de visual mais, digamos, “clássico”. Todos elegantes, cada um a seu modo.
Outro motivo para o tempo passar depressa foi a possibilidade de bebericar duas taças de espumante servidas como cortesia, talvez pelo fato de os administradores da casa sentirem uma certa obrigação de se desculpar por não sermos atendidos de imediato. Impossível não simpatizar com aquele lugar.
Alocados em uma boa mesa num dos cantos do restaurante, começamos a elogiar o patê de fígado de galinha com queijo servido no couvert.
A Débora, ainda sem esquecer o objetivo inicial daquela noite, pediu uma saborosa Trucha Patagonica (39 pesos), coberta por creme de amêndoas e acompanhada de molho de cenoura com gengibre, além de batatas.
Eu escolhi Lomo a la Mostaza de Díjon com Papas a la Crema (38 pesos), prato clássico e costumeiramente bom em qualquer lugar. Mas ainda melhor com carne argentina temperada na medida certa. Simples e sensacional.
Sem conhecer, pedimos o vinho Don Nicanor malbec (70 pesos), forte e encorpado mas apenas razoável.
Fechamos a noite com uma deliciosa Panqueque de Manzana flambada na mesa com rum (18 pesos).
Difícil descrever como gostei daquele nosso último jantar em terras portenhas. Acho que a ocasião sintetizou perfeitamente como nossa viagem foi boa em todos os aspectos, sobretudo no gastronômico.
Sugestão do chef: Às sextas e sábados, a casa funciona em sistema de open bar da uma às quatro da manhã.
Punta Brasas: Bonpland, 1694 – esquina com Honduras – Palermo Hollywood – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4776-2784
Palermo Viejo é um bairro arborizado e que chama a atenção, entre outros atrativos, pelas lojas de roupa e decoração. Numa das nossas caminhadas por lá, passamos em frente ao Lelé de Troya e de cara fomos atraídos pelo agradável ambiente. Mal sabíamos que aquele seria o jantar inesquecível da nossa viagem.
A decoração é criativa. Cada um dos seis ambientes tem estilo e cor diferenciados. Nós gostamos do salão amarelo, que, além de alegre, fica perto da cozinha totalmente aberta, de onde se pode ver o preparo dos pratos. Porém, acabamos ficando em uma dos sofás do elegante espaço vermelho.

O serviço cuidadoso logo nos serviu pães caseiros e um patê de cenoura com mel e gengibre leve e bastante saboroso, combinando bem com o Lagarde Rose Blanc de Noire Reserva 2007 (52 pesos). E só para deixar registrado, vale dizer que dessa vez acertamos na escolha do vinho.
O cardápio, apesar de curto, apresenta criações interessantes – e algumas muito elaboradas –, com opções de massas, carnes, aves, peixes e frutos do mar. Nós fomos extremamente felizes em ambas escolhas e não sabemos dizer se o Crocante de Lomo (48 pesos), um filé mignon especial recheado com mousse de champignon e espinafre envolto em massa filo estava melhor do que o Cordero de Troya (49 pesos), que trazia cordeiro desfiado com pistaches e amêndoas acompanhado de bouquet de tomate com hortelã e batatinhas ao molho de vinho merlot e chocolate.

A carne enrolada na massa filo nos deixa saudosos até hoje. O sabor do molho de vinho merlot com o chocolate é tão diferente e gostoso que não conseguimos explicar a harmonia com o restante do prato. Foram verdadeiras obras de arte comestíveis.
E depois de pratos tão especiais como estes, nada melhor que uma ótima sobremesa. Ou melhor, seis delas, já que nossa escolha foi a overdose de açúcar da Picada Dulce (40 pesos), uma espécie de menu-degustação.
Achamos sem graça o sorvete de creme com pistache e água de rosas e apenas básica a pêra cozida com vinho malbec. A massa filo com crocante de nozes e amêndoas acompanhada de laranjas confitadas estava um pouco doce, mas a textura agradou. Sucesso mesmo fizeram o manjar de chocolate branco e preto, e a tortinha de chocolate branco, todas cobertas com calda de frutas vermelhas. Mas o destaque doce ficou com a mousse de chocolate com um toque de pimenta, cardamono e gengibre, servida com laranja confitada.
E depois de tantos sabores inesquecíveis numa mesma noite, foi difícil acreditar que pagamos apenas R$ 50 por cabeça!
Sugestão do chef: só quando fomos embora vimos que um dos ambientes se trata de um agradável jardim, boa pedida para almoçar ao ar livre ou para uma noite em época de calor.
Lelé de Troya: Costa Rica, 4901 – Palermo Viejo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4832-2726.
Nossa ida para Buenos Aires foi um pouco corrida. Saímos direto da festa do casamento e desembarcamos em terras argentinas na madrugada de domingo, dia em que acordamos cedo para passear bastante pela feira de San Telmo. A soma do cansaço acumulado dos meses anteriores com as poucas horas de sono naquela noite, inacreditavelmente, resultou em quase nenhuma fome. Por isso, naquele dia almoçamos apenas umas empanadas.
Porém, conforme caminhávamos pelas ruas do bairro, éramos atraídos por cafeterias e restaurantes simpáticos. E diante dessas opções, só nos restou separar uma data da viagem para um almoço por lá, o que ocorreu em um dia frio e chuvoso.
Pra combinar com a temperatura mais amena, decidimos ir a um restaurante italiano que vimos na Plaza Dorrego. Fica num ponto movimentado mas meio escondido, com uma escadaria entre a rua e o salão principal. Por essa razão, mantém um funcionário disposto a mostrar o cardápio a quem passa por perto. Normalmente fugimos de estabelecimentos que buscam por clientes na calçada, mas a curiosidade nos encorajou a romper o preconceito e espiar o cardápio do Amici Miei, cujas principais opções são combinações interessantes de massas e risotos. Nos empolgamos e resolvemos entrar.
A berinjela curtida no vinho e os pães fresquinhos do couvert foram uma amostra do que estava por vir. Pena que, outra vez, não acertamos na escolha do vinho. O Lurton Malbec (45 pesos) nos pareceu bem jovem, de aroma e sabor pouco encorpados, porém com forte presença de álcool. Mas tudo bem, pois ele ficou em segundo plano quando chegaram os pratos.
O Cappellotti di Fonduta al Tartufo Nero (capeletti de queijo Fontina e trufas negras ao molho escuro de carne com parmesão – 48 pesos) mesclava a delicadeza da textura da massa com o sabor marcante e equilibrado do molho. Uma delícia!
Entretanto, para a nossa surpresa, foi o Tortelli di Erbette Burro Fuso e Parmigiano (Tortelli de ricota e espinafre fresco com manteiga derretida e parmesão – 34 pesos) o grande destaque do almoço. Com recheio farto e bem temperado, o prato é daqueles pra se comer devagar, na tentativa de demorar ao máximo para chegar ao fim.

E aí está a prova de que, muitas vezes, são os lugares mais improváveis que nos revelam as melhores surpresas.
Depois de um almoço tão saboroso, achamos melhor garantir uma sobremesa compatível. No caminho até o restaurante vimos uma unidade da sorveteria Freddo, cujos sorvetes já havíamos provado (e aprovado). E lá fomos nós repetir a dose, mas a história desse relato fica para outro post.
Sugestão do chef: além das boas opções de pratos principais, o Amici Miei serve pizzas individuais também durante o dia.
Amici Miei Ristorante: Plaza Dorrego – Defensa 1072 – San Telmo – Buenos Ares – Argentina. Tel.: (54 11) 4362-5562
Palermo, o maior bairro de Buenos Aires, é um lugar difícil de definir. Dependendo do olhar – e da parte visitada – pode ser o local dos bares movimentados, das lojas de grife, da gastronomia elaborada, do design, dos descolados…
Para quem está na divisão conhecida como Palermo Chico, é mais fácil que seja o bairro das mansões espetaculares, boa parte delas servindo de sede para embaixadas.

Outra opção, ainda mais provável, é que a região seja definida pelos seus parques e bosques. E nada mais justo do que isso.
A começar pelo Jardim Botânico. Impossível não esquecer do tempo nas agradáveis alamedas, cobertas por quase seis mil plantas.

Ainda mais se você gostar tanto de gatos quanto a Débora. São dezenas deles, de todas as cores! E não querem nem saber de ficar escondidos. Chegam perto mesmo, meio que implorando um pouco de atenção.

Ao sair de lá, basta atravessar a avenida pra chegar ao Zoo. Lugar simpático onde, além dos animais presos, é possível “interagir” com alguns bichos que ficam soltos, como o ratão-do-banhado, cuja numerosa presença equivale a dos gatos no Botânico. Lá a entrada é cobrada – 22 pesos para ver todas as atrações.

A mesma região abriga outra área verde que vale uma visita, o Jardim Japonês. Paga-se uma taxa de cinco pesos para ter acesso ao espaço, inaugurado no final da década de 60 e depois adaptado ao estilo dos jardins zen. O resultado é um lugar que transmite sensação de paz mesmo quando as condições meteorológicas começam a jogar contra.

Se sobrar disposição para uma caminhada, é possível seguir até a Plaza de las Naciones Unidas, onde fica a Floralis Genérica, aquela famosa flor esculpida em aço pelo arquiteto argentino Eduardo Catalano. Dotada de um sistema fotoelétrico, a obra de 20 metros abre suas pétalas pela manhã e as fecha no fim do dia. Apesar de muito próxima dos bosques de Palermo, está em uma área pertencente ao bairro da Recoleta.

Nesse dia dedicado aos parques, decidimos almoçar na parte conhecida como Palermo Soho, mais distante dos bosques e assim chamada pela semelhança com o homônimo nova-iorquino. Lembra um pouco o bairro dos Jardins, aqui em São Paulo, sobretudo pela concentração de restaurantes pretensiosos e de lojas elegantes.
Matamos a fome no pequeno e aconchegante Caldén del Soho, cujo cardápio destaca amplamente as carnes típicas.

Eu ainda dava os primeiros goles na minha Quilmes e beliscava o couvert quando a Débora já se decidia pelo Lomo Pampa (45 pesos). Ótimo medalhão ao molho de vinho tinto, com cogumelos, salada de folhas e uma maravilhosa provoleta envolta em massa filo. Demais!


Louco pra continuar minha incursão pelo mundo das carnes argentinas, pedi logo um asado de tira (costela, vendida por 34 pesos). E só percebi o que tinha feito quando o garçom se aproximou: o corte, como podem ver, era imenso!
Mas encarei mesmo assim, acompanhado de molho chimi-churri e vinagrete, além do desnecessário purê de abóbora que havia pedido (12 pesos).
Dei conta porque a carne estava mesmo muito boa.
Ainda dividimos um pudim de pão com maçãs carameladas chamado de Budín Caldén (12 pesos). Esse, totalmente sem graça, destoou completamente do restante do almoço e de tudo o que fizemos naquele dia.

Sugestão do chef: Em boa parte das churrascarias argentinas, a carne é servida com menos sal do que estamos acostumados aqui no Brasil. Talvez por eles não utilizarem sal grosso. No Caldén, essa diferença ficou bem perceptível, o que pode desagradar aqueles que não abrem mão de uma carne mais salgada.
Caldén del Soho: Honduras, 4701, esquina com Malabia – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel,: (54 11) 4833-2221. E-mail: caldendelsoho@gmail.com
Jardín Botánico: Av. Santa Fe, 3.951 – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4831-4527
Zoo Buenos Aires: Entre Av. Sarmiento e Av. Las Heras – Palermo – Buenos Aires – Argentina.
Tel.: (54 11) 4011-9900
Jardín Japonês: Entre Av. Figueroa Alcorta e Av. Casares – Palermo – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4800-1322
Floralis Genérica: Entre Av. Figueroa Alcorta e Calle Áustria
Buenos Aires é uma cidade repleta de bons restaurantes e, a grande maioria, traz pratos saborosos e generosos.
Em um dia de muitos passeios, andamos por várias partes da cidade e experimentamos a comida de mais de um local. O resultado desse ato guloso foi perder a fome na hora do jantar. Mas claro que ficar no hotel e desperdiçar uma noite na capital portenha definitivamente não estava em nossos planos.
Então, achamos que esse seria o momento ideal para petiscar algo no Hard Rock Café e depois dar um pulo no El Sanjuanino, que serve as empanadas mais tradicionais da cidade.
No Hard Rock Café, fiquei bem animada quando vi que o cardápio incluía suco, pois quase todos os restaurantes que fomos não ofereciam a bebida. Logo pedi um de pomelo, conhecido por aqui como Grapefruit (7 pesos). A empolgacão foi tanta que nem cheguei a cogitar a hipótese dele ser industrializado. Decepção total depois do primeiro gole. O Fernando que se saiu bem pedindo uma caneca de Quilmes Bock (14 pesos).


Para acompanhar as bebidas, uma porção de Santa Fe Spring Holls (24 pesos). Rolinhos recheados de frango, espinafre, feijão preto, milho, pimenta jalapeño e queijos mistos. Tudo isso servido com salada e um creme à base de queijo que não vamos esquecer tão cedo.
Apesar da combinação do recheio ser meio duvidosa, nos surpreendemos com a harmonia dos sabores. A massa, que lembrava a de rolinho primavera, estava incrível. Sem dúvida foi o melhor petisco que comemos em Buenos Aires.
Saímos do Hard Rock Café direto para o El Sanjuanino, restaurante que há mais de quarenta anos serve empanadas e pratos regionais.

Se nossa fome não estivesse tão pequena, provaríamos algum dos interessantes pratos típicos. Mas nos contentamos com as empanadas de queso y cebolla, carne picante, carne suave e choclo (milho). Cada uma custou 5 pesos.
Para mim, foram as melhores empanadas que provamos, com recheio na textura certa e massa leve. O Fernando também gostou bastante, mas elegeu as do Patio Cervecero como as preferidas da viagem.
Ficamos curiosos para ver como era a Gran Sanjuanina, empanada frita recheada de carne (6 pesos). Aprovamos, mas achamos desnecessário ingerir tantas calorias. As empandas assadas não deixam nada a desejar.
Para encerrar a noite das guloseimas, Torta Rogel (16 pesos), aquela que já citamos aqui, e que traz camadas de massa intercaladas com doce de leite e cobertura de merengue. Boa, mas não como a do Havanna Café.

Sugestão do chef: o Hard Rock Café funciona dentro do Buenos Aires Design, um shopping temático dedicado exclusivamente a peças, móveis, esculturas e artigos que envolvam design conceitual em suas criações. Um detalhe curioso é que se você pedir para ir ao Hard Rock Café, corre o risco de não ter o pedido compreendido pelo taxista: eles costumam chamar o lugar de “Caro Café” – não sem uma certa dose de razão.
Hard Rock Café: Av. Pueyrredón, 2501 – Recoleta – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4807-7625
El Sanjuanino: Posadas, 1515 – Recoleta – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4804-2909
Buenos Aires Design: Av. Pueyrredón y Libertador – Recoleta – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 5777-6000
Assim como boa parte dos turistas que estão em Buenos Aires pela primeira vez, nos programamos para assistir um show de tango.
O principal atrativo de quase todas as tanguerias que pesquisamos era o pacote com jantar seguido do show. Mas nenhum dos cardápios apresentados foi bom o suficiente para nos fazer desembolsar algo em torno de 100 dólares por cabeça!
Passeando pela feira de San Telmo naquele já citado domingo, caminhamos até o El Viejo Almacén, uma das casas de tango que estavam em nossa pré-seleção, feita ainda no Brasil.
O El Viejo Almacén restaurante funciona em um prédio novo e suas instalações são requintadas e sóbreas. Mas as apresentações acontecem no salão do outro lado da rua, construído em 1969. Achamos o local muito interessante pois tanto a casa quanto a ambientação interna original continuam preservadas.
Fizemos as reservas apenas para o show de tango e fomos procurar um lugar ali por perto para jantar. Nem precisamos andar muito porque no mesmo quarteirão do El Viejo Almacén vimos o Campo Alto, um outro restaurante simpático com cardápio que nos agradou. Na quarta-feira à noite, lá estávamos.
O cardápio tem preços convidativos e traz boas combinações de carnes, aves, peixes e massas. O couvert é modesto, apenas pão, torrada e patê.
Apesar da parrilla estar bem próxima da nossa mesa, preferimos deixar as carnes de lado, pelo menos naquela noite.
O Fernando escolheu Trucha con salsa de Hongos Patagônicos y Torre de verduras grillé (29 pesos). Prato com apresentação grotesca, mas bem saboroso e equilibrado. O molho de cogumelos patagônicos estava muito bom, melhor do que imaginávamos. Os legumes grelhados ficaram crocantes e combinaram bem com o peixe.
Raviolone Mediterrâneo Light con muzzarella, berenjena y albahaca (15 pesos) foi meu pedido. A massa foi cozida um pouco além do necessário, porém isso não chegou a prejudicar a boa proposta do prato. As enormes folhas de manjericão fresco, apesar de exageradas, ajudaram a ressaltar o sabor dos legumes, que não estavam tão bem temperados.
Pulamos a sobremesa pois já estava quase na hora do show de tango começar. Aprovamos o espetáculo moderno que mesclou tango, mariachis e cantores.


Foi uma noite animada, acompanhada de gente de vários cantos do mundo e de muito espumante.
Sugestão do chef: o show de tango sem o jantar custa 53 dólares por pessoa. No valor estão inclusos transfer hotel/show/hotel e duas taças de vinho ou espumante.
Campo Alto: Balcarce, 761 – San Telmo – Buenos Aires – Argentina. Tel: (54 11) 4362-3734
El Viejo Almacén: Av. Independencia y Balcarce – San Telmo – Buenos Aires – Argentina.
Tel.: (54 11) 4307-6689
Depois do nosso almoço frustrado no Siga La Vaca, decidimos voltar a Puerto Madero. Como uma das noites estava reservada para visitar o cassino que funciona dentro de um barco ancorado no porto, achamos que antes deste passeio, jantar em algum restaurante próximo seria uma boa pedida.
Andamos um pouco e logo fomos atraídos pelo estilo clássico do Happening.
Ficar no deck com vista para o porto iluminado certamente seria bastante agradável, mas o vento gelado fez com que preferíssemos o espaçoso e elegante salão interno.
Pães, manteiga, patê e vinagrete foram trazidos à nossa mesa. Para os padrões de Buenos Aires, este foi um couvert caprichado – a maioria dos restaurantes serve apenas pão.
O friozinho daquela noite pedia um vinho. A carta não era muito grande, mas tinha certa variedade. Optamos pelo Alamos de Mendoza Reserve Malbec (73 pesos).
Não foi a melhor escolha. O vinho era um pouco forte, sem equilíbrio e com acidez bem marcante. Aliás, não demos muita sorte com os vinhos nessa viagem.
No enxuto cardápio do Happening, as carnes predominam. Frango e peixes também aparecem, mas em pouquíssimas variações.
Na tentativa de uma refeição mais leve, o Fernando foi de Lenguado en salsa de Atún, Zucchine y Berenjenas (53 pesos).
O peixe estava no ponto certo, mas não empolgou muito. O molho de atum foi o destaque do prato, já que a abobrinha e a beringela estavam sem graça (e sem tempero!).
Eu fiquei com o Ojo de bife en reducción de Malbec, con Panceta ahumada y Papas Dauphine (54 pesos).
O miolo do contra filé é uma carne alta, mas, mesmo assim, foi servida bem macia e cozida ao ponto. O molho de Malbec me agradou, porém, no geral, a combinacão com o bacon deixou o prato pesado e um pouco enjoativo. Não deu para comer tudo.
Em relação à variedade dos pratos principais, a oferta de sobremesas era interessante. Resisti bravamente à panqueca de doce de leite e pedi Crema Catalana (19 pesos). Boa, apenas.
Já o Fernando, apaixonado pelo doce de leite argentino, não podia deixar de provar a Mousse de Dulce de Leche (19 pesos).
Pena que, assim como o peixe, o doce também não empolgou muito. E, acreditem, o sabor do doce de leite quase não foi notado.
Realmente não acertamos nas escolhas em Puerto Madero. E, com tanta falta de sorte, melhor não arriscar nenhuma prata no cassino.
Sugestão do chef: para quem tiver algumas horas (e pesos) para gastar na região, vale conhecer o Cassino Puerto Madero.
A atração funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Na parte interna, conta com um bar que serve bebidas no balcão. O problema é aguentar o forte cheiro de cigarro.
Happening: Alicia Moreau de Justo, 310 – Puerto Madero – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4319-8712
Cassino Puerto Madero: Elvira Rawson de Dellepiane, s/nº, Dársena Sur, Puerto de Buenos Aires – Puerto Madero – Buenos Aires – Argentina. Tel.: (54 11) 4636-3100.
Durante o planejamento da viagem para Buenos Aires, deparamos com muitos comentários – positivos e negativos – sobre a casa de parrilla Siga la Vaca.
Lendo tais críticas, ficamos com vontade de conhecer o local, mas, ao mesmo tempo, não estávamos certos se seria a melhor decisão. Principalmente porque a filial mais conhecida fica em Puerto Madero, região cheia de outros bares e restaurantes estilosos. E talvez fosse melhor chegar lá sem um local pré-definido.


Escolhemos fazer uma caminhada diurna por alguns trechos do porto, e, por fim, fomos matar nossa curiosidade.
De fora já achamos as instalações do Siga la Vaca muito bonitas, assim como a dos demais estabelecimentos na região.


A primeira surpresa foi notar que, em plena quarta-feira, um restaurante daquele tamanho estava bem cheio durante o almoço. Entramos para ver o que atraía tanta gente e logo descobrimos: o preço.
A casa funciona no sistema all inclusive. De segunda a sexta-feira o almoço custa 45 pesos por pessoa, o equivalente a uns 23 reais. Aos finais de semana e feriados, bem como nos jantares, o preço por pessoa é de 69 pesos. Nesse valor estão inclusos buffet de saladas e pratos frios, carnes e seus acompanhamentos e uma sobremesa, além da bebida, que pode ser água, cerveja, refrigerante ou mesmo garrafa de vinho, mas sem direito a escolha do rótulo – uma carta de vinhos está à disposição de quem topar pagar à parte.
Optamos pelo vinho tinto incluso na conta e nos foi servido o Pont L’évêque Malbec 2009, bem inferior, como já prevíamos: tinha gosto de álcool! Certamente uma cerveja teria caído muito melhor.
Vinagrete, chimichuri e batatas fritas foram colocados em nossa mesa enquanto nos servíamos no buffet de saladas, que não empolgou muito.



Diferentemente do rodízio da maior parte das churrascarias brasileiras, as carnes não são trazidas à mesa. As pessoas é que se dirigem até a parrilla e por lá se servem. Em caso de dúvida, os parrilleros explicam de que se trata cada corte – também em português, já que os brasileiros parecem ser os maiores frequentadores do local.

A variedade de carnes é boa. Provamos frango, bife de chorizo, vacio (fraldinha), chorizo (lingüiça), tapa de cuadril (picanha) e morcella. São servidos ainda cortes de carne de porco e diversos miúdos.


De sobremesa, a Mousse de Chocolate estava gostosa, mas o Vulcán de Chocolate com Helado – igual ao petit-gateau – trazia fortes indícios de ser industrializado.

O custo-benefício do local é incontestável, porém, em se tratando de Buenos Aires, as carnes deixam muito a desejar. Podemos compará-las com as servidas nas churrascarias intermediárias paulistanas, e que nem de longe se parecem com qualquer outra carne que provamos na capital argentina. E olha que não foram poucas!
Sugestão do chef: além da unidade em Puerto Madero, o Siga La Vaca conta com mais 5 endereços na Argentina, dois deles são destinados a lanches e comida rápida.
Siga la Vaca: Alicia Moreau de Justo 1714, Puerto Madero – Buenos Aires – Argentina – Tel: (54 11) 4315-6801 / (54 11) 4315-6802
No segundo dia na capital argentina, o tempo ensolarado nos deu ânimo para pegar o Buenos Aires Bus e conhecer alguns dos mais visitados locais da cidade.
O ônibus turístico custa 50 pesos por pessoa, traz explicações em 10 idiomas e permite visitar 12 pontos, reembarcando quantas vezes desejar. É boa alternativa para ter uma visão geral de Buenos Aires e passar por lugares que merecem ser vistos mas que talvez não justifiquem uma parada, como a Torre Monumental (conhecida como Torre dos Ingleses) na praça Fuerza Aérea Argentina.

Já passava um pouco do horário do almoço quando paramos em La Boca para visitar o Caminito. Rua minúscula é igual a passeio rápido, portanto, logo estávamos livres para almoçar.
Acontece que desanimamos totalmente com as opções de bares e restaurantes daquele pedaço, principalmente porque quase todos colocam alguém pra caçar os turistas na rua garantindo ter “la mejor cerveza”, entre outras coisas maravilhosas. Apelativo (e irritante) demais.
Por isso, mesmo com a barriga vazia decidimos seguir para o estádio La Bombonera, casa do Boca Juniors. Fica a apenas algumas quadras de onde estávamos, mas fomos aconselhados por um artista local a seguir de táxi, já que as ruas no miolo do bairro não são lá muito seguras – assim como boa parte daquela região na parte sul de Buenos Aires.
Por 35 pesos visitamos o Museo de la Pasión Boquense, do qual os cronistas esportivos brasileiros costumam falar maravilhas. Mas pelo jeito eles não devem ser assíduos frequentadores de museus, caso contrário não se impressionariam tanto. O espaço apresenta alguns dos troféus conquistados, fotos de todos os jogadores que já atuaram pela equipe azul e amarela, objetos históricos como uma camisa usada por Diego Maradona e um ótimo acervo digital com lances de partidas históricas. Bacana, mas nada além disso.
A melhor parte é a visita ao estádio. Mesmo vazio, dá pra ter uma ideia da pressão que deve ser jogar em um gramado bem mais colado às arquibancadas do que a maioria dos campos brasileiros.

Com o tour, o tempo passou rápido. Já eram quase 4 da tarde e nossa fome estava desesperadora. Pra piorar, os restaurantes mais próximos, como o Don Carlos, já tinham fechado as portas. Por sorte, conseguimos um táxi pilotado por um senhor bem simpático que nos deu a dica de que encontraríamos vários restaurantes abertos na Recoleta. Cruzamos a cidade até lá e achamos o La Chacrita.

E que ótimo achado! Ambos optamos pelo menu executivo (52 pesos cada) que contava com quatro opções de entrada, prato principal e sobremesa. Também incluía uma taça do bom Norton Malbec.
Pedimos exatamente tudo igual: meia provoleta con chorizo (linguiça), bife de chorizo, e ainda fomos surpreendidos pelas cortesias: pães, caprichadas empanadas de carne, salada e purê de batatas.



Apesar de nossas escolhas terem sido simples, a carne estava absolutamente saborosa, uma das melhores parrillas da viagem.
Flan e salada de frutas encerraram nosso tardio, mas ótimo almoço.

Sugestão do chef: menus executivos como esse do La Chacrita são muito comuns em Buenos Aires. Em geral, são ótimos para comer bem, pagando pouco: custam em torno de 50 pesos (mais ou menos 25 reais) e costumam ter como prato principal algumas das especialidades argentinas, como os cortes típicos de carne.
La Chacrita: Junín, 1721 – Recoleta – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4803-9791/(54 11) 4809-0351
Claro que os vinhos entrariam no nosso cardápio em Buenos Aires, mas não precisaria ser no primeiro dia. Antes de sair para jantar, disse pra Débora que tinha só uma preferência em relação ao cardápio: cervejas artesanais de produção local. Então, nos dirigimos para as agradáveis ruas de Palermo, bairro em que ficamos hospedados, e fomos parar em uma das franquias da Cerveceria Antares, a mais famosa produtora de versões especiais da bebida na Argentina, nascida em 1998 na cidade de Mar del Plata.
O ambiente por lá é moderno (e escuro também) como toda aquela parte de Palermo. Há algumas mesas na calçada, música pop argentina no som ambiente e um bar bem imponente.

Por 20 pesos (em torno de R$ 10), é possível degustar os sete estilos produzidos o ano todo, além de uma edição limitada. Tudo em copos pequenos pra ninguém sair de lá tropeçando em uma das descoladas garçonetes.
Uma cesta com pães variados ajudou a limpar o paladar entre uma cerveja e outra.
Segui a orientação de iniciar pelas cervejas claras e logo provei a levíssima Kolsh, estilo criado na cidade alemã de Colônia. Na sequencia, Honey Beer, cujo mel adicionado dá um toque bem diferente e um pouco doce. Amargor mesmo só comecei a perceber com a Scotch. Mas estava curioso era pra provar a Doppelbock, a tal da edição limitada que passa por um processo de maturação de 30 dias acondicionada sob baixas temperaturas. Tudo para equilibrar os sabores. O resultado é uma cerveja bem encorpada, mas com um leve sabor adocicado. Bem diferente.
A essa hora já não sabia mais qual era minha preferida. E ainda faltava degustar três estilos. A Cream Stout, com aroma e sabor de chocolate arrancou elogios da Débora. Já a Porter e a Imperial Stout, ambas com gosto de malte torrado, só foram elogiadas por mim.
O que agradou a ambos, sem restrições, foram os pratos. A Cazuela de Lomo (32 pesos) impressionou com a bela apresentação. É algo como um picadinho de filet mignon cozido na cerveja Porter e coberto de batata em pedaços. Muito saboroso e com a medida certa de condimentos.
Minha escolha foi Pechuga Rellena (37 pesos), um peito de frango assado e recheado com mussarella, queijo gruyere e tomate seco, acompanhado de alface frisée, batatas rústicas e um molho delicioso. Sabor sensacional, e olha que tínhamos ido só pra beber cerveja.

Sugestão do Chef: a Antares mantém bares espalhados por diversas regiões da Argentina. Além de Buenos Aires e Mar del Plata, é possível provar as ótimas cervejas artesanais em lugares como Bariloche, Mendoza e Rosário.
Cerveceria Antares: Armenia, 1447 – Palermo – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4833-9611
Nossa amiga Emília, a turista acidental, esteve recentemente em Buenos Aires e lembrou do blog em um de seus almoços portenhos. Abaixo está o relato caprichado que ela preparou para dividir com os leitores do Brincando de Chef. Valeu, Emília!
Quando decidimos ir para Buenos Aires, começamos a anotar as dicas dadas pelo pessoal que entende do negócio e, na nossa listinha de restaurantes que deveriam ser conferidos, estava uma indicação do Ricardo Freire: a Brasserie Pétanque, numa tranqüila esquina de San Telmo. O nome do restaurante vem de um jogo muito popular na Provence, parecido com a bocha.

Chegamos lá depois de bater perna a manhã inteira. Estávamos famintos e com vontade de descansar em um lugar agradável. E nisso fomos plenamente atendidos…
O ambiente é amplo, com móveis claros e muita luz entrando pelas janelas que circundam o salão principal. É bastante acolhedor, com um estilo antigo. Tudo muito simples e elegante.

Depois de pedir um bom vinho rosé para ajudar a refrescar do dia quente e provar um pouco do couvert (pães quentinhos e patês), fizemos os nossos pedidos: para mim, ‘Emincés de magret a la naranja’…
…e o Marc foi de ‘Lomo a la bearnaise con hojaldrado de papas’.
Difícil saber qual dos dois estava melhor…eu adoro pato e o magret estava bem macio, o que é difícil encontrar. Só poderia estar um pouquinho só mais tostado na parte externa. O acompanhamento, uma combinação de leve batata rösti e cogumelos fazia par perfeito com a carne e seu molho de laranjas.
O filé também estava super macio e suculento, como era de se esperar e a torta de batatas, muito leve e saborosa.
Para sobremesa pedi um dos meus favoritos, a clássica Tarte Tatin. Estava linda e o sabor não ficava atrás, mas…nos esquecemos de fotografar e acabamos com ela primeiro (risos).
Depois dela, só o cafezinho e a conta, que fechou em aproximadamente 150 pesos ou cerca de R$ 80,00…acredito que uma refeição do mesmo porte aqui em São Paulo sairia o dobro. Que pena ter que ir embora…
É muito fácil chegar na Brasserie: ela fica na esquina da Defensa, uma das principais ruas de San Telmo, com a México, no trecho que sobe da praça Dorrego para o centro da cidade.

Sugestão do chef: Foi mesmo um belo almoço. E que bom termos chegado cedo, pois o salão lotou facilmente. Lá é assim em qualquer lugar: ou se reserva ou chega cedo, bem diferente do que estamos acostumados aqui.
Brasserie Pétanque: Defensa, 596 (esq. México) – San Telmo – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54-11) 4342-7930