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Armazém Gourmet: endereço de ótimas cervejas

Há uns meses a cidade de São Paulo ganhou outro local agradável para quem pretende beber ou comprar boas cervejas, o Armazém Cerveja Gourmet, onde estivemos, no mês passado, para uma degustação promovida pela casa.

Escolhemos uma mesa alta perto de uma prateleira cheia de garrafas do mundo todo e começamos com chope Bamberg Pilsen acompanhado de Bolinha de Queijo Crocante. Da bebida não é preciso falar muito, pois somos fãs de praticamente tudo o que produz a cervejaria de Votorantim (SP). A boa surpresa foi o petisco. É sempre ótimo provar uma versão realmente bem executada de algo comum, e é justamente o caso desse bolinho de queijo.

A degustação seguiu com outra velha conhecida, a Eisenbahn Weiss. Claro que foi a preferida da Débora, que adora o sabor leve e frutado das cervejas de trigo. Na harmonização, os Canapés de Linguiça Blumenau caíram muito bem.

A partir daí, o nível de amargor foi aumentando gradualmente. Primeiro com a versão IPA (Indian Pale Ale) da cervejaria Dama, servida com a melhor iguaria da noite: Sanduíche de Pernil. Ótima combinação, gostei tanto que repeti no final.

Na última etapa, degustamos uma novidade para nós, a Nostradamus Stout, produzida pela Cervejaria Dortmund, da cidade paulista de Serra Negra. Gostei demais! Impressionante como o cenário cervejeiro cresce no Brasil e revela a cada ano ótimas bebidas. Pretendemos tentar visitar a fábrica em breve. Essa stout chegou na companhia de Bolinho de Carne na Cerveja, uma espécie de almôndega muito bem temperada.

Antes de voltar pra casa, ainda provamos a boa mousse de banana com calda de maracujá.

Além de um ótimo local para beber cerveja de verdade, o Armazém Gourmet serve petiscos caprichados num ambiente simples e aconchegante. É só chegar, se acomodar no balcão ou em uma das poucas mesas e, se precisar, pedir ajuda de uma das bem-preparadas garçonetes para escolher a bebida que mais tem a ver com o seu paladar.

Sugestão do chef: Como o próprio nome indica, o local é também um armazém e vende grande variedade de cervejas nacionais e importadas de todos os lugares. Vale passar por lá e escolher alguns rótulos para abastecer a geladeira.

Armazém Cerveja Gourmet: Rua Tito, 400 – Vila Romana – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3675-0761. Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 17hs às 23hs. Aos sábados das 11hs às 20hs. Fecha aos domingos



Canteiros e Temperos de São José dos Campos

No início do ano, passamos rapidamente pela cidade de São José dos Campos, no interior de São Paulo. Na única noite que teríamos por lá, um casal de amigos disse que precisávamos conhecer o Canteiros e Temperos.

O local é realmente bastante agradável e tem proposta muito bacana. O restaurante funciona em uma simpática casa rodeada por diversos canteiros de ervas, que garantem delicioso aroma na parte externa da casa.

Crepes doces e salgados são os principais pratos do cardápio, que também traz algumas poucas opções de lanches e quiches.
Para beber, as combinações de sucos são criativas, porém é a carta de chás que impressiona pela variedade. Excelente pedida para o friozinho que está chegando!
Capim manga – manga com capim limão (R$ 5,50) e Dalai Lama – maracujá, manjericão, leite condensado e água (R$ 5,50) foram os sucos que provamos. Pena que estavam mais aguados do que esperávamos.

Já os crepes estavam ótimos! O Montpellier é recheado com frango ao curry, passas, catupiry e maçã (R$ 21,50) e o Lyon traz provolone, catupiry, presunto e maçã. Todos os crepes são servidos com salada.

Ficamos tão satisfeitos que não conseguimos experimentar nenhum crepe doce, mas nem por isso dispensamos a sobremesa. Uma fatia do básico Bolo Húngaro (R$ 5,30), com chocolate e castanha do Pará e o ótimo Moulin Rouge (R$ 8,40) – sorvete de manjericão com calda de morango e vinho do Porto – finalizaram muito bem a nossa estada em São José dos Campos.


Sugestão do chef: junto ao restaurante funciona um empório. Destaque para as geléias artesanais e orgânicas de sabores inusitados como a de alfazema e também para os diversos chás.

Canteiros e Temperos:
Rua Madre Paula de São José, 297 – casa 4 – São José dos Campos – São Paulo – Tel.: (12) 3943-5386



Em Morungaba, na Companhia das Ervas

Um dos caminhos para chegar até Serra Negra inclui passagem pela cidade de Morungaba, onde fica a fábrica da Companhia das Ervas, nossa marca nacional preferida no quesito temperos, condimentos, antepastos, pimentas e geleias.

A loja de fábrica funciona numa casinha rústica localizada em uma das ruas principais da cidade. Os preços por lá são um pouco mais acessíveis em relação aos praticados nos supermercados e empórios da capital.
Com tranquilidade, dá pra conhecer o portfólio completo de produtos da marca, que vai muito além dos temperos e geleias mais tradicionais.

Nós compramos geleias nos sabores cupuaçu, açaí, pimenta, canela e gengibre. Ainda não provamos todas, mas por enquanto, a única que não empolgou foi a de açaí. Trouxemos também um ótimo antepasto de berinjela e alguns temperos como páprica picante, açafrão e pimenta em conserva.

Sugestão do chef: a loja tem como diferencial alguns kits com produtos variados. São ótimas opções de presente gourmet.

Companhia das Ervas (loja de fábrica): Rua Araújo de Campos, 1.524 (em frente ao Doces David) – Morungaba – SP – Tel.: (11) 4014-7521



Almoço de despedida

O último dia da viagem foi dedicado às compras. Entramos em algumas lojas de malhas e de artesanatos. Depois, passamos por empórios e, claro, por várias lojas de chocolates artesanais.
O Matterhorn, um dos empórios que visitamos, chamou a nossa atenção por também funcionar como restaurante no andar superior e servir menu especial para o almoço.

Pelo preço fixo de R$ 35 por pessoa estavam inclusos salada, prato principal e sobremesa.
Gostamos do cardápio e decidimos que antes de pegar a estrada e voltar para São Paulo, faríamos ali a nossa última refeição na cidade.
O local é um pouco escuro devido às paredes de madeira, mas perto da janela conseguimos uma mesa clara e com vista para a praça.

Logo fomos servidos de salada verde com queijo brie e molho do bosque. Era bem simples e veio com pouquíssimo queijo. Mas o molho de frutas vermelhas estava caprichado e deu um toque especial.

Como prato principal, truta ao limoni. O filé do peixe estava muito bom, grelhado no ponto certo. O molho de limão, que o acompanhava, sem dúvida fez toda a diferença por ser suave, pouco ácido e bastante aromático.

A bem-servida banana flambada com sorvete de creme finalizou nosso almoço.

E assim nos despedimos da charmosa e romântica Campos de Jordão, onde passamos dias muito agradáveis.

Sugestão do chef: no jantar, racletes e fondues são os principais destaques do cardápio. O interior do restaurante tem pouca luz e bastante madeira, o que ajuda a criar um ambiente apropriado para o friozinho da serra.

Matterhorn Restaurante, Empório e Tabacaria:
Praça do Capivari – Rua Djalma Forjaz, 93, loja 20 – Vila Capivari – Campos do Jordão – SP. Tel.: (12) 3663-1841.



A Viela das Lavandeiras e o Empório São Pedro

Quando saímos do Restaurante e Bar Buenos Aires, passeamos bastante pelo centro histórico de Embu das Artes e vimos alguns outros lugares que também nos pareceram boas opções gastronômicas. De todos eles, o que mais chamou nossa atenção foi um restaurante localizado numa viela com aparência européia, sem dúvida a mais charmosa da cidade.

Coincidentemente se tratava do Empório São Pedro Antiquário e Cozinha, recomendado por uma leitora do blog.

O restaurante funciona dentro de um belo antiquário e boa parte das peças está à venda.

Preferimos sentar ao ar livre para aproveitar melhor o último entardecer antes do inverno, enquanto esperávamos pelos nossos pratos.

O cardápio, de influência franco-italiana, é enxuto, mas com opções bem elaboradas. O Fernando escolheu o Pappardelle integral com aspargos frescos e limão siciliano (R$ 40), que estava excelente e entrou para a lista das massas caseiras memoráveis.

Eu fui de Risoto de figos grelhados e roquefort com rúcula e castanhas (R$ 35). Tão saboroso e caprichado quanto a massa do Fernando.

E diante desse cenário, claro que não poderíamos sair de lá sem provar as sobremesas.
De cara o Fernando decidiu pelo Crème Brûlée de chocolate amargo em teias de laranja confit (R$ 13).

Estava muito bom mas não superou o sabor exótico e marcante do Souflê gelado de licor Grandmarnier com laranja confit e canela (R$ 15).

Apesar da laranja confit aparecer em ambos doces, seus sabores e texturas eram distintos.
Fomos embora bastante satisfeitos porque o lugar é lindo, a comida é ótima e o bom gosto é visto até nos talheres.

A única exceção são alguns itens específicos da decoração…

E aqui fica uma observação importante: cartões de débito e de crédito não são aceitos, portanto, não esqueça de quebrar o cofrinho antes de sair de casa.

Sugestão do chef:
caso deseje conhecer o local no horário do jantar, ligue antes pois à noite o empório só funciona com reserva.

Empório São Pedro Antiquário e Cozinha: Rua Siqueira Campos – Viela das Lavadeiras, casas 28 e 75 – Embu das Artes – São Paulo – SP. Tel. (11) 4781-2797.



Serra Negra, a cidade da saúde

Assim é conhecida a estância hidromineral e climática de Serra Negra, que ganhou esse apelido por conta das diversas fontes de água mineral e do ar puro que é notado logo no começo da subida da serra. Também é uma das cidades que formam o circuito das águas.

Distante 153 km de São Paulo, sua altitude varia entre 927 metros no centro e 1310 metros nos vales. A temperatura é amena no início da manhã e à noite, porém o resto do dia costuma ter sol e céu azul.


Serra Negra é uma das cidades do interior paulista onde o turismo é forte. Isso acontece pela soma do excelente clima com o intenso comércio local. Artigos de madeira, lã, malha e couro são encontrados por todas as estreitas ruas do centro e fazem a alegria dos turistas, em especial das mulheres.

E disso eu posso falar bem e já aviso: a quantidade de bolsas, sapatos, malhas, tricô e roupas é de enlouquecer. Impossível sair de lá com as mãos vazias. Sem falar nos objetos de decoração (artesanatos, quadros, cristais, crochê…) e todas essas quinquilharias que a gente sempre arruma um cantinho vazio em casa para colocar.
Mas como este blog foca a gastronomia, vamos ao que interessa.
Existem muitas lojinhas repletas de guloseimas e produtos caseiros de fabricação local, como queijos dos mais diferentes tipos, patês, embutidos, antepastos, bolachas, licores, cachaça, compotas, geléias, doces, pimenta e mel. E a melhor parte é que os ingredientes são de alta qualidade e os preços acessíveis. Dá pra comprar de tudo um pouco por preço justo, diferente de São Paulo onde produtos artesanais costumam custar mais caro.

Simplicidade é a palavra que melhor define a gastronomia local. Os bares e restaurantes não investem muito na decoração dos estabelecimentos e na apresentação dos pratos, mas isso não interfere na boa comida servida em grande parte deles.

Notamos, inclusive, que a cidade começa a se desenvolver nesse assunto. Cafés gourmet e lojas de chocolates finos já são vistos com mais freqüência e o preço médios das refeições também aumentou consideravelmente. Ainda assim não dá para comparar, por exemplo, com Campos do Jordão, cujos restaurantes são, em grande maioria, voltados para a gastronomia internacional. Em Serra Negra isso não acontece, o lugar é rústico.
Mas isso não é ruim, pelo contrário. Andar por lá é o mesmo que voltar ao passado, relembrar a infância e rever algumas coisas saudosas como esse sorvete tirado em uma máquina que eu não via há pelos menos uns 10 anos.


Durante a curta estada não deu para conhecer tudo que prevemos, principalmente porque descobrimos lugares legais que não estavam no roteiro. Claro que voltaremos para ir em todos eles. Os próximos posts serão dedicados aos que visitamos dessa vez.

Sugestão do chef: a rede hoteleira da cidade é muito boa e variada, atendendo a todos os gostos e bolsos. É possível ficar no centro, em bairros próximos, na montanha e até nas cidades vizinhas. A escolha depende do que se pretende fazer por lá e da estrutura dos hotéis. O melhor é consultar o site da cidade e escolher pelo que melhor se enquadra ao seu perfil.



O filet gigante do Bar do Alemão

Diversificar o conteúdo é desafio constante para qualquer blog. Temos apresentado nossas impressões sobre locais variados neste espaço, que é um dos poucos de crítica gastronômica independente (leia-se: vamos, pagamos a conta e publicamos nossa opinião sem influência de ninguém). Acontece que, por morarmos em São Paulo, a grande maioria dos estabelecimentos analisados acabam sendo os daqui. Claro que não corremos o risco do blog ficar sem assunto, mas achamos interessante falar também de locais de outras cidades.
É por isso que vamos tentar, periodicamente, ir além das fronteiras da capital. Claro que nem sempre vai ser possível, já que o blog é independente, mas nossos bolsos ainda não conquistaram a tão sonhada “independência financeira”, aquela que os jogadores de futebol conseguem quando vão jogar na Europa.
A boa notícia é que a “expansão geográfica” do blog começa já neste post. Tudo bem, não deu pra ir muito longe dessa vez, mas já tínhamos avisado que não seria fácil! O fato é que estivemos em Itu e fomos a um restaurante com 105 anos de história: o Bar do Alemão.

Itu, como todo mundo sabe, é aquela cidade paulista cuja praça principal tem um semáforo enorme e um orelhão maior ainda.

A fama de cidade dos exageros nasceu com um quadro em que o humorista ituano Simplício afirmava que em sua cidade tudo era grande. O cinema nacional da década de 70 chegou a usar o tema como trocadilho, mas isso em nada interessa aqui pro blog.
O que importa é que o Bar do Alemão parece levar a sério a história na hora de definir o tamanho dos pratos que serve.
A começar pelo couvert (R$ 18), que na verdade é um conglomerado de entradas variadas.

Chamado de antipasto Steiner (nome da família fundadora), traz berinjela, batatas, azeitonas, picles, patês de queijo e de vitela. Quase uma refeição completa.
Mas o que garante mesmo a fama do Bar do Alemão é o filet a parmigiana.

A versão “normal” custa R$ 76 e, segundo o cardápio, serve três a quatro pessoas. Na verdade mata a fome de cinco sem muito esforço.
A foto aí embaixo é da versão “mini”, que, para os padrões da casa, serve duas pessoas (R$ 48, com arroz branco). Detalhe é que no momento da foto duas fatias já estavam em nossos pratos!

Exageros à parte, foi um dos mais gostosos que já provamos. Tão bom que, por mais incrível que isso possa parecer, não sobrou nada. Depois de comer tanto, devemos atribuir à sorte o fato de não termos conhecido o pronto socorro de Itu?
Como um alemão não vive sem cerveja (tem gente que gosta de repetir essa frase), a casa oferece várias opções nacionais de produção industrial e algumas alemãs. Pena que para saber disso você terá que convencer um dos engraçados garçons a levar o cardápio de bebidas até sua mesa. É que o costume faz com que eles perguntem o que o cliente escolheu pra beber, ignorando que o coitado nem sequer teve chance de saber o que a casa oferece (é só um deslize, no geral o atendimento é ótimo).
Com a carta de bebidas em mãos, você saberá que o chopp Löwenbräu pode vir em versões 200ml, 300ml ou 500ml, por R$ 4,80, R$ 7,20 e R$ 12, respectivamente. Detalhe curioso (e negativo) é que a bebida é servida em copos ou canecas das concorrentes Krombacher e Warsteiner, o que causa certa confusão (na foto o líquido dourado é da Löwenbräu, podem acreditar).

O conteúdo não é tão encorpado e apresenta apenas um leve amargor, mas é a melhor opção de chopp e cumpre bem seu papel de refrescar num dia quente. Já aqueles que curtem os não-alcoólicos podem ficar tranqüilos, pois o restaurante serve, entre outros, “refrigerantes e minerais”. Não nos parece provável um tradicional restaurante servir bauxita, então eles devem estar oferecendo água mesmo.
O ambiente do Bar do Alemão é o que pode se chamar de familiar. São dois grandes salões, um deles com madeiras escuras e abajures que oferecem risco a quem tem mais de 1,80m.

O outro é mais claro, com destaque para os enormes e belíssimos vitrais.

Reparando nos freqüentadores dá pra observar coisas que só se vê no interior. Por exemplo, numa mesa próxima uma família comemorava o aniversário daquele que provavelmente é o seu mais idoso integrante. Era hora do almoço de um sábado de calor absurdo, mesmo assim todas as mulheres estavam de vestido no estilo madrinha de casamento. E depois dizem que as paulistanas é que se vestem bem!!!
Saindo do Alemão (que fica no Centro de Itu), num raio de 5Km há opções de fazendas que oferecem bebidas e guloseimas de produção própria. Um delas, a Fazenda do Chocolate, agrada mais às crianças, no entanto conta com uma simpática adega que comercializa bons licores.

Tem também respeitável variedade de geléias, macarrão caseiro, café em pó, mel, além de queijos e biscoitinhos.


Os vinhos, claro, também estão por lá, mas nem perca tempo com eles (não com os de lá).

Garanta logo uma garrafa de licor de chocolate, que justifica o nome da fazenda. Por falar nisso, os bombons vendidos na lojinha bem que poderiam ser melhores.

Sugestão do chef: no Bar do Alemão, dois móveis antigos expõem artigos relacionados à cerveja. Antes de ir embora, olhe com calma a pequena coleção de copos, bolachas de chopp e carrinhos patrocinados por cervejarias.

Bar do Alemão: R. Paula Souza, 575 – Centro – Itu – SP – tel.: (11) 4022-4284 – http://www.bardoalemao.com.br/

Fazenda do Chocolate: Rodovia Itu-Cabreúva (Estrada Parque) – Km 90 – tel.: (11) 4022-5492 – Itu – SP – http://www.fazendadochocolate.com.br/