Você está vendo os artigos na categoria “Bebidas”

Cerro San Cristóbal: para ver Santiago do alto

De vários pontos de Santiago é possível avistar a estátua branca da Virgen de la Imaculada Concepción. Ela fica no topo do Cerro San Cristóbal, um morro reflorestado no início do século passado e que hoje é uma das principais áreas verdes da cidade, situado na região do Parque Metropolitano.

Lá em cima, um mirante permite observar Santiago a partir de uma altura de mais de 800 metros. Para chegar há duas opções: uma estrada que contorna o morro, ou o funicular – antes existia também um teleférico, mas hoje está desativado. Claro que pagamos os 1.750 pesos por pessoa (cerca de R$ 6,70) para subir de funicular. O sistema é meio velhinho, chacoalha um pouco e faz uns barulhos estranhos. Quem sofre com medo de altura pode se assustar, mas o percurso é rápido. Antes de chegar ao topo, há apenas uma parada para quem vai ao zoológico, onde a entrada é cobrada à parte.

Além de avistar boa parte da organização da cidade, é interessante prestar atenção, lá do alto, na Cordilheira dos Andes emoldurando Santiago. Impossível, porém, não se impressionar com a imensa camada de poluição que cobre a capital chilena. Assustador até para paulistanos como nós.

No mirante há umas poucas lanchonetes simplezinhas, vendendo empanadas pouco atrativas. Por ser um dos principais pontos turísticos da cidade, merecia um cuidado maior. Mas dá pra tomar um Mote con Huesillos (700 pesos, em torno de R$ 2,65), a bebida típica chilena, servida gelada e feita com pêssego desidratado (huesillos) e grãos de trigo (mote). De tão doce, é praticamente um sobremesa! Não chega a ser deliciosa, mas pode ser considerada boa e, principalmente, bem refrescante. Nos dias quentes, cai muito bem.

Subindo mais algumas escadas, chega-se ao santuário da Virgem, um amplo espaço para realização de missas a céu aberto (e bem perto do céu!).

Prefira visitar o Cerro San Cristóbal durante a semana, quando as filas do funicular não são tão grandes e o mirante não fica abarrotado – aos domingos, dezenas de ciclistas se encontram por lá. E, se der sorte de pegar tempo aberto, tente ficar para ver o pôr-do-sol.

Sugestão do chef: Aproveitando que você já estará no bairro da Bellavista, uma dica é conciliar o passeio no Cerro San Cristóbal com a visita à La Chascona, a casa de Pablo Neruda em Santiago, localizada a apenas alguns quarteirões da entrada do funicular. Mas se a ideia é ver o pôr-do-sol lá do alto, vá primeiro à La Chascona, pois a casa fecha às 18 horas entre março e dezembro e às 19 horas em janeiro e fevereiro.

Cerro San Cristóbal: Pio Nono, 450 – Bellavista – Santiago – Chile. Horário de funcionamento do funicular: de terça a domingo das 10 hs às 20 hs. Às segundas das 13 hs às 20 hs.



Armazém Gourmet: endereço de ótimas cervejas

Há uns meses a cidade de São Paulo ganhou outro local agradável para quem pretende beber ou comprar boas cervejas, o Armazém Cerveja Gourmet, onde estivemos, no mês passado, para uma degustação promovida pela casa.

Escolhemos uma mesa alta perto de uma prateleira cheia de garrafas do mundo todo e começamos com chope Bamberg Pilsen acompanhado de Bolinha de Queijo Crocante. Da bebida não é preciso falar muito, pois somos fãs de praticamente tudo o que produz a cervejaria de Votorantim (SP). A boa surpresa foi o petisco. É sempre ótimo provar uma versão realmente bem executada de algo comum, e é justamente o caso desse bolinho de queijo.

A degustação seguiu com outra velha conhecida, a Eisenbahn Weiss. Claro que foi a preferida da Débora, que adora o sabor leve e frutado das cervejas de trigo. Na harmonização, os Canapés de Linguiça Blumenau caíram muito bem.

A partir daí, o nível de amargor foi aumentando gradualmente. Primeiro com a versão IPA (Indian Pale Ale) da cervejaria Dama, servida com a melhor iguaria da noite: Sanduíche de Pernil. Ótima combinação, gostei tanto que repeti no final.

Na última etapa, degustamos uma novidade para nós, a Nostradamus Stout, produzida pela Cervejaria Dortmund, da cidade paulista de Serra Negra. Gostei demais! Impressionante como o cenário cervejeiro cresce no Brasil e revela a cada ano ótimas bebidas. Pretendemos tentar visitar a fábrica em breve. Essa stout chegou na companhia de Bolinho de Carne na Cerveja, uma espécie de almôndega muito bem temperada.

Antes de voltar pra casa, ainda provamos a boa mousse de banana com calda de maracujá.

Além de um ótimo local para beber cerveja de verdade, o Armazém Gourmet serve petiscos caprichados num ambiente simples e aconchegante. É só chegar, se acomodar no balcão ou em uma das poucas mesas e, se precisar, pedir ajuda de uma das bem-preparadas garçonetes para escolher a bebida que mais tem a ver com o seu paladar.

Sugestão do chef: Como o próprio nome indica, o local é também um armazém e vende grande variedade de cervejas nacionais e importadas de todos os lugares. Vale passar por lá e escolher alguns rótulos para abastecer a geladeira.

Armazém Cerveja Gourmet: Rua Tito, 400 – Vila Romana – São Paulo – SP. Tel.: (11) 3675-0761. Horário de funcionamento: Segunda a sexta das 17hs às 23hs. Aos sábados das 11hs às 20hs. Fecha aos domingos



Os chás gourmet da Talchá

O chá é uma bebida que ganha cada vez mais admiradores entre os brasileiros. Além do aumento no consumo, estão em alta profissionais e lojas especializados em desenvolver blends exclusivos, sobretudo na capital paulista.

Eu sempre fui apaixonada por chá e nunca liguei muito para café. Desde a adolescência comprava chás de sabores variados e consumia durante todo ano. Naquela época me limitava às poucas versões vendidas nos supermercados ou, no máximo, a contar com a sorte de ter alguém voltando do exterior, já que só lá fora existiam opções mais criativas. Para a minha alegria, hoje o cenário é bem diferente.

Dias atrás, o calor senegalês deu uma leve trégua e a temperatura caiu bem. Ótima desculpa para fazer uma pausa e ir até à Talchá, loja especializada em chás gourmet.

A carta é ampla e chega a ser difícil eleger apenas um. São diversas combinações e aromas, todos deliciosos!

O Fernando ficou com o Darjeeling Orgânico (R$ 7,50 quente/ R$ 9,50 gelado), chá preto plantado a dois mil metros de altitude e colhido no verão, para tornar o sabor mais pronunciado. De cor avermelhada e com aroma frutado, lembra o vinho muscat.

Eu escolhi o Jardim de Infância (R$ 7,50 quente/ R$ 9,50 gelado), uma mistura de pedaços de maçã, amêndoas, canela e beterraba. Totalmente aromático, apresenta sabor bem cítrico e um lindo tom amarelado.

Todos os chás da loja são vendidos em embalagens de 50g, 100g e 150g ou em latas para presente. Infusores, bules, xícaras e outras opções bacanas de acessórios também podem ser levados para casa.

Sugestão do chef: no site da Talchá funciona uma loja virtual, disponível para quem quiser adquirir online qualquer produto.

Talchá: Shopping Pátio Higienópolis – Av. Higienópolis, 618 (piso Pacaembu – loja 2012) – Higienópolis – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3823-3744.



Receita de Sangria

Para acompanhar a nossa deliciosa bacalhoada, fizemos um refrescante sangria que acabou rendendo 2 litros!

Nem precisamos dizer como o Reveillon foi alegre por aqui, não é mesmo?

Ingredientes

1 garrafa de vinho tinto de boa qualidade

2 latas de refrigerante sabor limão

Suco de 2 laranjas grandes

1 maçã picada

1 abacaxi picado (descartar o caroço)

2 paus de canela

4 unidades de cravo da índia

Açúcar se necessário (não usamos)

Preparo

Separe uma jarra grande de vidro com capacidade para 2 litros.

Caso não tenha uma jarra tão grande, divida todos os ingredientes acima em duas jarras.

Mexa bem e deixe na geladeira por no mínimo 3 horas antes de servir. Isso fará com que a sangria fique bastante aromatizada.



Bodega Bouza: um ótimo passeio em Montevidéu

Conhecer a Bodega Bouza é, sem dúvida, um dos melhores passeios em Montevidéu (se não for o melhor!).

A jovem vinícola tem menos de dez anos e está localizada a uns 20 minutos de carro do centro da cidade. Como nós não alugamos um automóvel, contratamos o serviço de remise para ida e volta do hotel em que estávamos hospedados. Foi bem caro (1.000 pesos no total/ R$ 100), mas por se tratar de um domingo, achamos a melhor opção, já que a cidade fica muito vazia e com poucos táxis rodando.

Chegamos à bodega por volta das 10:30h e nos impressionamos com o local. Tudo muito bonito, agradável e organizado.

É necessário ter reserva para a visita guiada e também para a degustação. Fizemos isso por e-mail bem antes da viagem. Para quem pretende só almoçar por lá, a reserva não é obrigatória.

O valor da Visita Guiada é de 200 pesos/R$ 20 por pessoa. Quem opta pela Degustação Clássica paga 500 pesos/R$ 50 e neste preço está inclusa a visita guiada, experimentação de quatro tipos de vinho da linha média e uma tábua com pães, queijos e frios. O mesmo acontece na Degustação Top, porém, os quatro vinhos são da linha mais nobre e o preço sobe para 900 pesos por pessoa/R$ 90.

O tour, coordenado por uma moça simpática e atenciosa, começou pelos vinhedos.  Ela nos explicou sobre todo o processo de cultivo das uvas, em especial da Tannat, a principal casta do Uruguai.

Em outubro já pudemos ver alguns cachos crescendo. A colheita é feita sempre entre os meses de dezembro e março.

A próxima etapa foi conhecer o espaço destinado à produção dos vinhos. É um local bem pequeno, possui apenas uma máquina para receber as uvas recém-colhidas e alguns tonéis de fermentação.

Um pouco maior é a adega climatizada. Nela alguns vinhos descansam por meses – e até anos – dentro dos tonéis de carvalho.

O mais interessante da adega é que em seu subsolo existe uma espécie de biblioteca da vinícola, onde são guardados exemplares de todas as safras.

Para finalizar o tour, visitamos a coleção de carros e motos antigas da família Bouza.

De lá nos dirigimos ao restaurante para a degustação clássica. Foram servidos quatro vinhos: branco Chardonnay, rosé Tempranillo, tintos Merlot/Tannat e Tannat da safra 2009.

Eu gostei bastante do branco e do Merlot/Tannat, pois são mais leves. O Fernando é fã dos vinhos mais encorpados e preferiu o Tannat.

Mas se tem algo que achamos melhor que os vinhos foi a torrada servida com cebola ao vinho Tannat. Depois desse aperitivo, não tivemos dúvida de que o almoço iria nos surpreender.

Bouza Baby Beef em redução de Tannat com batatas gratinadas, bacon e tomates confitados (410 pesos/R$ 41) foi o prato do Fernando. “Excelente” era a única palavra que ele repetia o tempo todo enquanto comia!

Eu também fui muito feliz na escolha. O Ravioli de Mussarela, tomate e manjericão (380 pesos/R$ 38) estava delicioso! Massa e molhos muito frescos, tudo perfeito.

Só não afirmamos que esta foi a melhor refeição da viagem pois também provamos carnes espetaculares no El Palenque.

Para finalizar o almoço incrível, só mesmo duas sobremesas memoráveis como o Cremoso de Chocolate recheado com Pistache (260 pesos/R$ 26) e o clássico Creme Brulée (220 pesos/R$ 22).

E foi com este dia maravilhoso que a nossa estada em Montevidéu chegou ao fim. Aliás, finalmente tivemos um dia maravilhoso em Montevidéu.

Sugestão do chef: ao lado do restaurante funciona uma loja que comercializa os vinhos da bodega, alguns acessórios e roupas confeccionadas em lã e couro. Os preços, porém, não são nada atrativos.

Bodega Bouza: Cno. de la Redención 7658 bis – Montevideo – Uruguay – Tel.: (598) 2323 7491/Tel.: (598) 2323 3872. De segunda a domingo. Visitas guiadas às 11h/13h/16h
Restaurante da Bodega Bouza: Tel: (598)2323 4030. Aberto todos os dias das 11h30 às 15h.

 



De tudo um pouco no Tannat

Próximo ao hotel em que nos hospedamos em Montevidéu, um restaurante chamou a nossa atenção. Chegamos mais perto, achamos o cardápio interessante e decidimos entrar.

O Tannat Restaurante e Wine Bar apresenta uma carta bastante variada, passando por carne, massa, risoto, marisco, frutos do mar e até sushi! Não costumamos arriscar em um restaurante onde da cozinha sai de tudo, mas já estávamos na capital uruguaia tempo suficiente para entender que essa mistura é comum em boa parte dos lugares.

Rapidamente nos serviram o couvert: algumas torradas, chips de batata doce, maionese e patê à base de cenoura. Petiscamos tudo enquanto nossos pedidos eram preparados.

Da parrilla saiu o Vacío com Papa Dulce (380 pesos/R$ 38) pedido pelo Fernando. A carne pouco saborosa não agradou nada.

Eu tive mais sorte com o Risoto de Hongos (370 pesos/R$ 37). O prato estava bem feito, porém, prefiro o ponto do arroz um pouco mais cozido.

E por falar em sorte, não contamos com ela no momento da escolha do vinho. A carta era boa, mas com poucas opções da bebida servida em taça. Escolhemos o De Lucca 2009 – Tannat (85 pesos/R$ 8,50) e tanto no rosé quanto no tinto o gosto do álcool predominava. Bem ruim mesmo.

O ponto alto da nossa refeição foi a sobremesa. O Helado Tannat con frutos del Bosque (185 pesos/R$ 18,50) estava delicioso e nos surpreendeu positivamente. Gostamos tanto que saímos de lá com a promessa de tentar reproduzir a receita em casa.

Sugestão do chef: De segunda a sexta-feira no almoço o Tannat oferece menu executivo a preço fixo com com entrada, prato principal e sobremesa.

Tannat Restaurante e Wine Bar: San Jose, 1063 – Centro – Montevidéu – Uruguai



Montevidéu: Ciudad Vieja e Mercado del Puerto

Passamos 5 dias em Montevidéu no mês de outubro e, de um modo geral, foi decepcionante. Entre outras razões, porque deveríamos seguir as recomendações de dedicar apenas dois ou três dias à capital uruguaia, já que sobra pouco para fazer por lá depois disso. Percebemos isso logo de cara, quando saímos para conhecer a região central, onde concentra-se boa parte dos pontos turísticos.

Com um calçado confortável e disposição para caminhar, é possível conhecer a pé toda essa parte da cidade. A Plaza Independência é a principal. Na esquina dela com a avenida 18 de Julio, a mais importante via comercial de Montevidéu, está o Palácio Salvo, um prédio altão projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, o mesmo que assina o parecido (porém mais conservado) Edifício Barolo, em Buenos Aires. A construção chama a atenção pela altura – são 95 metros –, mas não pela beleza. Carece de uns bons retoques e várias de suas unidades estão à venda.

Na mesma região estão o Palácio Estevez, um casarão já utilizado como sede do governo uruguaio, e uma construção moderna que é o atual edifício presidencial. No centro da praça, há uma grande estátua do herói nacional, aquele que expulsou os espanhóis em 1811, o general José Artigas em seu cavalo.


Atrás da escultura, a Puerta de la Ciudadela relembra a época em que Montevidéu era cercada por uma muralha. Com restauração concluída em 2009, o portal marca o começo da região conhecida como Ciudad Vieja. Olhando para a esquerda, o visitante verá o Teatro Solís, principal palco das artes cênicas uruguaias, que visitaríamos mais tarde.

Essa caminhada de reconhecimento da área central de Montevidéu foi desapontadora. Sem exageros, não nos encantamos por absolutamente nenhuma das construções históricas. Vimos um centro muito parecido com o da nossa cidade, São Paulo, o que lamentamos dizer que não é exatamente um elogio. Percebemos por lá os mesmos problemas sociais e urbanísticos, mas sem a visão reconfortante de preciosidades arquitetônicas como o Copan, o Municipal, o Martinelli, o viaduto Santa Ifigênia…

É isso, achamos o centro de Montevidéu feio e não tão seguro como prevíamos. No percurso a partir do hotel, no Barrio Sur – poucas quadras distante – fomos abordados duas vezes por gente pedindo dinheiro com cara de poucos amigos, vimos muitos moradores de rua e não nos sentimos tão à vontade para usar a câmera – a Débora fez várias fotos sob olhar fixo de gente mal encarada, sobretudo nas partes menos movimentadas. Turistas eram poucos e concentravam-se nos pontos mais óbvios, os mesmos onde havia presença policial – com exceção do domingo, dia em que vimos bem mais polícia na rua.

Mas não desistimos, e já na Ciudad Vieja seguimos pelo calçadão da rua Sarandi, cheio de lojas e com alguns cafés, museus e sorveterias. Nosso destino, claro, era o Mercado del Puerto, a antiga estação de trem trasformada em centro gastronômico, cuja grande atração é o churrasco uruguaio, preparado com lenha na parrilla.

Nesse programa turístico, não houve decepção! Escolhemos comer no famoso El Palenque, sem desanimar com a lotação total do espaço reservado às mesas em plena quinta-feira. Ficamos no balcão mesmo e lá experimentamos uma das melhores refeições da viagem.

A Débora adorou seu Petit Lomo (400 pesos, cerca de R$ 40) e eu comi uma picanha sensacional, servida exatamente no ponto pedido e com quantidade perfeita de sal (440 pesos ou R$ 44). Tudo acompanhado de Papas Fritas e de uma Papa a la Parrilla com Roquefort pedida à parte (120 pesos/R$ 12). Era tanta comida que nem precisaríamos ter pedido de entrada um provolone com jamón e azeitonas, bom só que muito salgado (180 pesos/R$ 18).

Finalizado o almoço, paramos em outro clássico, o Roldós. Para tomar medio y medio, é claro! Dizem que a mistura de vinho com espumante deixa muita gente bêbada rapidinho, mas com o estômago cheio não sentimos esse efeito. A versão tradicional (60 pesos/R$ 6) leva vinho branco, tem gosto de Sidra Cereser e é feita, nitidamente, com vinho ruim. Mesmo assim, é melhor do que as versões com vinho rosé e tinto, ambas criadas mais recentemente.

Quando pegávamos o caminho de volta, um garotinho chegou pedindo dinheiro. Conversamos um pouco e ele disse pra gente que era obrigado a conseguir o equivalente a 20 reais por dia com os turistas brasileiros. Triste demais.

Nesse clima chegamos ao Teatro Solís pontualmente às 16 horas, quando começa uma das visitas guiadas. Para ouvir as explicações em português, o preço é de 40 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 4 reais). Com a guia falando espanhol, sai pela metade do preço. A visita dura uns 40 minutos e o destaque, claro, é a sala principal, que não é enorme mas é bem bonita. Nada além dela nos impressionou, e olha que estava rolando uma exposição de fotos e outra de roupas cênicas, mas ambas bem fracas.

No final, paramos no café do teatro para comer uma ótima Torta Rogel acompanhada de um espresso (tudo por 180 pesos/R$ 18). Esse café da tarde nos deu energia para uma caminhada mais longa, até o Palácio Legislativo.

Situada na avenida Libertador, a sede do congresso uruguaio é o prédio mais bonito entre as construções históricas vistas nesse dia, mas fica já fora da região central e isolada das outras atrações turísticas.

El Palenque: Perez Castellano, 1579, dentro do Mercado del Puerto – Montevidéu – Uruguai. Tel.: +598 29170190

Teatro Solís: Reconquista esquina com Bartolomé Mitre – Montevidéu – Uruguai. Visitas guiadas: terças e quintas às 16 horas; quartas, sextas e domingos às 11hs, 12hs e 16hs e sábados às 11hs, 12hs, 13hs e 16hs. Às quartas há visitas grátis em espanhol.



Bistrô e doceria Condimento

O Tatuapé vê surgir endereços gastronômicos o tempo todo. Mas poucos valem tanto uma visita quanto o Condimento, um misto de bistrô, doceria e café, inaugurado há uns três meses no bairro. Você pode ir até lá almoçar, tomar um chá, ou então comer ótimos doces americanos. Nós fizemos as três coisas!

Para matar a fome, há todos os dias dois ou três pratos executivos. Fomos no sábado e eu escolhi Risoto Milanês com Filé e manteiga de ervas (R$ 28,60). Recomendo, pois o risoto é muito bem feito e a carne, além de servida no ponto certo, veio perfeitamente temperada.

A Débora escolheu Camarão Creole com Capellini na manteiga (R$ 29,80). Bem saboroso, sobretudo para quem gosta de um molho mais picante e com o sabor do pimentão vermelho realçado. Lembra um pouco uma sardela, só que mais leve e, claro, sem aliche. Vale provar.

Além de fartos, todos os pratos são precedidos por uma saladinha acompanhada de deliciosos pães caseiros e manteiga Aviação. Restaurantes com esse cuidado costumam ganhar bons pontos em nossas avaliações!

A lista de bebidas inclui os sucos da marca Joy (R$ 4,50), aqueles com um conceito interessante: menos açúcar, frutas naturais… Pedi um de maçã, mas achei só razoável. Melhor mesmo estava o suco de uva verde coreano que a Débora escolheu.

Na aguardada hora da sobremesa, pedimos logo Blueberry Crumble com sorvete de creme (R$ 9). Simplesmente deliciosa da massa – cheia de manteiga – ao recheio lotado de blueberries.

Nosso lado chocólatra foi bem atendido pelo Brownie de Alpino com ganache e sorvete (R$ 8,50), um bolinho mais macio do que os brownies que costumamos encontrar, e com muito recheio. Sensacional!

Antes de fechar a refeição, passamos uns bons minutos consultando a carta de chás orgânicos da Gourmet Tea. Até escolher duas opções da linha inspirada na Ayurveda, a medicina milenar indiana: o Detox e o Revitalising (R$ 5 cada). São deliciosos e nos fizeram muito bem, assim como todo aquele almoço.

Sugestão do chef: as mesas do térreo são as mais concorridas, mas vale esperar pois o ambiente é o mais agradável, principalmente para as mulheres, que vão adorar a decoração em estilo parisiense. O andar de cima não tem, nem de longe, o mesmo charme. E para quem se interessa por aulas de culinária, a casa promete cursos em breve.

Condimento: Rua Itapura, 1525 – Tatuapé – São Paulo – SP – Tel.: (11) 3554-1525. Horário: de segunda a sexta das 10hs às 19hs e aos sábados das 9hs às 19hs.



Red Stripe, a cerveja da Jamaica

Reggae a Jamaica exporta para o mundo todo há quase cinco décadas. Desde que Bob Marley colocou a ilha com menos de três milhões de habitantes no mapa mundi da boa música, não é difícil achar por aqui discos, livros e diversos outros artigos que remetem à cultura desse simpático país banhado pelo mar do Caribe. Agora, cerveja jamaicana nunca tínhamos encontrado! Até vermos no quisosque da Laus Beer uma garrafinha diferente, com rótulo branco e faixa vermelha na diagonal. Era a Red Stripe, a cerveja de baixa fermentação (lager) mais famosa da Jamaica, produzida desde 1928.

A cor é bem clara e o aroma lembra o das cervejas industriais do Brasil, o que evidentemente não é um elogio. No paladar, tem um amargor bem discreto no começo, até revelar um gostinho meio adocicado depois – no after tasting. É uma cerveja bem leve, pra beber sem grandes pretensões num dia de calor. Na nossa opinião, inclusive, lembra um pouco o chope Brahma. Com a desvantagem de ser bem mais cara, já que pagamos R$ 11,90.

Sugestão do chef: os quiosques da Laus Beer estão no Shopping Market Place, em São Paulo e no Iguatemi de Campinas e de Alphaville. De terça a sexta outra loja fica aberta ao público na Rua Fernandes Moreira, 384, no bairro da Chácara Santo Antônio, zona sul de São Paulo. O espaço também pode receber eventos às segundas.

Red Stripe: essa cerveja é fabricada pela Desnoes & Geddes, empresa que tem hoje a Diageo como sócia majoritária. O produto é distribuído pela Importbeer.



Degustação de cervejas no Bierboxx

A convite do pessoal do Kekanto, site com dicas de estabelecimentos e serviços indicados pelos próprios consumidores, estivemos em uma degustação de cervejas realizada na noite de sexta no Bierboxx.
Conduzido pelo beer sommelier Leandro Viu, o evento começou com a apresentação de diferentes tipos de malte e lúpulo, além de explicações sobre os estilos de cerveja e as etapas da produção.

Na sequência, nossos copos foram preenchidos pela A. K. Damm, feita em Barcelona a partir de uma receita da região da Alsácia. Parece que desembarcou no Brasil em 2009, mas confesso que é uma novidade pra mim. É uma cerveja leve, dessas pra beber a noite toda. Não espere amargor nem aromas complexos. Estamos falando de uma cerveja que certamente cai bem num dia quente, acompanhada de umas tapas espanholas – ou então de uns amendoins mesmo! A Espanha pode não ter uma grande tradição cervejeira, mas gostei muito de conhecer essa marca. Detalhe curioso é o rótulo, tão simples que, depois de molhado, não parava mais no lugar!

A noite prosseguiu com a versão Pale Ale da mineira Backer, nossa velha conhecida. A tonalidade âmbar dá um belo visual para essa bebida, cujo amargor típico do estilo aparece aos poucos, timidamente. Até, no final, dominar a cena.

Nem tínhamos bebido tanto, mas começamos a sentir um certo calor logo na 3ª etapa da degustação. Culpa dos 7,3% de graduação alcoólica da Erdinger Pikantus, do estilo weizenbock.

Mudando dos biergartens da Alemanha para os pubs ingleses, hora de provar a Greene King IPA. No paladar, amplo destaque para o lúpulo, o que significa bastante amargor, mas também uma notas herbais. Na minha modesta opinião, deve frequentar a mesa de quem começa a desbravar o universo das cervejas especiais. Digo isso porque é muito fácil perceber nela sabores completamente inusitados para os padrões das cervejas industriais brasileiras. Faça o teste e depois me diga se não dá pra sentir, por exemplo, um certo gosto de eucalipto! Como curiosidade, vale dizer que alguns entendidos no assunto não consideram a Greene King uma legítima representante do estilo India Pale Ale (IPA), por conter menos álcool e lúpulo do que o padrão do estilo, criado para chegar até os soldados ingleses enviados para a colonização da Índia.

Quem não costuma se importar muito com padrões são os americanos. Como explicou o Leandro Viu, são originárias dos EUA algumas das cervejas mais ousadas disponíveis no mercado. No mesmo país que manda pra todos os cantos a horrível Budweiser, há centenas de louras, morenas e ruivas artesanais e mais de 500 mil pessoas produzindo sua própria cerveja. A Flying Dog eu conheci no ano passado, atraído pelos rótulos divertidos. Na sexta provamos uma das primeiras da marca a chegar aqui, a Raging Bitch, cerveja muito alcoólica (8,3%, quase um vinho!) e lotada de lúpulo. A Débora – bem como as demais mulheres presentes – torceu o nariz para o líquido extremamente amargo. Sobrou pra mim beber os dois copos e me despedir de uma cerveja que deixou de ser importada para o Brasil.

Finalizamos com a sempre boa Colorado Demoiselle, aquela com adição de café. Ótima escolha para não esquecermos que há no Brasil gente fazendo cervejas comparáveis a algumas das melhores do mundo.

Depois de aprender bastante sobre boas cervejas, assunto sobre o qual gostamos de escrever neste blog desde 2007, fomos convidados pela equipe do Kecanto para um happy hour junto de outros blogueiros lá presentes. Além do papo, a ocasião foi boa para provarmos alguns petiscos servidos no Bierboxx.
Na bandeja de Pasteizinhos Mistos (8 unidades por R$ 21), nosso preferido foi o de queijo com ervas.

As Iscas de Tilápia em crosta de polenta vieram crocantes e sequinhas, uma boa pedida (R$ 25).

Já as Polpetas de carne moída com catupiry e azeitonas (R$ 25 a porção com 6) vieram um pouco encharcadas, o que destoou do bom recheio.

Excelente mesmo estavam as Bruschetas, perdi a conta de quantas comi!

Na hora das sobremesas, fomos direto nas opções com cerveja na receita. O Brownie de Chocolate com Brow Ale veio acompanhado do bom sorvete da Diletto.

Mas o destaque foi o Pudim de Leite Condensado com cerveja Stout. Simples porém com equílibrio total entre doce e amargo.


Sugestão do chef: o Bierboxx é um misto de bar, loja e “escola” de cerveja. Promove todos os meses diversos cursos para quem deseja aprender mais sobre a bebida e até fazer a sua em casa. A próxima aula acontece no sábado (04/06).

Bierboxx: R. Fradique Coutinho, 842 – Pinheiros – São Paulo – tel.: (11) 3805-0151



ABRAVINIS 2010

Entre os dias 23 e 25 de novembro acontece em São Paulo a ABRAVINIS, feira de vinhos voltada ao consumidor final e organizada pela Exponor Brasil em parceria com a revista Prazeres da Mesa.
Nela estarão disponíveis mais de 100 rótulos nacionais e importados da bebida, que poderão ser adquiridos por preços mais baixos. A feira também promoverá algumas degustações.
O ingresso custa R$ 60, sendo que a metade desse valor será convertido em compras durante o evento.

Sugestão do chef: essa é uma boa oportunidade para garantir bos vinhos para as Festas de final de ano, seja para consumo próprio ou para presentear.

ABRAVINIS 2010: Esporte Clube Pinheiros – Rua Tucumã, 36 – Jardim Europa – São Paulo – SP, (11) 3598-9700; Dias 23, 24 e 25 de novembro de 2010, das 14h às 22h. Proibida a entrada de menores de 18 anos.



Chocolates, vinhos ou refeição completa na Chocolateria da Serra

Quando estivemos em Serra Negra pela última vez, notamos que a cidade não contava com nenhuma loja especializada em bons chocolates. O clima da montanha, somado à expansão observada na cidade nos últimos anos pedia algo nessa linha.

Para a nossa supresa descobrimos a Chocolateria da Serra, misto de cafeteria, lanchonete, bar e chocolateria (claro!), localizada na avenida em que está boa parte dos bares e restaurantes do centro da cidade.

Como só abre à noite, passamos por lá apenas para comer fondue e tomar um vinho, pois antes havíamos jantado uma pizza mediana.

Provavelmente pelo fato de o menu ser bastante variado, o local consegue atrair público bem diversificado. Algumas pessoas bebericavam, outras comiam sanduíche ou provavam algum dos pratos. Mas, assim como nós, a grande maioria tomava chocolate quente, comia fondue e bebia vinho.
O fondue de chocolate serve duas pessoas e custa R$ 26 reais. O preço é bastante atraente, mas vale ressaltar que a porção não é das maiores e traz como acompanhamentos apenas banana, morango, pera e marshmallow. Para nós foi a quantidade exata, afinal, devoramos uma pizza minutos antes.

Pena o vinho pedido não ser lá essas coisas. O italiano Chianti Frassine (R$ 36) era muito leve, pouco aromático e nada marcante. Até nos pareceu aguado, se é que podemos nos referir assim a essa bebida. Mas tudo bem, ultimamente não estamos com muita sorte na escolha dos vinhos.

Gostamos muito de ver que, pouco a pouco, Serra Negra busca novas e diversificadas opções gastronômicas.

Sugestão do chef: no fundo do salão funciona a loja especializada em bombons, barrinhas de chocolates, trufas e alguns licores. Todos os chocolates são de fabricação artesanal.
Chocolateria da Serra: Avenida Laudo Natel, 255 – Centro – Serra Negra – SP. Tel.: (19) 3842-1806


Malte, lúpulo e bacuri em Ribeirão Preto

No final de março estivemos em um evento que reuniu gente que gosta de beber e/ou fazer cerveja.

Aconteceu na fábrica da Cervejaria Colorado, em Ribeirão Preto, e, na ocasião, representantes das Acervas de São Paulo, Rio e Minas elaboraram três receitas da bebida para quem quisesse ver. De quebra, o Brew Day contou ainda com os mestre-cervejeiros da Colorado trabalhando na elaboração de uma receita da versão Indica.

Chegamos no final da brassagem, porém a tempo de participar do churrasco no centro de distribuição da cervejaria. A ideia era que os cervejeiros levassem suas produções para serem degustadas pelos participantes. Era só chegar com as garrafas e colocar pra gelar na caçamba da pick up!

Foi assim que provamos cervejas artesanais dos mais diferentes estilos, vindas de todos os lugares. Muitas delas sem nenhuma identificação no rótulo e cujos autores, provavelmente, nunca descobriremos quem são. Tudo isso ao som de muito rock’n roll.

A bebida mais inusitada foi também a de que mais gostamos: trata-se da cerveja com Bacuri, elaborada pelo Arlindo da Amazon Beer, lá de Belém do Pará. Com menos de 3% de álcool, é uma bebida aromática, levíssima e deliciosa!
Conhecemos muita gente ligada ao universo da boa cerveja e ficamos impressionados com a paixão com que essas pessoas encaram o hobby de fazer em casa suas próprias produções.

Sugestão do chef: a Colorado é conhecida por adicionar às cervejas ingredientes como mandioca, mel e rapadura. O portfólio inclui os estilos pilsen (Cauim), porter (Demoiselle), weiss (Appia) e pale ale (Indica). Este último, na nossa opinião, é o melhor deles.

Cervejaria Colorado: Rua Minas, 394 – Campos Elíseos – Ribeirão Preto – SP – Tel.: (16) 3441-5090



Cerveceria Antares: Buenos Aires além do vinho

Claro que os vinhos entrariam no nosso cardápio em Buenos Aires, mas não precisaria ser no primeiro dia. Antes de sair para jantar, disse pra Débora que tinha só uma preferência em relação ao cardápio: cervejas artesanais de produção local. Então, nos dirigimos para as agradáveis ruas de Palermo, bairro em que ficamos hospedados, e fomos parar em uma das franquias da Cerveceria Antares, a mais famosa produtora de versões especiais da bebida na Argentina, nascida em 1998 na cidade de Mar del Plata.
O ambiente por lá é moderno (e escuro também) como toda aquela parte de Palermo. Há algumas mesas na calçada, música pop argentina no som ambiente e um bar bem imponente.

Por 20 pesos (em torno de R$ 10), é possível degustar os sete estilos produzidos o ano todo, além de uma edição limitada. Tudo em copos pequenos pra ninguém sair de lá tropeçando em uma das descoladas garçonetes.

Uma cesta com pães variados ajudou a limpar o paladar entre uma cerveja e outra.

Segui a orientação de iniciar pelas cervejas claras e logo provei a levíssima Kolsh, estilo criado na cidade alemã de Colônia. Na sequencia, Honey Beer, cujo mel adicionado dá um toque bem diferente e um pouco doce. Amargor mesmo só comecei a perceber com a Scotch. Mas estava curioso era pra provar a Doppelbock, a tal da edição limitada que passa por um processo de maturação de 30 dias acondicionada sob baixas temperaturas. Tudo para equilibrar os sabores. O resultado é uma cerveja bem encorpada, mas com um leve sabor adocicado. Bem diferente.
A essa hora já não sabia mais qual era minha preferida. E ainda faltava degustar três estilos. A Cream Stout, com aroma e sabor de chocolate arrancou elogios da Débora. Já a Porter e a Imperial Stout, ambas com gosto de malte torrado, só foram elogiadas por mim.
O que agradou a ambos, sem restrições, foram os pratos. A Cazuela de Lomo (32 pesos) impressionou com a bela apresentação. É algo como um picadinho de filet mignon cozido na cerveja Porter e coberto de batata em pedaços. Muito saboroso e com a medida certa de condimentos.

Minha escolha foi Pechuga Rellena (37 pesos), um peito de frango assado e recheado com mussarella, queijo gruyere e tomate seco, acompanhado de alface frisée, batatas rústicas e um molho delicioso. Sabor sensacional, e olha que tínhamos ido só pra beber cerveja.


Sugestão do Chef: a Antares mantém bares espalhados por diversas regiões da Argentina. Além de Buenos Aires e Mar del Plata, é possível provar as ótimas cervejas artesanais em lugares como Bariloche, Mendoza e Rosário.

Cerveceria Antares: Armenia, 1447 – Palermo – Buenos Aires – Argentina – Tel.: (54 11) 4833-9611



Um domingo em San Telmo

Nosso primeiro dia em Buenos Aires foi um domingo, por isso já tínhamos definido o tradicional bairro de San Telmo como destino do passeio inaugural pela cidade.


É que esta é a data da tradicional feira que acontece por lá, um ótimo momento para conhecer melhor a cultura local, ouvir as apresentações ao ar livre de grupos musicais e, claro, comprar um pouco de tudo.

O endereço original é a Plaza Dorrego, onde a feira de San Telmo se originou com a venda de antiguidades. Hoje é bem mais do que isso e se estende por toda a Calle Defensa, rua que começa ao lado da Plaza de Mayo. Por essa razão, quem vai à feira pode aproveitar para conhecer a Casa Rosada. Foi exatamente o que fizemos, uma pena o museu que funciona no local estar fechado, em reforma para os 200 anos da Revolução de Maio – assim como o Teatro Colón e alguns outros prédios públicos.

Ao sair da sede do governo argentino, começamos a percorrer a rua Defensa e, ainda satisfeitos com as “medialunas com dulce de leche” do café da manhã, resistimos à tentação de entrar na fila do churipan (o pão com lingüiça deles).

Depois de muito olhar a infinidade de objetos expostos, encontramos uma simpática moça que vendia tortas e bolos feitos com massa integral. Escolhemos na hora uma torta de abóbora com queijo e semente de girassol. Deliciosa!

Era o que precisávamos para seguir com energia por mais algumas das muitas quadras ocupadas pela feir…(ona!). No trajeto, em meio aos expositores e às lojas de antiguidades, fomos avistando diversos restaurantes e bares bem interessantes. Nossa paixão à primeira vista por San Telmo só se confirmava… Até que entramos no meio de uma bagunça deliciosa! Era uma legião de portenhos pulando ao som de uma certa banda de rock, turistas de várias partes perguntando o preço dos produtos nas barracas, casais vestidos com trajes de época posando para fotos… bastou olhar para a placa e confirmar: finalmente estávamos na Plaza Dorrego. Ali, sim, são comercializados quase que exclusivamente objetos antigos.

É engraçado de ver, dá uma certa sensação de que voltamos no tempo. Pode ter sido o começo de tudo, mas, na nossa opinião, está longe de ser o trecho mais interessante da feira dominical.

O fato é que já tínhamos visto tudo, mas ainda não estávamos com uma fome que justificasse encarar pratos mais consistentes, apesar da grande oferta de menus executivos a preços atraentes. Por essa razão, não pensamos duas vezes quando vimos a possibilidade de petiscar alguma coisa acompanhada de cervejas artesanais argentinas. Garantimos logo uma mesa no Patio Cervecero.

Com apenas dois garçons tendo que dar conta de todo o movimentado salão, quase foi preciso implorar pelo cardápio. Quando chegou, logo decidimos que as empanadas seriam a estrela principal do nosso primeiro almoço em Buenos Aires. A Débora pediu um combo com duas de carne suave mais chope Quilmes por 16 pesos (em torno de 8 reais).
Eu resolvi provar empanadas típicas de três diferentes regiões. Cada uma custa 4 pesos e traz diferenças sutis na receita.

A Jujeña leva carne picada, cebolinha, pimenta Ají, tomate e ovo cozido. Já a Salteña é feita com carne cortada na ponta da faca, batata, azeitona, cebolinha, ovo cozido e pimenta Ají. E, por último, a Mendoncina, com carne picada, cebola, ovo, azeitonas pretas e cebolinha. As três, assim como as de carne suave, estavam bem oleosas, o que não é uma regra na Argentina, como veríamos mais tarde. No entanto, precisamos confessar que o sabor estava sensacional!
A Débora já bebericava sua refrescante e sempre boa Quilmes enquanto eu ainda tentava escolher uma cerveja desconhecida. A demora tem pouca relação com o número de opções do cardápio e muita com o fato de algumas estarem em falta naquele dia. Terminei por escolher a Otro Mundo do tipo strong red ale, feita em Santa Fé pela San Carlos Brewery. Frutada e com o sabor adocicado do malte bem perceptível, estava excelente! Valeu, de longe, os 16 pesos. Para o começo da viagem, não poderia ter sido melhor.

Sugestão do chef: além de empanadas e opções para petiscar, o Patio Cervecero apresenta boa variedade de pratos, incluindo alguns da cozinha mexicana. Assim como diversos outros restaurantes em Buenos Aires, também serve pizza na pedra desde a hora do almoço.

Patio Cervecero: Defensa, 1084 – San Telmo – Buenos Aires – Argentina. Mais dois endereços. Tel.: (54 11) 4307-2211/ (54 11) 4307-2384


Página 1 de 3123