Você está vendo os artigos na categoria • Uruguai – Montevidéu
Neste post fizemos um resumo de todas as dicas de bares e restaurantes que visitamos em Montevidéu.
Vale ressaltar que a cidade não tem uma rua ou região de total concentração gastronômica, porém os bairros de Pocitos, Punta Carretas e Ciudad Vieja concentram a maioria dos lugares. Quem procura uma refeição rápida e bastante tradicional, pode provar Chivito em todos os cantos da cidade.
Região Central:
Tannat – Boa carta de vinhos e cardápio variado com opções que vão desde risotos, massas, carnes, aves, frutos do mar e comida japonesa. De tudo o que provamos, gostamos mais do risoto do que da carne.
El Palenque (dentro do Mercado do Porto) – Especializado em carnes na parrila, mas também serve alguns peixes. Vale ressaltar que nele provamos a melhor carne da viagem.
Roldós – O lugar é muito famoso por ter criado a bebida mais conhecida de Montevidéu: o Médio y Médio. Também fica no Mercado do Porto.
Pocitos:
Fellini – Restaurante italiano com massas caseiras e algumas carnes.
Bar 62 – Perfeito para petiscar, almoçar ou jantar, já que o menu é bem diversificado e possui ótimo ambiente. Comida e atendimento excelentes.
Área rural:
Bodega Bouza – Excelente opção para passear e almoçar em um local muito bonito com comida saborosa. Os preços, porém, são altos.
Conhecer a Bodega Bouza é, sem dúvida, um dos melhores passeios em Montevidéu (se não for o melhor!).
A jovem vinícola tem menos de dez anos e está localizada a uns 20 minutos de carro do centro da cidade. Como nós não alugamos um automóvel, contratamos o serviço de remise para ida e volta do hotel em que estávamos hospedados. Foi bem caro (1.000 pesos no total/ R$ 100), mas por se tratar de um domingo, achamos a melhor opção, já que a cidade fica muito vazia e com poucos táxis rodando.
Chegamos à bodega por volta das 10:30h e nos impressionamos com o local. Tudo muito bonito, agradável e organizado.

É necessário ter reserva para a visita guiada e também para a degustação. Fizemos isso por e-mail bem antes da viagem. Para quem pretende só almoçar por lá, a reserva não é obrigatória.
O valor da Visita Guiada é de 200 pesos/R$ 20 por pessoa. Quem opta pela Degustação Clássica paga 500 pesos/R$ 50 e neste preço está inclusa a visita guiada, experimentação de quatro tipos de vinho da linha média e uma tábua com pães, queijos e frios. O mesmo acontece na Degustação Top, porém, os quatro vinhos são da linha mais nobre e o preço sobe para 900 pesos por pessoa/R$ 90.
O tour, coordenado por uma moça simpática e atenciosa, começou pelos vinhedos. Ela nos explicou sobre todo o processo de cultivo das uvas, em especial da Tannat, a principal casta do Uruguai.
Em outubro já pudemos ver alguns cachos crescendo. A colheita é feita sempre entre os meses de dezembro e março.

A próxima etapa foi conhecer o espaço destinado à produção dos vinhos. É um local bem pequeno, possui apenas uma máquina para receber as uvas recém-colhidas e alguns tonéis de fermentação.

Um pouco maior é a adega climatizada. Nela alguns vinhos descansam por meses – e até anos – dentro dos tonéis de carvalho.
O mais interessante da adega é que em seu subsolo existe uma espécie de biblioteca da vinícola, onde são guardados exemplares de todas as safras.

Para finalizar o tour, visitamos a coleção de carros e motos antigas da família Bouza.

De lá nos dirigimos ao restaurante para a degustação clássica. Foram servidos quatro vinhos: branco Chardonnay, rosé Tempranillo, tintos Merlot/Tannat e Tannat da safra 2009.
Eu gostei bastante do branco e do Merlot/Tannat, pois são mais leves. O Fernando é fã dos vinhos mais encorpados e preferiu o Tannat.

Mas se tem algo que achamos melhor que os vinhos foi a torrada servida com cebola ao vinho Tannat. Depois desse aperitivo, não tivemos dúvida de que o almoço iria nos surpreender.
Bouza Baby Beef em redução de Tannat com batatas gratinadas, bacon e tomates confitados (410 pesos/R$ 41) foi o prato do Fernando. “Excelente” era a única palavra que ele repetia o tempo todo enquanto comia!
Eu também fui muito feliz na escolha. O Ravioli de Mussarela, tomate e manjericão (380 pesos/R$ 38) estava delicioso! Massa e molhos muito frescos, tudo perfeito.
Só não afirmamos que esta foi a melhor refeição da viagem pois também provamos carnes espetaculares no El Palenque.

Para finalizar o almoço incrível, só mesmo duas sobremesas memoráveis como o Cremoso de Chocolate recheado com Pistache (260 pesos/R$ 26) e o clássico Creme Brulée (220 pesos/R$ 22).

E foi com este dia maravilhoso que a nossa estada em Montevidéu chegou ao fim. Aliás, finalmente tivemos um dia maravilhoso em Montevidéu.
Sugestão do chef: ao lado do restaurante funciona uma loja que comercializa os vinhos da bodega, alguns acessórios e roupas confeccionadas em lã e couro. Os preços, porém, não são nada atrativos.
Bodega Bouza: Cno. de la Redención 7658 bis – Montevideo – Uruguay – Tel.: (598) 2323 7491/Tel.: (598) 2323 3872. De segunda a domingo. Visitas guiadas às 11h/13h/16h
Restaurante da Bodega Bouza: Tel: (598)2323 4030. Aberto todos os dias das 11h30 às 15h.
Em um ambiente dos mais agradáveis, decorado em estilo rústico, funciona o Bar 62, ótima opção para a noite no bairro de Pocitos. Fica na esquina de onde partia a primeira linha de bonde a circular por Montevidéu, a “línea 62″. O cardápio conta com diversas opções de drinks, vinhos e algumas cervejas locais, mas a casa funciona também como restaurante – e dos mais ecléticos –, servindo carnes uruguaias, comida japonesa e outros pratos inspirados na cozinha internacional. O melhor de tudo é que essa “bagunça” dá muito certo, e da cozinha saem preparações bem saborosas.
Tínhamos lido no Comidinhas elogios ao clericot preparado por lá, mas nos surpreendemos ao não encontrar no cardápio a versão com vinho branco da sangria, comum no Uruguai. Perguntamos ao garçom e ele disse que realmente não consta da carta, mas que, se quiséssemos, pediria para preparar. A pró-atividade dele foi só um exemplo do atendimento perfeito que a casa oferece. Claro que aceitamos a gentileza, porém imaginando que o pedido sairia bem caro. Errado! A excelente jarra de vinho branco com maçã-verde, morango, banana e pêssego em calda não custou mais do que 240 pesos uruguaios, ou R$ 24.

Para começar a matar a fome, pedimos duas entradas. A Débora foi de Ceviche Mixto de Lenguado y Camarones (290 pesos/ R$ 29), um prato delicioso, feito com peixe bem fresco, como deve ser.
Eu não sairia de lá sem provar uma carne, por isso pedi Chorizo. Custa 75 pesos (R$ 7,50) e é uma linguiças mais saborosa que as servidas nos churrascos brasileiros.

Na hora dos principais, escolhemos explorar a diversidade do cardápio. A “chica” pediu um menu japonês com 12 itens: 4 makis, 4 nigiris e 4 sashimis. Achou tudo bem-executado, no mesmo nível dos bons restaurantes japoneses daqui. O preço do combinado, vale dizer, não é barato, já que sai por 410 pesos, algo em torno de R$ 41. Aliás, não espere restaurantes muito baratos em Montevidéu.
Eu já tinha matado a vontade de comer carne, então pedi um prato vegetariano: Strudel de Hongos y Puerros con verdes (330 pesos/R$ 33). É uma criação sensacional! A massa desmancha na boca, os cogumelos frescos formam um ótimo recheio e o alho-poró dá um toque especial. Voltaríamos a Montevidéu só pra ir de novo ao Bar 62.

Sugestão do chef: Para nós, é um lugar para ir à noite, mas também abre no almoço. Só não programe comer lá em um domingo, pois encontrará as portas fechadas.
Bar 62: Miguel Barreiro, 3301, esquina com Chucarro – Pocitos – Montevidéu – Uruguai
Passamos 5 dias em Montevidéu no mês de outubro e, de um modo geral, foi decepcionante. Entre outras razões, porque deveríamos seguir as recomendações de dedicar apenas dois ou três dias à capital uruguaia, já que sobra pouco para fazer por lá depois disso. Percebemos isso logo de cara, quando saímos para conhecer a região central, onde concentra-se boa parte dos pontos turísticos.
Com um calçado confortável e disposição para caminhar, é possível conhecer a pé toda essa parte da cidade. A Plaza Independência é a principal. Na esquina dela com a avenida 18 de Julio, a mais importante via comercial de Montevidéu, está o Palácio Salvo, um prédio altão projetado pelo arquiteto italiano Mario Palanti, o mesmo que assina o parecido (porém mais conservado) Edifício Barolo, em Buenos Aires. A construção chama a atenção pela altura – são 95 metros –, mas não pela beleza. Carece de uns bons retoques e várias de suas unidades estão à venda.
Na mesma região estão o Palácio Estevez, um casarão já utilizado como sede do governo uruguaio, e uma construção moderna que é o atual edifício presidencial. No centro da praça, há uma grande estátua do herói nacional, aquele que expulsou os espanhóis em 1811, o general José Artigas em seu cavalo.

Atrás da escultura, a Puerta de la Ciudadela relembra a época em que Montevidéu era cercada por uma muralha. Com restauração concluída em 2009, o portal marca o começo da região conhecida como Ciudad Vieja. Olhando para a esquerda, o visitante verá o Teatro Solís, principal palco das artes cênicas uruguaias, que visitaríamos mais tarde.
Essa caminhada de reconhecimento da área central de Montevidéu foi desapontadora. Sem exageros, não nos encantamos por absolutamente nenhuma das construções históricas. Vimos um centro muito parecido com o da nossa cidade, São Paulo, o que lamentamos dizer que não é exatamente um elogio. Percebemos por lá os mesmos problemas sociais e urbanísticos, mas sem a visão reconfortante de preciosidades arquitetônicas como o Copan, o Municipal, o Martinelli, o viaduto Santa Ifigênia…
É isso, achamos o centro de Montevidéu feio e não tão seguro como prevíamos. No percurso a partir do hotel, no Barrio Sur – poucas quadras distante – fomos abordados duas vezes por gente pedindo dinheiro com cara de poucos amigos, vimos muitos moradores de rua e não nos sentimos tão à vontade para usar a câmera – a Débora fez várias fotos sob olhar fixo de gente mal encarada, sobretudo nas partes menos movimentadas. Turistas eram poucos e concentravam-se nos pontos mais óbvios, os mesmos onde havia presença policial – com exceção do domingo, dia em que vimos bem mais polícia na rua.
Mas não desistimos, e já na Ciudad Vieja seguimos pelo calçadão da rua Sarandi, cheio de lojas e com alguns cafés, museus e sorveterias. Nosso destino, claro, era o Mercado del Puerto, a antiga estação de trem trasformada em centro gastronômico, cuja grande atração é o churrasco uruguaio, preparado com lenha na parrilla.
Nesse programa turístico, não houve decepção! Escolhemos comer no famoso El Palenque, sem desanimar com a lotação total do espaço reservado às mesas em plena quinta-feira. Ficamos no balcão mesmo e lá experimentamos uma das melhores refeições da viagem.

A Débora adorou seu Petit Lomo (400 pesos, cerca de R$ 40) e eu comi uma picanha sensacional, servida exatamente no ponto pedido e com quantidade perfeita de sal (440 pesos ou R$ 44). Tudo acompanhado de Papas Fritas e de uma Papa a la Parrilla com Roquefort pedida à parte (120 pesos/R$ 12). Era tanta comida que nem precisaríamos ter pedido de entrada um provolone com jamón e azeitonas, bom só que muito salgado (180 pesos/R$ 18).

Finalizado o almoço, paramos em outro clássico, o Roldós. Para tomar medio y medio, é claro! Dizem que a mistura de vinho com espumante deixa muita gente bêbada rapidinho, mas com o estômago cheio não sentimos esse efeito. A versão tradicional (60 pesos/R$ 6) leva vinho branco, tem gosto de Sidra Cereser e é feita, nitidamente, com vinho ruim. Mesmo assim, é melhor do que as versões com vinho rosé e tinto, ambas criadas mais recentemente.

Quando pegávamos o caminho de volta, um garotinho chegou pedindo dinheiro. Conversamos um pouco e ele disse pra gente que era obrigado a conseguir o equivalente a 20 reais por dia com os turistas brasileiros. Triste demais.
Nesse clima chegamos ao Teatro Solís pontualmente às 16 horas, quando começa uma das visitas guiadas. Para ouvir as explicações em português, o preço é de 40 pesos uruguaios por pessoa (cerca de 4 reais). Com a guia falando espanhol, sai pela metade do preço. A visita dura uns 40 minutos e o destaque, claro, é a sala principal, que não é enorme mas é bem bonita. Nada além dela nos impressionou, e olha que estava rolando uma exposição de fotos e outra de roupas cênicas, mas ambas bem fracas.

No final, paramos no café do teatro para comer uma ótima Torta Rogel acompanhada de um espresso (tudo por 180 pesos/R$ 18). Esse café da tarde nos deu energia para uma caminhada mais longa, até o Palácio Legislativo.

Situada na avenida Libertador, a sede do congresso uruguaio é o prédio mais bonito entre as construções históricas vistas nesse dia, mas fica já fora da região central e isolada das outras atrações turísticas.

El Palenque: Perez Castellano, 1579, dentro do Mercado del Puerto – Montevidéu – Uruguai. Tel.: +598 29170190
Teatro Solís: Reconquista esquina com Bartolomé Mitre – Montevidéu – Uruguai. Visitas guiadas: terças e quintas às 16 horas; quartas, sextas e domingos às 11hs, 12hs e 16hs e sábados às 11hs, 12hs, 13hs e 16hs. Às quartas há visitas grátis em espanhol.